Finanças pessoais

Como cortar custos? Reveja as suas despesas

Quer cortar custos, mas não sabe por onde começar? Neste artigo, apontamos algumas despesas que pode rever para poupar.

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Como cortar custos? Reveja as suas despesas

Quer cortar custos, mas não sabe por onde começar? Neste artigo, apontamos algumas despesas que pode rever para poupar.

No cenário atual, com o crescimento generalizado dos preços devido à inflação, crise energética e subida das taxas de juro, é importante rever o orçamento mensal familiar e perceber se é possível cortar custos. Isto porque o presente contexto económico, agravado pela invasão russa à Ucrânia, tem tido e vai começar, cada vez mais, a ter um grande impacto nas famílias.

Por isso, neste artigo, reunimos soluções que o vão ajudar a diminuir as suas despesas mensais, seja no crédito habitação, seguros, telecomunicações, energia, gás, ou custos com lazer.

Faça um planeamento do orçamento familiar 

O primeiro passo que deve dar para cortar custos é arrumar as suas finanças. Para isto, deve realizar um orçamento familiar mensal. 

Faça um planeamento financeiro à risca, onde descreva ao detalhe todas as despesas (até mesmo as de lazer, como os cafés fora). Neste orçamento, tenha em conta o que tem corrido mal até ao momento, para que seja possível identificar o que pode mudar e onde precisa de cortar. Escreva os hábitos que adquiriu que o estão a levar a gastar mais dinheiro. 

A partir daí, comece por apontar todas as despesas fixas que tem mensalmente. Depois, em relação aos gastos variáveis, estabeleça um valor para cada área: por exemplo, 100 euros a gastar com vestuário, 150 euros a gastar com lazer, 200 euros a gastar com gasolina, e por aí adiante. Lembre-se de contabilizar também gastos que possam ser pontuais, como o pagamento de algum imposto. 

De seguida, contemple no orçamento os rendimentos que recebe. Para que perceba se são suficientes face aos gastos, e se tem margem de manobra. Calcular a sua taxa de esforço pode ajudar. 

Assim, vai conseguir analisar onde está a gastar o seu dinheiro, e quais as despesas que pode cortar para conseguir alcançar a poupança

Este é um documento que deve ser revisto e ajustado mensalmente. Para não fugir ao orçamento, pode recorrer a aplicações de telemóvel para que, onde quer que esteja, consiga ir apontando os seus gastos diários e controlando o que pode ou não gastar, tendo em conta os valores que estipulou. 

Leia ainda: O orçamento familiar também muda de estação do ano?

Crédito habitação: como poupar na prestação 

Pode pedir uma revisão das condições 

Relativamente ao crédito habitação, tendo em conta a atual subida das taxas de juro, é um dos encargos mensais que mais pesa no orçamento familiar.  

Por isso, deve procurar soluções para poupar nesta despesa. Sabe qual é o seu spread? Tem uma taxa variável? Esta é uma boa altura para rever as condições do crédito. 

Procure falar com o seu banco para que encontrem forma de reduzir a prestação mensal. Renegocie condições, por exemplo: adicionar produtos ao crédito, como um cartão de crédito com um plafond que deve utilizar mensalmente e, em contrapartida, reduzir o spread

Alterar uma taxa variável para uma taxa fixa também pode compensar nesta altura do campeonato. Isto porque uma taxa fixa pressupõe pagar o mesmo valor ao longo do resto do contrato, enquanto a taxa variável está indexada à Euribor. Ou seja, de acordo com o prazo que escolheu, a taxa variável sofre alterações sempre que revista.  

Como os juros têm vindo sempre a subir, sempre que há uma revisão, a sua taxa de juro aumenta. Mas se alterar para uma taxa fixa, pode ter vantagens a longo prazo porque pode vir a ser um valor inferior à das taxas de juro atuais. 

Também tem a opção da taxa mista: inicialmente paga uma taxa fixa, mas, após um certo período acordado, o seu crédito passa a estar indexado à Euribor. 

Estas duas últimas opções oferecem mais estabilidade dentro do panorama que atravessamos, pelo que deve ponderar esta alteração se quiser cortar custos no seu crédito. 

Já pensou em transferir o crédito? 

Se não ficar satisfeito com as novas condições propostas pelo seu banco, pode sempre pedir a transferência do crédito para outra instituição. 

A maior vantagem é poder conseguir uma prestação mensal mais baixa. Isto porque é possível reavaliar do zero os produtos adquiridos no crédito inicial, bem como as taxas de juro. São condições que, na altura que contratou o crédito, podiam fazer sentido, mas que, agora, o podem estar a impedir de poupar significativamente. 

Mas, nesta opção, também existem custos associados ao processo. Dependendo da instituição bancária, pode ter despesas ao transferir, como a comissão por reembolso antecipado (entre 0,5% e 2% do valor em dívida, dependendo se são créditos a taxa variável ou taxa fixa). 

No entanto, o dinheiro que vai poupar a longo prazo, mensalmente, pode compensar os custos da transferência. Por isso, não deve tomar decisões sem perceber o que está em causa. 

