Crédito

Os meus rendimentos não foram muito afetados, vale a pena pedir a moratória?

Para aqueles que não viram as suas finanças pessoais muito afetadas pelos efeitos da pandemia, existem formas de aliviar os encargos com créditos.

Sara Fernandes Sara Fernandes , 15 Maio 2020

A pandemia que se vive atualmente tem feito tremer a economia e o cenário de perda de rendimentos é real para muitos portugueses. Contudo, o impacto nas finanças pessoais não foi igual para todas as famílias.

A pandemia provocada pelo novo coronavírus levou o Governo a tomar uma série de medidas para aliviar o seu impacto na vida financeira das famílias e empresas.  

O acesso a moratórias de crédito foi uma das medidas. Assim, foi aprovada uma medida que permite a suspensão da cobrança das prestações do crédito habitação até 30 de setembro de 2020

Além desta medida, a Associação Portuguesa de Bancos (APB) estabeleceu ainda um protocolo que permite alargar a moratória a outros créditos e uma extensão do prazo até aos 12 meses. 

Mas, será que as famílias que não viram o seu rendimento muito afetado neste período devem adiar a amortização dos seus créditos? 

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Que tipos de moratória existem? 

Esta moratória determina que a cobrança dos créditos por parte da banca fica suspensa até 30 de setembro de 2020. E a medida prevê três modalidades para o fazer. O cliente pode pedir a suspensão total do pagamento da prestação, a suspensão apenas do pagamento do capital em dívida ou a suspensão do pagamento de parte do capital.  

De salientar que esta medida não se trata de um perdão, sendo apenas um adiamento. 

suspensão total do pagamento da prestação diz respeito ao capital e aos juros. Ou seja, durante o período da moratória, não terá quaisquer encargos com o crédito. No entanto, esta modalidade tem custos adicionais.  

Ao adiar o reembolso de capital e o pagamento de juros, o capital em dívida aumenta, já que os juros que deveria pagar nesta fase são “transportados” para o capital em dívida.  

Apesar de esta modalidade ser a que maior alívio causa no orçamento, é também aquela que acaba por ficar mais cara para o cliente no futuro.  Uma vez que, quando o período da moratória terminar, a prestação sofrerá um aumento, devido à diluição dos juros que não foram pagos.

Outra opção é pagar apenas a parcela correspondente aos juros, suspendendo apenas a amortização do capital. Nesta modalidade, vai adiar o reembolso do empréstimo, mantendo o capital em dívida inalterado.  

Neste cenário, não são acrescentados juros não pagos ao capital em dívida, uma vez que mesmo durante o período da moratória, estes estão a ser pagos.

A terceira modalidade diz respeito à suspensão do pagamento de uma parte da prestação. Esta opção permite o pagamento dos juros e de uma parte do capital. Ou seja, o cliente pode optar por adiar apenas uma parte da prestação que agora devia pagar. 

Esta opção é a que acaba por pesar menos no orçamento do cliente no futuro.  

Mas, não tendo as suas finanças pessoais sido muito afetadas pelo cenário criado pela pandemia, valerá a pena adiar o pagamento das suas prestações de crédito? Existem alternativas para quem quer aliviar os encargos com os créditos, sem ter de recorrer a uma moratória. É o caso da transferência de crédito. 

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Pedir moratória ou transferir o crédito para outra instituição? 

O objetivo da moratória é aliviar os encargos das famílias durante este período específico. Terminado o prazo, as prestações voltam iguais ou até mais elevadas e o período do contrato aumenta. Assim, se os seus rendimentos não foram muito afetados, pedir uma moratória pode não ser a melhor opção.

No entanto, há forma de rever os seus encargos e até reduzi-los, se optar por transferir o seu crédito para outra instituição.  

A prestação do crédito habitação é, por norma, a despesa que mais pesa no orçamento familiar. Dependendo de cada caso, pode ser uma oportunidade interessante para obter melhores condições.

Ao ter uma nova proposta, poderá ter a oportunidade de rever o seu spread e também de reavaliar outros produtos que pode não utilizar ou que vale a pena repensar, como cartões de crédito, seguros de saúde e outros produtos que teve de adquirir na altura em que fez o seu crédito e que lhe impedem de fazer uma poupança significativa.   

Por exemplo: imagine que tem um empréstimo no valor de 140 mil euros, a 38 anos, com um spread de 1,45%. A sua prestação mensal era de cerca de 384,36 euros. Após a transferência de crédito, com um novo spread de 1,1%, esta prestação desce até aos 346,47 euros. No final do contrato, a poupança supera os 17 mil euros.

Se não viu o seu rendimento ser muito afetado pelos efeitos da pandemia, poderá ser mais vantajoso optar pela transferência de crédito. O principal objetivo desta opção é diminuir a prestação do valor a amortizar, garantindo assim maior folga orçamental a longo prazo.

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