Imagem de notas de euro

Os depósitos a prazo continuam a ser uma das opções mais procuradas por quem quer poupar com segurança e obter algum rendimento. Mas há uma dúvida comum sobre este tema: é possível mobilizar um depósito a prazo antes da data de vencimento?

De acordo com o 2.º Barómetro Doutor Finanças, dedicado aos hábitos de investimento e realizado pela Universidade Católica, os depósitos a prazo são mesmo o produto de poupança mais utilizado pelos portugueses (49%), bem acima dos seguintes na lista: Planos Poupança Reforma (35%) e certificados de aforro ou do Tesouro (35%).

Num depósito a prazo, o cliente aplica uma determinada quantia durante um período definido, recebendo, em troca, juros. Estes juros são calculados com base no montante, na taxa e na duração do contrato. A contabilização de juros pode ser feita no final do prazo ou de forma periódica. Ou seja, findo o período definido, o investidor recebe o capital que investiu mais os juros acordados.

É possível mobilizar um depósito a prazo antes do fim?

A resposta é: depende das condições do depósito. Nem todos os produtos permitem levantar o dinheiro antes do prazo acordado. Estes são os dois cenários principais:

Depósito a prazo não mobilizável antecipadamente

Como o nome indica, neste caso não é possível mobilizar o capital antes do fim do prazo. Terá de esperar até ao vencimento do depósito para levantar o dinheiro investido e os respetivos juros. Por norma, estes depósitos costumam oferecer taxas de juro mais atrativas.

Depósitos mobilizáveis

Os depósitos mobilizáveis permitem levantar o dinheiro antes do prazo, mas com penalizações, que podem variar de banco para banco e estão sempre descritas na Ficha de Informação Normalizada (FIN).

Normalmente, existem dois tipos de penalização:

  • Penalização total: Se levantar o dinheiro antes do prazo definido, perde todos os juros. Recebe apenas o capital inicial.
  • Penalização parcial: O banco devolve o capital e parte dos juros acumulados à data da mobilização (de acordo com uma percentagem indicada na FIN.

Exemplo prático

Imagine que fez este depósito a prazo:

  • Valor investido: 10.000 euros
  • Taxa de juro: 2% ao ano
  • Prazo: 12 meses

Se cumprisse o prazo, os juros esperados seriam de 200 euros (10.000 X 0,02).

Imaginemos agora que pretende mobilizá-lo ao fim de 6 meses:

Cenário A – Depósito com penalização total

  • Recebe apenas os 10.000 euros investidos.

Cenário B – Depósito com penalização parcial (50% dos juros proporcionais)

  • Recebe 10.050 euros (10.000 do capital inicial + 50 dos juros):
    • 200 ÷ 2= 100 euros (juros proporcionais)
    • 100 x 0,5 = 50 euros (após penalização)

Pode ver alguns cenários nesta tabela:

Tipo de depósito

Mobilização antecipada

Penalização

O que acontece se (tentar) mobilizar aos 6 meses

Não mobilizável

Não permite

Não é possível levantar o dinheiro antes do prazo

Mobilizável (penalização total)

Sim

Perda total dos juros

Recebe apenas 10.000 € (perde todos os juros)

Mobilizável (penalização parcial)

Sim

Perde 50% dos juros proporcionais

Juros proporcionais: 100 € → após penalização: 50 € → Total: 10.050 €

Mobilizável (penalização progressiva)

Sim

Penalização varia com o tempo

Aos 6 meses: perda, por ex., de 75% dos juros → Juros proporcionais: 100 € → após penalização: 25 € → Total: 10.025 €

Nota: Para simplificar estes exemplos, os impostos a pagar sobre os juros não foram contabilizados. Pode utilizar o simulador do Banco de Portugal para calcular os juros líquidos.

Leia ainda: TANB, TANL, TAE e TAEL: O que significam estas taxas?

Como saber se um depósito é mobilizável?

Antes de aderir, confirme sempre se o depósito é mobilizável e quais as condições. Esta informação costuma estar disponível nos sites dos bancos, mas nem sempre está completa ou com o devido destaque.

Por isso, é fundamental que consulte a FIN antes de subscrever o produto – procure uma linha intitulada “Mobilização antecipada”. Este documento é obrigatório por lei e apresenta todos os dados relevantes de uma forma padronizada, independentemente do banco.

O que considerar antes de aderir a um depósito a prazo?

Antes de escolher um depósito a prazo, não olhe apenas para a taxa de juro. Há outros fatores que podem fazer toda a diferença, sobretudo se pensa na possibilidade de mobilizar antecipadamente.

1. Necessidade de liquidez

Pergunte-se: Vou precisar deste dinheiro antes do prazo? Se sim, opte por um depósito mobilizável ou considere alternativas mais flexíveis, como contas poupança ou depósitos à ordem.

2. Impacto das penalizações

Mobilizar um depósito a prazo pode significar perder parte ou a totalidade dos juros. Faça contas: vale a pena levantar o dinheiro ou é melhor esperar pelo fim do prazo?

3. Comparar produtos

Analise os melhores depósitos a prazo disponíveis no mercado e verifique qual oferece a melhor taxa de juro para o seu perfil. Compare também as condições de mobilização antecipada. Um depósito com taxa mais alta pode ter penalizações mais severas.

Leia ainda: Investimentos: 15 conceitos essenciais que deve conhecer

Já tenho um depósito a prazo e quero mobilizá-lo. Devo fazê-lo?

Se tem um depósito a prazo não mobilizável antecipadamente, não há muito a saber: não tem forma de levantar o dinheiro antes do prazo.

Caso o depósito seja mobilizável, mas com penalizações, tenha em consideração que estas podem reduzir ou eliminar completamente o rendimento esperado.

Imagine que fez um depósito a prazo a 6 meses e que, passados 5 meses e meio, pretende resgatar o dinheiro para fazer uma compra. Se puder adiar o negócio por 15 dias, evitará perder os juros acumulados ao longo de meses.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

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