O montante concedido em novos contratos de crédito habitação caiu 408 milhões de euros, em janeiro de 2026, em relação a dezembro do ano passado. Os dados do Banco de Portugal mostram que este foi o motivo para a redução global do montante de novas operações de crédito para a compra de casa.
O ligeiro aumento de 45 milhões nas renegociações foi insuficiente para evitar a queda a que se assistiu em janeiro. Feitas as contas, as novas operações movimentaram menos 363 milhões de euros relativamente a dezembro.
Crédito habitação também puxou para trás a concessão geral de crédito a particulares
As novas operações de empréstimos aos particulares totalizaram 3081 milhões de euros, menos 450 milhões do que em dezembro. Aqui se percebe bem o impacto que o crédito habitação tem na generalidade dos empréstimos. Deste 450 milhões de euros, apenas 87 milhões de euros correspondem a outros créditos.
Os novos contratos de empréstimos a particulares atingiram 2588 milhões de euros, menos 499 milhões de euros do que em dezembro. “Para esta redução, contribuíram principalmente os empréstimos para habitação que diminuíram 408 milhões de euros, para 1783 milhões de euros”, justifica o Banco de Portugal.
Já as renegociações “ascenderam a 493 milhões de euros, mais 49 milhões de euros do que no mês anterior”.
Taxas de juro na habitação voltam a cair e mantêm-se abaixo da média da Zona Euro
A taxa de juro média das novas operações de crédito à habitação passou de 2,85%, em dezembro, para 2,83% em janeiro.
A queda devou-se sobretudo à diminuição da taxa de juro observada nos contratos renegociados: caiu 0,04 pontos percentuais, para 2,81%. Já a taxa de juro média dos novos contratos manteve-se em 2,84%.
Este comportamento contraste com aquele que se registou na Zona Euro, onde a taxa de juro média das novas operações de empréstimos à habitação aumentou 0,06 pp, para 3,36%. Assim, a taxa de juro média em Portugal manteve-se como a quarta taxa mais baixa neste conjunto de países.
No crédito ao consumo houve um aumento de 0,53 pp, para 9,15%, em relação à taxa média de dezembro. ” aumento desta taxa de juro, habitual em janeiro, decorre da atualização dos preçários dos bancos e está em linha com o observado em janeiro de 2025″, explica o Banco de Portugal.
Taxa mista volta a ganhar a corrida
Há 28 meses seguidos que a taxa mista é a mais escolhida nos novos empréstimos à habitação. Em janeiro, 77% dos novos empréstimos à habitação foram contratados com este tipo de taxa, a mesma percentagem que já se tinha registado em dezembro.
A taxa de juro média das novas operações de crédito habitação diminui em todas as modalidades. Foi de 2,72% na taxa mista, 2,79% na taxa variável e 3,55% na taxa fixa.
A prestação média mensal do stock de empréstimos à habitação aumentou pelo quinto mês consecutivo. Totalizava 421 euros, mais 3 euros do que em dezembro de 2025.
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