Finanças pessoais

Nesta quarentena, reveja os seus encargos financeiros e saiba como pode poupar mais

Este pode ser o momento ideal para analisar todas as suas despesas e perceber onde pode poupar. Sabe quanto gasta com a sua casa, por exemplo?

Sara Fernandes Sara Fernandes , 15 Abril 2020

A propagação do Coronavírus (Covid-19) e a sua chegada a Portugal levou as empresas e o Governo a tomar medidas. Muitos portugueses estão em casa, seja em teletrabalho ou a cumprir a quarentena.

Apesar dos apoios anunciados pelo Estado, o clima ainda é de incerteza e o cenário de perda de rendimento não está descartado para muitas famílias.

Mas, estar em casa pode também ser sinónimo de poupar. Vai deixar de ter algumas rotinas que lhe faziam gastar dinheiro, como as deslocações para o trabalho ou as refeições fora. Mas também terá a oportunidade de rever alguns dos seus encargos, tais como créditos, seguros, pacotes de televisão ou serviços de subscrição. Neste artigo, vai ficar a saber como pode aproveitar este momento para acautelar o seu futuro e fazer crescer o seu fundo de emergência.

É importante manter o seu plano de poupança. Mesmo que possa precisar desse rendimento, não elimine por completo o plano e opte por reduzir o montante a colocar de parte.

Para isso, comece por traçar um orçamento familiar. Em primeiro lugar, deve definir o valor que quer colocar de parte para a sua poupança e depois enumerar todas as suas despesas mensais. A partir daí, pode começar a ver onde consegue poupar.

Poupe na prestação do crédito habitação

A prestação do crédito habitação é, normalmente, a despesa que mais pesa no orçamento familiar. Mas pode haver uma forma de poupar neste encargo. Por exemplo, sabe qual é o spread do seu crédito? É de 1,4%? Talvez esta seja uma boa altura para saber se existem bancos que lhe oferecem melhores condições.

Reduzir a prestação mensal do crédito habitação é possível, nomeadamente através da transferência de crédito. Dependendo de cada caso, pode ser uma oportunidade interessante para obter melhores condições.

A maior vantagem é poder ter um crédito com uma prestação mensal mais baixa. Ao ter uma nova proposta, poderá ter a oportunidade de reavaliar outros produtos que pode não utilizar ou que vale a pena repensar, como cartões de crédito, seguros de saúde e outros produtos que teve de adquirir na altura em que fez o seu crédito e que lhe impedem de fazer uma poupança significativa.  

Reveja as apólices dos seus seguros

Estar em casa pode também ser uma oportunidade para rever as apólices dos seus seguros. Seja de saúde, do carro, da casa, de equipamentos ou mesmo de vida.

Ainda no que diz respeito ao crédito da sua casa, sabe quanto é que paga de seguros que estão associados a este empréstimo? Também é possível conseguir reduzir este encargo. Sabia que pode manter o seu crédito habitação na atual entidade bancária e mudar os seguros para outra entidade? E só isto poderá ajudar a reduzir os seus encargos mensais.

Comece por identificar as suas necessidades e analise as apólices que já possui. Só depois desta análise adequada dos riscos que pretende cobrir conseguirá encontrar o seguro ideal para si.  

Intermediários financeiros, como é o caso do Doutor Finanças, podem ajudá-lo a encontrar o seguro que melhor se adequa às suas necessidades.

Leia ainda: Como posso poupar nos meus Seguros de Vida e Multirriscos?

Tem vários créditos em mãos?

Se tem vários créditos, como por exemplo, um crédito para o seu computador ou algum eletrodoméstico e ainda cartões de crédito, é natural que, especialmente nesta fase, o bolo de todas as prestações pese no seu orçamento. No entanto, saiba que pode poupar se juntar todos os créditos num só através da consolidação de créditos.

O crédito consolidado é uma solução financeira que permite juntar vários créditos num só, com melhores condições e uma única prestação mensal mais baixa. Sendo que, a taxa de juro do crédito consolidado é, em regra, mais baixa do que a média das taxas de juros de todos os créditos que tinha anteriormente. 

A consolidação vai, assim, ajudá-lo a ter uma folga orçamental ao final do mês.

O valor da poupança dependerá sempre do caso em concreto. Mas é possível reduzir os encargos de forma considerável. Em alguns casos a poupança supera mesmo os 60%, ainda que, este valor não seja o habitual.

A poupança gerada pode ser usada para criar um fundo de emergência para acautelar possíveis imprevistos. Contudo, também pode colocar uma parte de lado para amortizar o seu crédito consolidado. Ao fazê-lo, conseguirá livrar-se desta dívida mais rapidamente e diminuir bastante o total de juros pagos.

O objetivo desta solução é dar oportunidade às famílias de ganharem uma folga orçamental para conseguirem fazer face às despesas e aumentarem a sua poupança.

O que fazer com a poupança gerada?

Além de poder engordar o seu fundo de emergência com a poupança obtida, existem também outras opções que podem gerar ainda mais poupança.  

Pode aplicar parte desse montante num depósito a prazo, por exemplo. Apesar de a sua rentabilidade não ser muito alta, atualmente, os depósitos a prazo são produtos seguros de capital garantido.  

Outra opção é um plano poupança-reforma, os conhecidos PPR. Mesmo que ainda esteja longe da idade da reforma, isso não é motivo para deixar de pensar nela. Aliás, o início da vida profissional é um momento muito importante para planear e preparar a reforma.

Pode também apostar num seguro de saúde ou de vida. Em situações mais críticas a nível financeiro, o seguro de saúde tende a ser considerado como uma despesa dispensável. No entanto, as possíveis consequências da desistência deste tipo de serviço podem não ser agradáveis, uma vez que um imprevisto de saúde pode deixá-lo numa situação ainda mais frágil.

