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Carro próprio ou Uber? Qual o mais rentável?

Luisa Barreira Luisa Barreira , 4 Junho 2019

A mobilidade da população, principalmente dentro das grandes cidades, tem sido uma das grandes preocupações dos autarcas, e da população em geral, se bem que por diferentes razões. 

Para os autarcas a preocupação é arranjar alternativas ao transporte pessoal, pela tentativa constante de diminuir o tráfego e o congestionamento de carros no centro das grandes cidades. E pela preocupação ambiental, menos carros, menos estacionamento permite menos poluição nas cidades.  

Nos dias de hoje, quem vive nas grandes cidades portuguesas tem ao seu dispor transportes públicos, como os autocarros, o metropolitano, o comboios urbanos e regionais, o elétrico e o táxi. 

As últimas décadas também trouxeram novos transportes, como a UBER, que permite chamar um veículo apenas com o smartphone. O carsharing (partilha de carro com outro passageiro), as bicicletas e até trotinetes elétricas são também alternativas de transporte que começamos a ver mais vezes.  

As últimas gerações viam a compra do seu primeiro carro como um feito, mas com todas as alternativas possíveis, ter carro próprio é assim tão vantajoso? Ter um carro ainda vale a pena financeiramente? 

Vamos fazer as contas e perceber de que forma as decisões que tomamos têm um impacto financeiro na nossa vida. 

Quais fatores devem ser analisados para escolher entre carro próprio ou Uber? 

Uber

Primeiramente, antes de tomar a decisão, é preciso levar em conta os custos do carro próprio e da Uber. Podemos classificar estes custos em dois grandes grupos: custos fixos e variáveis. 

Custo fixo: refere-se a todas aquelas despesas que terá que pagar, independente de qualquer outro fator. 

Custo variável: são as despesas que variam de acordo com o período tempo, situação ou por surgimento de imprevistos. 

No caso do carro próprio existem custos fixos, tais como: o seguro, o imposto único de circulação (IUC), a inspeção, para além da prestação mensal pela aquisição do veículo, se for o caso. 

Os custos variáveis neste caso prendem-se com os gastos em combustível, estacionamento, manutenção (pneus, troca de óleo, troca de peças, etc), entre outros. 

Em relação à Uber, não há custos fixos para o utilizador. Existem apenas os custos variáveis que são os valores das deslocações. Contudo, também existem tarifas mínimas de utilização: a tarifa base é 1€ e a tarifa mínima é 2,5€, para além de pagar cerca de 10 cêntimos por minuto e 65 cêntimos por quilómetro.  

Posto isto, para comparar as duas opções deve analisar a quantidade de quilómetros que faz nos seus percursos diários e as despesas que tem com eles. No caso da Uber, os quilómetros correspondem a uma viagem; no caso do carro, tem de contabilizar a gasolina, eventuais portagens e impostos extra de ter o carro.  

Exemplos

Vamos então aos exemplos, entre uma viagem de Uber e um carro urbano com consumo médio de 5,9 litros de combustível a cada 100 quilómetros. 

Valor do carro : cerca de 14.669 euros (se recorrer a crédito automóvel, poderá pagar uma mensalidade de 170€, com entrada inicial); 

Valor médio do seguro (seguro automóvel de responsabilidade civil):  200 euros anual (seguro mensal 16,67€) 

IUC: 103 euros anual. 

Valor da inspeção: 35 euros aproximadamente. 

Custo fixo anual do crédito: até 2040€ 

Outros custos fixos: 365€ 

Custo fixo anual do carro: 2405 euros = 200,42€ por mês aproximadamente 

Exemplo 1

Utilizando carro pessoal:

Percurso de 10 quilómetros feitos em cerca de 20 minutos  

Ida e volta: 20,6 quilómetros num dia  

Combustível (5.9L/100km): por dia 3,54€ 

Combustível gasto num mês: 70,80€ 

Custo mensal do carro: 200.42€ 

Valor total mensal: 271,22€ 

Utilizando Uber: 

Gasto médio diário por deslocação de 20km: 11,61 euros por viagem (tarifa média); 

Gasto mensal com Uber: 23,22euros, ida e volta por dia. Se considerarmos vinte dias úteis dá um total de 464,4 euros mensais

Exemplo 2

Utilizando carro pessoal:

Percurso de 3 quilómetros feitos em cerca de 20 minutos  

Ida e volta: 6 quilómetros num dia  

Combustível (5.9L/100km): por dia 1.24€ 

Combustível gasto num mês: 24.80€ 

Custo mensal do carro: 200.42€ 

Valor total mensal: 224,80€ 

Utilizando Uber: 

Gasto médio diário por deslocação: 3,21 euros por viagem (tarifa média); 

Tempo médio de  deslocação: cerca de 3 minutos, mas pode ter que esperar pelo veículo da Uber aproximadamente 10 minutos, dependendo da hora do dia. 

Gasto mensal com Uber: 6,42 euros, ida e volta por dia. Se considerarmos vinte dias úteis dá um total de 128,4 euros mensais

Quais as vantagens e desvantagens de cada um? 

Nos exemplos citados, podemos concluir que a Uber compensa financeiramente no caso do segundo exemplo, portanto no trajeto mais curto. Já a utilização do carro próprio vale mais a pena para percursos onde se percorram mais quilómetros por dia. 

Contudo, deve fazer as contas que melhor se aplicam ao seu caso. Sugerimos também que não considere exclusivamente o Uber, pois as tarifas podem variar consoante dias de maior procura e o trânsito com carro continua a ser um problema que lhe retira a flexibilidade que deseja. 

Ter um carro próprio proporciona maior independência se considerarmos que, ao final do dia, podemos não ir diretamente para casa, no caso de ir buscar os filhos à escola, ter que fazer compras antes de regressar a casa ou ter que ir ao ginásio, por exemplo. Com carro próprio traz as vantagens de liberdade e flexibilidade de algo que é seu e está sempre disponível. A contrapartida financeira será certamente os impostos a pagar pelo veículo, alguns custos de manutenção que deve fazer ou em caso de acidente ou sinistro que esvaziem a sua conta bancária e o privam da liberdade da rotina do dia a dia.  

Utilizar os serviços da Uber ou de outras plataformas pode também ser uma opção para quem não gosta de conduzir. Evitará, assim, o stresse e transtornos principalmente nas horas de ponta, visto que tem um motorista profissional e qualificado que o conduz.

Afinal, qual a melhor opção? 

A resposta é: depende! 

Antes de adquirir um veículo, faça as contas, pois o carro não custará apenas o valor de compra. 

É necessário calcular o valor da compra, os custos fios que irá ter, os custos de manutenção e desgaste, os custos de combustível e outros, como de estacionamento e portagens. 

Entenda quais as suas necessidades diárias e avalie qual o melhor meio de locomoção, no seu caso. 

Em geral, a Uber compensa para percursos mais curtos, mas o carro é a melhor opção para longas distâncias

Para poder perceber se compensa realmente deixar de ter carro, deve complementar a Uber com os serviços de transporte, substituindo parte da despesa pelo valor do passe mensal.  

É fundamental colocar todas essas questões na balança, analisar a sua realidade e só assim poderá avaliar qual é mais vantajoso para si continuar a utilizar carro, deixar de ter, ou experimentar o melhor dos dois mundos para poupar mais dinheiro. 

Leia ainda: Vender o carro sozinho: como conseguir um negócio seguro?

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