Nos tempos que correm, quando falamos de crédito este surge sempre como um vilão causador de tantos problemas às famílias portuguesas. Mas será que o crédito é mesmo o mau da fita?

Em Maio de 2015, as famílias portuguesas usavam mais de 3000 milhões de euros em plafond de créditos (cartões de crédito, contas-ordenado e linhas de crédito), ou seja, os gastos das famílias estavam 3000 milhões de euros acima dos seus rendimentos.

A facilidade com que, durante alguns anos, os bancos concederam créditos fizeram com que as pessoas começassem a comprar o que não podiam. Mas não é esse o objetivo do crédito? É, se essa compra trouxer retorno e não se tornar um hábito.

A mesma facilidade levou a também a que as pessoas ao menor contratempo pensassem primeiramente em fazer um crédito, em vez de reajustarem e reorganizarem a sua vida financeira.

Apesar da recuperação económica do último ano, as mais recentes recomendações do Conselho da União Europeia, incluem ainda a aplicação de uma estratégia global que dê resposta ao crédito malparado, ou seja ao crédito em incumprimento.

Mas afinal se o crédito é assim tão mau para as finanças das famílias portuguesas porque é continuamos a recorrer a ele?

Porque, na realidade, o crédito representa diversas oportunidades:

  • De ter uma casa própria, que pagamos e se torna nossa ao contrário de uma casa alugada;
  • De ter um carro, que facilita não só a vida diária da família, mas também o acesso a determinado cargo ou emprego;
  • De aceder a cuidados de saúde, que podem ser um verdadeiro milagre numa real situação de emergência, em que seja necessário aceder a cuidados que exijam um determinado montante de dinheiro disponível;
  • De aceder a formação, que lhe vai permitir evoluir ou aceder a um cargo profissional que, por sua vez, a médio longo prazo trará benefícios;

O que é que estes quatro exemplos têm em comum?

O RETORNO. Todos os exemplos acima são um investimento, que mais cedo ou mais tarde vão garantir ganhos superiores ao risco e o investimento feito.  

O conceito de microcrédito de Muhammad Yunus

Muhammad Yunus é o pai do conceito de microcrédito e vencedor do Prémio Nobel da Paz, em 2006. Criou o banco Grameen, que concede crédito apenas a famílias muito pobres e produtores rurais, por forma a que estes possam melhorar as suas condições de vida.

O banco de Yunus tem cerca 6.6 milhões de beneficiários, na sua maioria mulheres, e conta com uma taxa de retorno de 98,85%.

O Grande princípio do microcrédito de Yunus:

Promover o crédito como um direito humano, com o intuito de gerar auto-empregos ou atividades que criem rendas para os mais pobres, bem como para a construção da habitação.

No Banco Grameen, os empréstimos podem inclusivamente ser obtidos numa sequência, contudo não se podem sobrepor. Só pode fazer um crédito se já pagou o anterior.

Então porque é que o crédito é visto como um vilão?

Ao contrário da ideia de Muhammad, as marcas, os bancos e os consumidores deixaram de ver o crédito como um investimento, mas sim como uma forma de acesso fácil a bens que não traziam retorno além do momentâneo.

Nesta onda de consumismo, as famílias viram-se enredadas numa teia de créditos que, com a chegada da crise, se tornou numa espiral de endividamento difícil de sair e que leva muitas vezes à Renegociação de Créditos ou Consolidação dos mesmos.

Não corra riscos!

Quando pensar em fazer um crédito, seja qual for o objetivo, faça todas as contas! Contabilize o impacto que as prestações vão ter no seu orçamento e faça uma previsão de quanto tempo vai demorar até obter o retorno.

Olhe para o crédito como um investimento e não como um meio de obter bens meramente para consumo, que não lhe trarão qualquer tipo de benefício a médio longo prazo.

No Doutor Finanças, após um check-up financeiro, identificamos sintomas de “doença financeira” e apresentamos soluções para ajustar o seu orçamento.