Imagem de uma casa e dinheiro

A taxa de esforço é um dos indicadores mais importantes para avaliar a capacidade de pagar as prestações do crédito habitação e gerir o orçamento mensal. Os últimos dados divulgados pelo Banco de Portugal, relativos ao terceiro trimestre de 2025, mostram que 53% dos créditos habitação têm uma taxa de esforço até 20%.

“Em setembro de 2025, o stock com LSTI superior a 40% é de apenas 4,9% e mais de metade da carteira tem um LSTI inferior ou igual a 20%”, pode ler-se no relatório. LSTI significa Loan Service to Income, que é o indicador que se refere à taxa de esforço.

LSTI subiu em 2022 para voltar a descer em 2025

No final de 2021, 72% dos créditos tinha uma taxa de esforço até 20%, mas o número começou a baixar em 2022, representando 59% dos empréstimos no final do ano.

“A subida das taxas de juro iniciada em 2022 aumentou a prestação média mensal dos empréstimos para a habitação própria permanente em cerca de €140. Consequentemente, o aumento do serviço da dívida refletiu-se na alteração da distribuição de LSTI”, explica o regulador do sistema bancário português.

No final de 2023, os empréstimos com LSTI até 20% representavam 45% do total e, no final de 2024, 50%.

Embora ainda não seja possível comparar diretamente os números (só será possível fazê-lo quando forem publicados os dados do quarto trimestre do ano passado, em março), o Banco de Portugal destaca que “com a redução das taxas de juro, observou-se uma reversão deste aumento”.

Assim, em setembro de 2025:

  • 53% dos créditos tinham taxa de esforço inferior a 20%;
  • 29% dos créditos tinham taxa de esforço entre 20% e 30%;
  • 13% dos créditos tinham taxa de esforço entre 30% e 40%;
  • 3% dos créditos tinham taxa de esforço entre 40% e 50%;
  • 2% dos créditos tinham taxa de esforço superior a 50%.

Há poucos créditos com LTV acima de 80%

O LTV (loan-to-value) é o rácio entre o montante do empréstimo e o menor valor entre o seu preço de aquisição e o seu valor da avaliação. No terceiro trimestre de 2025, os créditos com LTV acima de 80%, ou seja, em que o banco emprestou pelo menos 80% do valor, eram 7% do stock de empréstimos (2,5% com LTV superior 90%).

Ainda assim, este valor é superior ao registado no final de 2024 (5%), “refletindo o contributo dos empréstimos contratados ao abrigo do regime de garantia do Estado”, explica o Banco de Portugal.

Este regime permite que os jovens até aos 35 anos tenham financiamento a 100% na compra da primeira habitação própria e permanente, ficando o Estado fiador de até 15% do valor. Entre outras condições, o valor da transação não pode exceder os 450 mil euros.

“Para além da reduzida fração de empréstimos com rácios LTV e LSTI elevados, a percentagem da carteira que combina LTV acima de 80% e LSTI acima de 40%, situação que potenciaria a materialização de riscos, é muito reduzida (0,8%)”, aponta o Banco de Portugal.

Famílias com mais rendimento concentram maior parte dos empréstimos

“Os empréstimos à habitação estão concentrados em famílias de rendimento mais elevado e, assim, com maior capacidade para acomodar eventuais aumentos do serviço da dívida”, destaca o regulador do sistema bancário.

Ao dividir os detentores de crédito em cinco escalões de rendimento, conclui-se que 66% dos empréstimos são de famílias dos dois escalões mais altos. Os dois patamares mais baixos têm apenas 14% dos empréstimos e o patamar intermédio 20%.

A idade média dos mutuários com crédito à habitação era de 43 anos, sendo que os mutuários com idade inferior ou igual a 35 anos representavam 22% do total. Além disso, a maturidade residual média, ou seja, o prazo que falta para terminar o contrato, era de 21 anos no terceito trimestre do ano passado.

Por fim, o crédito habitação representava cerca de 80% do montante total de empréstimos a famílias.

Leia ainda: Jovens já usaram mais de metade da garantia pública no crédito habitação

Perguntas frequntes

É o empréstimo que pede junto do seu banco para a compra de casa.

É o rácio entre o montante do empréstimo e o menor valor entre o seu preço de aquisição e o seu valor da avaliação. Regra geral, deve ser, no máximo de 90%.

No entanto, os jovens até aos 35 anos podem conseguir empréstimos com um LTV de 100%, graças à garantia pública.

É o valor que paga mensalmente ao banco pela sua casa. Inclui o reembolso do montante em dívida e os juros associados ao empréstimo.

A prestação é influenciada por vários fatores, tais como: montante em dívida, da taxa de juro (spread + indexante), do prazo do contrato e tipo de taxa (fixa, variável ou mista).

A maioria dos bancos exige uma entrada mínima de 10% a 20% do valor de compra, mas existem exceções, como o Crédito Habitação Jovem ou a aquisição de imóveis que pertençam ao banco que concede o empréstimo.

A garantia pública no crédito é uma garantia dada pelo Estado para a percentagem do valor do imóvel não financiada pelo banco, permitindo que os jovens até aos 35 anos consigam financiamento a 100% para a compra da sua primeira casa. Para aderir, basta dirigir-se ao banco, confirmar se é aderente, e tratar do processo normalmente, como num crédito habitação comum.

Podem pedir os jovens com idades entre 18 e 35 anos e domicílio fiscal em Portugal. Os rendimentos não podem ultrapassar o 8.º escalão do IRS, e não podem ser proprietários de prédio urbano ou de fração autónoma de prédio urbano habitacional. Além disso, não podem ter dívidas às Finanças e à Segurança Social nem ter usufruído já da garantia pessoal do Estado. O valor da transação não pode exceder os 450 mil euros.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

Crédito Habitação