Mesmo que se dê pouca importância aos estudos, às estatísticas, aos rankings, há sempre a curiosidade de ver em que posição Portugal fica a cada novo Relatório Mundial da Felicidade. Afinal, não é isso que todos queremos, subir na escala da felicidade? Pois bem, no relatório de 2026, tendo em conta a média dos resultados entre 2023 e 2025, Portugal surge na 69.ª posição, acima da Croácia e atrás da Colômbia. A avaliação média da vida, feita pelos portugueses, queda-se pelos 6,029, numa escala de 0 a 10. E mesmo que isto nos ponha a meio da tabela, note-se que estamos firmes na parte superior da escala.

Os finlandeses descobriram a fórmula da felicidade
Para termos um termo de comparação, será de referir que apenas dez países ultrapassam a fasquia dos sete pontos. A liderar a tabela continua a Finlândia, com os seus estrondosos 7,764 pontos. Tendo em conta os intervalos de confiança propostos pelo estudo, segue-se um segundo grupo de países – cotado entre os 7,4 e 7,5 -, composto por Islândia, Dinamarca e a surpreendente Costa Rica. Um terceiro grupo, que integra Suécia, Noruega e Países Baixos, atingiu pontuações na ordem dos 7,2. Para fechar os dez mais, Israel, Luxemburgo e Suíça. O ocupante do décimo primeiro posto, a Nova Zelândia, é o primeiro a descer dos sete pontos, embora fique próximo dessa fasquia: 6,995.
Este top leva-nos a perguntar por onde andarão as chamadas superpotências. Comecemos por ir à procura dos membros do G7, o fórum informal que reúne sete dos países mais industrializados do mundo: Alemanha (17.º), Estados Unidos (23.º), Canadá (25.º), Reino Unido (29.º), França (35.º), Itália (38.º) e Japão (61.º). Já agora, acrescentemos a China, em 65.º lugar. E os nossos vizinhos espanhóis, estarão acima ou abaixo de Portugal? Enfim, talvez não seja surpresa encontrá-los acima, no posto 41.

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Quase um terço dos países na parte inferior da escala
Relembremos a nossa posição (69.º) para ir à procura de outros países de língua portuguesa. O Brasil é o primeiro a aparecer, num apetecível 23.º lugar (6.634), enquanto Moçambique ocupa a 93.ª posição, com uma média de 5,336. Infelizmente, não existem dados para poder classificar Cabo Verde, Angola, Guiné-Bissau ou São Tomé e Príncipe. Na verdade, nem todos os países do mundo acabam por participar ou entrar nesta lista. Dos 147 países ordenados, o Afeganistão continua bem no fundo, com uns aterradores 1,446. É sinal de uma vida difícil, profundamente infeliz, já que o país logo acima, a Serra Leoa, tem quase mais dois pontos de média: 3,251.
Ainda assim, também serão vidas bastante complicadas as dos treze países abaixo dos 4 pontos, entre os quais encontramos o Egito, a Etiópia ou o Líbano. Abaixo dos 5 pontos nesta avaliação média da vida, o World Happiness Report de 2026 coloca 45 países: quase um terço dos representados no estudo. Lá está a Índia, por exemplo, mas também a Ucrânia e o estado da Palestina. Cabe à África do Sul, com 5,009, iniciar o grupo dos países com pontuações acima do meio da tabela.
E, só por curiosidade, percorramos a lista em busca de alguns países onde, supostamente, as pessoas estão mais contentes com a vida que levam: Chipre, Paraguai, Tailândia, Jamaica, Argentina, Roménia, Uruguai, Lituânia, México… Teríamos apostado nestas nações como sendo de gente mais contente com a vida do que os portugueses?
A terrível existência no Afeganistão
Entre os destaques da introdução ao relatório, além da continuada hegemonia dos países escandinavos como os mais felizes do mundo, salienta-se que o lugar alcançado pela Costa Rica é a posição mais alta de sempre para um país da América Latina. Igualmente interessante é a referência de que, em 2013, aquando do início do Relatório Mundial da Felicidade, os dez primeiros eram todos países industrializados ocidentais; agora, são apenas oito. Neste espaço de 13 anos, as nações escandinavas foram subindo no ranking, de forma consistente, lideradas pela Finlândia (de 7.º para 1.º) e pela Islândia (de 9.º para 2.º). No sentido inverso, foram atirados para fora dos dez mais países como o Canadá, a Áustria ou a Austrália.
As comparações entre o antes e o agora são mais difíceis para os países com maiores índices de infelicidade, pois, se em 2013 o ranking teve 156 entradas, em 2026 ficou-se pelas 147. O Togo, que era no início do estudo o país no fundo da tabela, subiu 20 lugares desde então; o Afeganistão, pelo contrário, desceu 2,7 pontos no mesmo período. E, se já o poderíamos antever, a introdução do relatório reforça que «a vida é especialmente difícil para as mulheres afegãs, pois a sua média de satisfação da vida está apenas nos 1,26 pontos».
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Quase campeões na perceção de corrupção…
A média que compõe este ranking é tomada com base em seis fatores-chave: PIB per capita, esperança de vida saudável, apoio social (ter alguém com quem se possa contar), liberdade para fazer escolhas de vida, generosidade, perceção da corrupção. Depois, também são avaliadas as emoções negativas e positivas dos residentes de cada país, com base nos mesmos dados, mas numa escala de 0 a 1. Neste contexto, a liberdade pessoal e a generosidade, por exemplo, estão grandemente associadas às emoções positivas; e as emoções negativas veem-se significativamente reduzidas mediante fatores como o apoio social, a sensação de liberdade ou a ausência de corrupção.
Por falar em corrupção… olhemos de novo para o nosso país. Às perguntas «A corrupção está generalizada por todo o governo ou não?» e «A corrupção está generalizada nas empresas ou não?», a média das respostas coloca Portugal num baixíssimo 124 posto. Ou seja, existe uma forte perceção de que a corrupção está generalizada no nosso país. Atrás de nós, e uma vez que não existem dados neste capítulo para todos os 147 países, só encontramos sete nações: Bulgária, Ucrânia, Macedónia do Norte, Tailândia, Indonésia, Bolívia e Peru.

Perante esta humilhante posição, sobressai uma questão: o nosso país é mesmo propício à corrupção? Ou estaremos apenas perante uma perceção desfasada da realidade, por tantas vezes se repetir na comunicação social que somos um país de corruptos?
Ao que parece, da fama já não nos livramos.
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