Este é um período marcado por incertezas. Se precisar de ajuda pode consultar um intermediário financeiro, como o Doutor Finanças, que pode apresentar soluções para o seu caso, sem custos.

O caso do Miguel

O Miguel (nome fictício) procurou o Doutor Finanças para consolidar os seus créditos (excluindo o crédito habitação), que somavam o valor de 17.500 euros, com prestações mensais de 492,03 euros.   

Após a consolidação, o Miguel passaria a pagar por mês 251,07 euros, num único crédito. Com os seus rendimentos da rondar os 1.500 euros, e com um prazo a sete anos - novo teto máximo no crédito pessoal -, a sua taxa de esforço ficaria na casa dos 29%, tendo em consideração outras despesas identificadas.

O Miguel conseguiu assim reduzir em 240,96 euros por mês os seus encargos com créditos, o que resulta numa poupança de 2.891,52 euros anuais.

Leia ainda: Consolidação de créditos - Saiba o que fazer com a poupança gerada

Vê todos os canais que tem na televisão?

Pode aproveitar o facto de estar em casa para fazer uma ronda por todos os seus canais de televisão. Será que utiliza mesmo todos? Quantos mais tiver, é normal que a fatura ao final do mês seja maior.

Assim, pode ser hora de rever as condições do seu contrato e, quem sabe, fazer mudanças que lhe farão ter mais dinheiro ao final do mês.

Há que ter em atenção os períodos de fidelização. Se ainda estiver dentro deste período, é possível que não consiga fazer alterações no contrato. Por isso, o melhor é entrar em contacto com a sua operadora.

Ainda assim, o Governo legislou de forma a permitir que uma família que tenha visto os seus rendimentos diminuírem em 20% ou ter sido afetada pelo desemprego pode romper com o contrato de telecomunicações sem que tenha de compensar o fornecedor. Esta medida é temporária e só visa ajudar as famílias a superarem esta fase.

Há também vários meios de comunicação que adaptaram a sua estratégia. É o caso de alguns canais desportivos, que anunciaram a oferta do serviço.

Sport TV, Eleven Sports e Benfica TV estão a oferecer as mensalidades. Se é cliente, deve entrar em contacto com a sua operadora para saber qual é o procedimento. Ou então, pode simplesmente cancelar os canais e voltar a subscrever como se fosse um novo cliente.

Para aqueles que não têm estes canais, podem ativá-los de forma gratuita. No caso da Sport TV, o período de suspensão decorre enquanto as competições desportivas estiverem suspensas, e no da Eleven Sports, o período gratuito dura 30 dias. Já, a Benfica TV vai estar em sinal aberto por tempo indeterminado.

Mas mesmo assim, o ideal é entrar em contacto com a sua operadora de modo a esclarecer todas as dúvidas.

Também deve rever as condições da sua internet. Nesta altura, é natural que use mais a internet. O melhor é fazer uma pesquisa e comparar as várias ofertas, de modo a escolher aquela que melhor se adapta às necessidades da sua família.

Leia ainda: Como funciona a moratória de crédito para as famílias e empresas?

É subscritor de quantos serviços?

Serviços de streaming - seja de filmes, séries ou música -, ginásio, serviços de mobilidade partilhada, entre outros. Hoje em dia, a subscrição de serviços está à distância de pequenos cliques. E, por isso, é natural que percamos a conta àqueles que temos.

Nesta altura, é importante manter alguns destes serviços para nos "distrairmos". Afinal, são muitas horas em casa e o "bombardeamento" de notícias é constante. É claro que se deve manter informado sobre a atualidade, mas também existem momentos em que deve descontrair.

As mensalidades destes serviços, quando isoladas, até podem parecer não causar mossa no orçamento. Mas já fez as contas? No final do mês, a conta pode ser elevada.

Todos estes serviços devem estar na lista de despesas mensais do seu orçamento familiar. Depois, avalie quais são mesmo essenciais e quais pode cortar, reduzindo assim os seus gastos.

Leia ainda: Como poupar no serviço de streaming

O que não estamos a gastar

São várias as rotinas que temos no dia-a-dia que nos fazem gastar dinheiro. A deslocação para o trabalho, as refeições fora ou o café, por exemplo.

Se utilizava os transportes, não precisa de comprar o passe. No caso de se descolar de carro, vai poupar no combustível, portagens e estacionamento. Além disso, aqueles que almoçavam fora, também aqui vão poupar.

Assinale no seu orçamento familiar estes gastos que, por enquanto, estão suspensos.

O que fazer com a poupança gerada?

Além de poder engordar o seu fundo de emergência com a poupança obtida, existem também outras opções que podem gerar ainda mais poupança.  

Pode aplicar parte desse montante num depósito a prazo, por exemplo. Apesar de a sua rentabilidade não ser muito alta, atualmente, os depósitos a prazo são produtos seguros de capital garantido.  

Outra opção é um plano poupança-reforma, os conhecidos PPR. Mesmo que ainda esteja longe da idade da reforma, isso não é motivo para deixar de pensar nela. Aliás, o início da vida profissional é um momento muito importante para planear e preparar a reforma.

Pode também apostar num seguro de saúde ou de vida. Em situações mais críticas a nível financeiro, o seguro de saúde tende a ser considerado como uma despesa dispensável. No entanto, as possíveis consequências da desistência deste tipo de serviço podem não ser agradáveis, uma vez que um imprevisto de saúde pode deixá-lo numa situação ainda mais frágil.

Este é um período marcado por incertezas. Se precisar de ajuda pode consultar um intermediário financeiro, como o Doutor Finanças, que pode apresentar soluções para o seu caso, sem custos.

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