Para isso, procure várias ofertas e compare as propostas. Pode recorrer a um intermediário de crédito para o efeito, como o Doutor Finanças, que o ajude a perceber qual a melhor solução para o seu caso. 

Reduza as prestações dos seguros 

Tem seguro de saúde? Seguro de vida e multirriscos do crédito habitação? Então pondere rever a apólice dos seguros ou mudar de seguradora, para reduzir as prestações. 

Para isto, deve conhecer bem a sua carteira de seguros e o que cada um cobre. É muito comum existirem coberturas duplicadas entre seguros diferentes e, se as identificar e excluir, conseguirá poupar muito dinheiro. 

Quando faz um crédito habitação, os bancos pedem que contrate os seguros de vida e multirriscos com as suas próprias seguradoras. Mas saiba que não é obrigatório. Portanto, se tem os seguros na seguradora do banco, pode agora transferi-los para outra e reduzir significativamente as prestações mensais, bem como conseguir condições melhores. 

Por isso, analise as condições dos vários seguros que detém e, se não ficar satisfeito, mude os seguros de seguradora. Peça simulações a outras companhias e compare, para que possa tomar a melhor decisão financeira e reduzir o que paga pelos seus seguros

Junte os seus créditos num só 

Crédito consolidado 

Caso tenha contratado vários créditos, como um crédito para adquirir um computador, um eletrodoméstico, cartões de crédito, um crédito para o seu carro, crédito habitação... O bolo de todas estas prestações acaba por ter um grande impacto no orçamento familiar. Mas sabia que é possível juntar todos os créditos num só? 

Através do crédito consolidado, pode conseguir pagar uma única prestação, mais baixa, pelos vários créditos. Isto porque, em regra, a taxa de juro do crédito consolidado é mais baixa do que a média das taxas de juro de todos os créditos que possui. Por isso, a consolidação dos créditos vai ajudá-lo a ter uma folga no orçamento mensal. 

O valor da poupança varia consoante o caso, a quantidade de créditos que vai consolidar e o tipo de créditos. Mas, em alguns casos, a poupança pode até superar os 60%

Três peças de domino a cair para cima de moedas e casa de madeira a simbolizar casa destruída protegida por seguro multirriscos

Cortar custos com lazer 

Faça uma revisão aos canais que tem na TV

Cortando nos encargos com lazer também é possível arrecadar alguma poupança. Dependendo daquilo de que está disposto a abdicar, pode melhorar a sua vida financeira

Por exemplo, relativamente aos canais que contratou no seu serviço de televisão, ainda os vê a todos nesta altura? A fatura mensal pode estar a ser mais elevada sem necessidade. 

Passe pelos vários canais e analise, para que possa pedir uma revisão do seu contrato. No entanto, atenção aos períodos de fidelização. Isto porque, se estiver dentro deste período, pode não conseguir fazer mudanças. É uma questão de contactar a operadora

Os serviços de streaming podem ser partilhados 

Os serviços de streaming são, nos dias de hoje, cada vez mais comuns, por serem fáceis de adquirir. Basta subscrever através de um cartão de débito ou crédito e a tarifa é descontada mensalmente da conta, dando acesso a um serviço recorrente. 

Por serem, normalmente, valores baixos por mês, somos levados a pensar que é um valor que não pesará muito no orçamento mensal. Mas, fazendo as contas ao ano, pode ser uma despesa pesada. Por exemplo, um serviço que custe 10,99 euros por mês, ao ano são 131,88 euros.  

E, se tiver várias subscrições de serviços, ainda maior o encargo. Ou seja, se subscreveu serviços de streaming, avalie se os utiliza a todos e se não está a ter um custo mensal desnecessário. 

Mas isto não significa que é preciso cancelar todos os serviços de streaming e ficar sem encargos na área do lazer no orçamento. É possível encontrar formas de poupar nestes serviços. 

Por exemplo, a maior parte dos serviços de subscrição dá acesso a mais do que um utilizador. Então, pondere partilhar os pacotes com outras pessoas, para reduzir este encargo. Têm todos acesso e pagam menos. 

Corte nas despesas superficiais 

Há pequenas despesas do dia a dia que nos podem fazer gastar muito dinheiro, se considerarmos o longo prazo. Mas alguns hábitos podem ser modificados para que comece a poupar. Por exemplo, deslocações para o trabalho, refeições fora, cafés, compra de vestuário, são tudo eventos que podemos alterar.  

Se costuma levar o carro para o trabalho, pondere os transportes públicos. Na área metropolitana de Lisboa, o passe para todos os transportes tem um custo de 40 euros. O que significa que o custo é, provavelmente, bastante menor do que o combustível que gasta por mês com as deslocações de carro. 

Relativamente às refeições fora, pondere levar comida feita de casa. Organize as refeições para que tenha sempre de sobra, para levar almoço no dia seguinte. Assim, evita gastar dinheiro com refeições fora com tanta frequência.  

