Casa destruída por catástrofe natural

Apenas 1,5% do montante de crédito habitação elegível para a moratória usou este mecanismo de apoio criado após a tempestade Kristin. A moratória do crédito permitiu que pessoas e empresas afetadas pelos efeitos da tempestade pudessem suspender o pagamento de capital e juros durante 90 dias.

A medida terminou no dia 28 de abril e, de acordo com o Banco de Portugal, “beneficiaram destas moratórias 1.243 empresas e 5.613 particulares, em empréstimos que totalizaram 1.063,1 milhões de euros”.

A medida abrangeu 90 concelhos, sobretudo das regiões Centro e Vale do Tejo.

Crédito habitação foi o que mais beneficiou da medida

Entre os clientes particulares, a moratória correspondeu a 411,3 milhões de euros de crédito. Destes, 95,1% (391,15 milhões de euros) eram crédito habitação. Estes números ajudam a ilustrar a relevância do crédito habitação no orçamento das famílias, mas explica-se também pela forma como a medida foi desenhada.

O Banco de Portugal recorda que, no caso dos particulares, as moratórias aplicavam-se a quem tivesse crédito à habitação própria e permanente nos concelhos afetados “ou a quem estivesse abrangido por regime de lay-off em empresa com sede ou atividade económica nesses territórios, independentemente do tipo de crédito”.

Ou seja, enquanto a moratória do crédito a habitação era para todos, a moratória dos restantes créditos aplicava-se apenas aos trabalhadores em lay-off.

No entanto, quando olhamos para o total de crédito habitação que estava elegível para a moratória, apenas 1,5% aderiu à medida.

Os municípios onde a medida foi mais visível foram a Marinha Grande, onde 8,5% do montante de crédito habitação teve moratória, e Leiria, com 5,6%.

O Banco de Portugal mostra ainda dados para Coimbra (1,1%), Pombal (3,1%) e Ourém (3,2%).

Indústria transformadora dominou moratória das empresas

A moratória de crédito às empresas destinava-se a instituições com sede ou atividade económica nos municípios abrangidos pela situação de calamidade. O Banco de Portugal recorda que isto “permitiu, por exemplo, que empresas sediadas em Lisboa acedessem à medida”.

No total, o crédito em moratória das empresas foi de 651,8 milhões de euros. Por setor de atividade económica, destacaram-se as indústrias transformadoras, com 262,9 milhões de euros de crédito abrangido.

Seguiram-se as empresas de alojamento e restauração (69 milhões de euros), comércio e reparação de veículos (67 milhões de euros), agricultura e pesca (48 milhões de euros), atividades imobiliárias (40 milhões de euros), e atividades de consultoria e administrativas (31 milhões de euros).

Na análise por dimensão das empresas, dominam as micro, pequenas e médias empresas, que acumularam 92,8% do crédito em moratória. As grandes empresas representavam apenas 7,2%.

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