Imagem de uma mulher a utilizar sacos reutilizáveis para as suas compras

Falar de sustentabilidade continua, para muitas pessoas, a soar como um verdadeiro bicho de sete cabeças. A ideia de mudar hábitos, pensar antes de consumir, ou abdicar de algum conforto cria resistência imediata. Mas a realidade é bem diferente: ser mais sustentável não exige perfeição, nem mudanças radicais.

Aceitar que nunca vamos ser totalmente “sustentáveis” é o melhor ponto de partida. É aqui que entram os 3 P’s: pouco, pequeno e possível, uma abordagem prática que ajuda a transformar intenções em hábitos reais. Não se trata de fazer tudo, mas de começar. E começar devagar.

Deixamos aqui ideias simples, acessíveis e realistas para integrar no dia a dia, especialmente no início de um novo ano.

Pouco: Reduzir o impacto sem complicar

A sustentabilidade começa muitas vezes nos produtos que usamos diariamente. Trocar alguns deles por alternativas mais ecológicas pode ter um impacto significativo, sem exigir grandes esforços.

Produtos como detergentes da roupa, do chão ou da loiça com fórmulas biodegradáveis ajudam a reduzir a poluição da água. O mesmo acontece com o uso de sabonetes sólidos em vez de detergentes líquidos, que normalmente implicam mais plástico e maior consumo de recursos.

No cuidado pessoal, pequenas escolhas fazem a diferença.

Os sabonetes e champôs sólidos ou as modalidades de refil, são ótimas opções que ajudam a reduzir o plástico e a diminuir o uso de recursos.

 Já a substituição das toalhitas desmaquilhantes por discos reutilizáveis evita desperdício e reduz resíduos que dificilmente são recicláveis.

São mudanças discretas, mas cumulativas, e é precisamente aí que reside o seu valor.

Pequeno: Gestos simples que criam rotina

Nem todas as mudanças precisam de ser visíveis ou imediatas. Algumas acontecem na forma como organizamos a nossa casa e o nosso tempo.

Arrumar o frigorífico, por exemplo, ajuda a reduzir o desperdício alimentar e o consumo energético. Ver o que temos evita compras duplicadas e alimentos esquecidos que acabam no lixo. Da mesma forma, desligar equipamentos da ficha quando não estão a ser usados, o famoso “on e off”, contribui para poupança energética ao longo do ano.

Outro gesto simples é andar sempre com sacos reutilizáveis. Sacos para as compras, para a fruta, para o pão ou tupperwares para refeições takeaway evitam embalagens descartáveis e tornam-se rapidamente um hábito automático.

Pequeno não significa irrelevante. Significa sustentável no tempo.

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Possível: Movimento, mobilidade e escolhas conscientes

Criar hábitos saudáveis também faz parte de um estilo de vida mais sustentável. Começar a fazer exercício não implica necessariamente gastar dinheiro num ginásio. Correr, caminhar ou aproveitar apoios das juntas de freguesia para atividades desportivas são soluções acessíveis e eficazes.

Na alimentação, uma mudança possível e cada vez mais comum é escolher um dia por semana sem carne nem peixe. Esta decisão reduz a pegada ecológica e incentiva uma alimentação mais diversificada, sem impor restrições extremas. Também se pode ter uma alimentação mais saudável e económica, começando por escolher alguns dias da semana em que o almoço é feito e levado de casa.

Já na mobilidade, pensar se todas as deslocações precisam mesmo de carro próprio pode abrir novas opções. Andar mais a pé e de bicicleta reduz emissões e custos. Tanto para a mobilidade como para o desporto: antes de investir, vale a pena perceber se o aluguer resolve a necessidade.

Arrumar a casa e destralhar é mais do que uma questão de organização: é uma oportunidade de consumo consciente. O que está em bom estado pode ser doado a instituições, vendido em segunda mão ou trocado. O que já não funciona deve ser reciclado corretamente, entregando os equipamentos eletrónicos em lojas ou pontos próprios, garantindo o encaminhamento adequado dos resíduos.

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Sustentabilidade também é social

Ser sustentável não se resume ao ambiente. Há uma dimensão social que muitas vezes passa despercebida, mas que é igualmente essencial.

Apoiar uma causa, fazer voluntariado ou dedicar tempo às pessoas de quem gostamos são gestos que reforçam laços, criam comunidade e promovem bem-estar.

Estes pequenos gestos sociais fazem parte de um modelo de vida mais equilibrado, onde o tempo e a atenção são recursos tão importantes quanto a energia ou os materiais.

Um caminho feito de escolhas possíveis

A sustentabilidade não é um destino final, mas um processo contínuo. Não exige perfeição, nem sacrifícios extremos. Exige apenas consciência, consistência e vontade de começar.

Pouco, pequeno e possível não são limitações, são estratégias. Estratégias que tornam a mudança acessível, realista e duradoura. Porque quando os hábitos fazem sentido no dia a dia, deixam de ser um esforço e passam a ser simplesmente… rotina.

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A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

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