Entre janeiro e novembro de 2025, os jovens até aos 35 anos já usaram 626 milhões de euros do montante de garantia pública para a compra de casa. De acordo com o Banco de Portugal, já está esgotado 52,8% do dinheiro disponibilizado pelo Estado.
A garantia pública entrou em vigor a 1 de janeiro de 2025 e está previsto que termine no final de 2026, embora haja a possibilidade de prolongamento.
Número de contratos com garantia caiu em novembro
O número de contratos celebrados com garantia do Estado caiu de outubro para novembro: 2.641 contra 2.498. Ainda assim, foi o segundo mês com mais contratos assinados ao abrigo deste regime. Isto resultou em 522 milhões de euros de crédito contratado.
“Estes contratos representaram 47,8% dos contratos e 50,2% do montante contratado por jovens até aos 35 anos para a mesma finalidade”, explica o Banco de Portugal.
É importante realçar que estes 522 milhões de euros não são o total de garantia pública usada em novembro. Trata-se do total de crédito concedido nos contratos em que ela está presente.
No acumulado entre janeiro e novembro de 2025 “foram celebrados 22,9 mil contratos de crédito à habitação própria e permanente ao abrigo do regime de garantia do Estado, num total de 4,5 mil milhões de euros. Estes contratos corresponderam a 42,0% do número de contratos e 44,4% do montante contratado, no mesmo período, por jovens até aos 35 anos”.
Peso da garantia é maior em regiões do interior
Nas regiões do Alentejo, Beira Baixa, Lezíria do Tejo, Terras de Trás-os-Montes e Beiras e Serra da Estrela, mais de metade dos contratos de crédito à habitação própria e permanente celebrados por jovens entre janeiro e novembro de 2025 beneficiaram da garantia do Estado.
Embora não seja possível consultar números concretos, a análise publicada pelo Banco de Portugal permite perceber que o peso da garantia pública é maior nas regiões do interior. Ou seja, é mais comum este regime ser usado nessas zonas do país, embora o número efetivo de contratos possa ser menor do que em zonas mais povoadas.
Na Grande Lisboa e na Madeira, por exemplo, a garantia pública representa cerca de um terço dos contratos celebrados por jovens.
Como funciona a garantia pública?
A garantia pública tem como objetivo ajudar os jovens até aos 35 a comprar a sua primeira habitação própria e permanente ao cobrir o valor não financiado pelos bancos.
Desta forma, os compradores conseguem um empréstimo para o valor total da casa (evitando a necessidade de possuir capitais próprios).
Para isso, é preciso cumprir as seguintes condições:
- Ter entre 18 e 35 anos;
- Os rendimentos não podem ultrapassar o 8.º escalão do IRS;
- Não se pode ser proprietário de prédio urbano ou de fração autónoma de prédio urbano habitacional;
- Não pode haver dívidas às Finanças e à Segurança Social;
- Não se pode já ter usufruído da garantia pessoal do Estado;
- O valor da transação não pode exceder os 450 mil euros.
O Estado fica fiador de até 15% do montante contratado, mas isso não significa que paga essa parte do imóvel. Na prática, o Estado só é chamado se o comprador falhar o pagamento das prestações (até um limite máximo de 15%).
Nestes casos, o banco aciona a garantia e o Estado paga a dívida. Depois, o cliente terá de resolver a situação diretamente com a instituição, como se não tivesse qualquer garantia pública. No fim, o banco devolve o dinheiro ao Estado.
A garantia é válida por 10 anos a contar do momento de concessão do crédito.
Leia ainda: Guia de apoio à compra de habitação jovem até aos 35 anos
Perguntas frequentes
O apoio à compra de habitação jovem é uma garantia dada pelo Estado de forma a cobrir a percentagem do valor do imóvel não financiada pelo banco. Desta forma, os jovens podem conseguir 100% de financiamento, não necessitando, assim, de capitais próprios para a entrada. Além disso, há isenção de IMT, emolumentos e imposto do selo.
Podem pedir os jovens com idades entre 18 e 35 anos e domicílio fiscal em Portugal. Os rendimentos não podem ultrapassar o 8.º escalão do IRS, e não podem ser proprietários de prédio urbano ou de fração autónoma de prédio urbano habitacional. Além disso, não podem ter dívidas às Finanças e à Segurança Social nem ter usufruído já da garantia pessoal do Estado. O valor da transação não pode exceder os 450 mil euros.
A garantia pública no crédito é uma garantia dada pelo Estado para a percentagem do valor do imóvel não financiada pelo banco, permitindo que os jovens até aos 35 anos consigam financiamento a 100% para a compra da sua primeira casa. Para aderir, basta dirigir-se ao banco, confirmar se é aderente, e tratar do processo normalmente, como num crédito habitação comum.
Continuam a ser devidos o imposto do selo sobre o valor financiado pelo banco, as comissões bancárias (estudo, avaliação e formalização) e os seguros obrigatórios na contratação do empréstimo (vida e multirriscos).
A garantia pública entrou em vigor em janeiro de 2025.
Está previsto que a concesão de crédito ao abrigo da garantia pública termine no final de 2026.
Pessoas com até 35 anos que reúnam alguns critérios podem beneficiar de programas como a garantia pública do crédito habitação jovem (até 35 anos), que pode cobrir a entrada, isenção de IMT e imposto do selo relativo à aquisição.