Se compra vestuário com frequência, sem ser por necessidade, pondere reduzir esses gastos agora. Lembre-se que deve cortar despesas que não são fixas e essenciais. 

Reveja os pacotes de energia e telecomunicações  

Sabe há quanto tempo tem o seu contrato de telecomunicações? Os pacotes e mensalidades destes serviços mudam de condições com regularidade, e as empresas fazem constantemente promoções.  

Além disso, há pacotes que englobam vários serviços num só contrato, o que pode significar uma poupança impactante. Exemplificando, nas telecomunicações pode contratar de uma vez televisão, telefone fixo, telemóveis e internet. Dentro dos telemóveis, pode ter as tarifas de toda a família agregadas, podendo ficar com valores mais em conta por ser a mesma fatura. 

Mas, caso já tenha um destes pacotes, deve reavaliar se utiliza todos os serviços. Porque pode ter contratado por utilizar na altura e, hoje em dia, já não estar a dar uso.  

Por isso, novamente, reveja este contrato bem como o contrato de energia. As condições podem já não bater certo com as suas necessidades. 

Por exemplo, se tem 1G de internet mensal no telemóvel, avalie se está a utilizar essa quantidade ou se 500Mbps chegariam.  

O mesmo acontece com o contrato de eletricidade: precisa do pacote atual que tem, onde a potência possibilita ter quatro aparelhos ligados, ou será que pode baixar para a tarifa abaixo, onde consegue ter dois aparelhos ligados? Fazendo uma manobra nas tarefas de casa, são adaptações que, à partida, não são difíceis de realizar e podem significar uma poupança considerável.

Então, avalie os contratos atuais que tem e, se após rever estes encargos financeiros, não estiver contente, vá à procura de outras opções no mercado.  

Poupar no gás: mercado regulado ou mercado liberalizado? 

Gás natural: Saiba como voltar ao mercado regulado e quanto pode poupar
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A EDP e a Galp revelaram que os preços do gás natural sofrem novos aumentos a partir deste mês de outubro. Por isso, o Governo alterou a lei, passando a permitir o regresso dos consumidores ao mercado regulado.  

Para que possa perceber como poupar no gás, passamos a explicar as diferenças entre os dois mercados. O mercado regulado de gás natural foi o primeiro a existir em Portugal e o gás é fornecido pelos comercializadores de último recurso (CUR), sendo que os preços são definidos pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE): tarifa regulada. 

Os preços são definidos para o “ano gás” que começa a 1 de outubro e acaba a 30 de setembro do ano seguinte. Mas de acordo com a evolução do custo de aquisição, no entanto, os preços podem ser revistos por trimestre. No mercado regulado português, existem 12 comercializadores de gás, um número inferior ao mercado liberalizado. 

O mercado liberalizado já existe desde 2007 e os preços são definidos pelas empresas, ao invés do regulador. Neste caso, as comercializadoras fixam as tarifas e as condições comerciais livremente com os clientes. É um mercado regido pelas regras da concorrência, a lei e o Regulamento das Relações Comerciais. 

Mas este é um mercado mais competitivo devido às variadas opções de fornecimento. De acordo com a ERSE, para consumidores domésticos, há no mercado livre 17 comercializadores com ofertas

Com a tarifa regulada, é possível obter uma redução na fatura de gás natural. Isto porque, com os aumentos significativos anunciados pelos comercializadores, o mercado regulado pratica preços inferiores às ofertas do mercado liberalizado. 

Para ter uma real noção do impacto, pode simular os preços de energia na ERSE, para comparar todas as ofertas comerciais disponíveis no mercado para os consumidores de eletricidade (Baixa Tensão Normal) e de gás natural (Baixa Pressão) em Portugal continental.  

Como gerir a poupança alcançada? 

Devido ao clima de incerteza que atravessamos, com a subida da inflação e o aumento das taxas de juro, é importante alocar a poupança alcançada com as medidas acima. Isto pode ser feito através de um fundo de emergência ou alguma forma de investimento que assegure estabilidade financeira.

Por exemplo, pode colocar o dinheiro poupado num depósito a prazo ou investir em certificados de aforro, que são produtos seguros, com capital garantido. 

Ou então aderir a um plano poupança-reforma (PPR). Este é um produto que pode aderir mesmo que ainda esteja longe da idade de reforma. Até porque o começo da vida profissional pode ser um ótimo momento para começar a planear e preparar a reforma. 

Também pode ponderar contratar um seguro de saúde ou seguro de vida. Mesmo sendo uma despesa extra mensalmente, pode garantir que, caso tenha um imprevisto de saúde e fique numa situação mais frágil, o seguro cubra os tratamentos. Caso já tenha um crédito habitação, tem o seguro de vida garantido.

Caso precise de aconselhamento na renegociação de contratos, pode recorrer a um intermediário financeiro, como o Doutor Finanças, que lhe apresenta soluções e ajuda a comparar propostas. Assim, garante que encontra a melhor solução para o seu caso, sem custos. 

Leia ainda: Todas as ferramentas de poupança

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