No episódio “Comprar, vender ou arrendar: Estamos num momento de oportunidade ou de risco?”, gravado em julho, Ricardo Guimarães, economista e diretor da Confidencial Imobiliário, ajuda-nos a perceber o que está a acontecer no mercado imobiliário português.
Ao longo da conversa, analisamos a evolução dos preços da habitação, o impacto das medidas do Governo, os desafios da acessibilidade à compra de casa e as perspetivas para quem está a pensar comprar.
O mercado imobiliário português está mais robusto, mas também mais difícil para as famílias que procuram casa para habitação própria.
“O problema está na relação entre o preço e o rendimento das famílias”, explica, acrescentando que considera pouco provável que os preços das casas baixem de forma significativa. “A reconciliação das famílias com o mercado de habitação vai mesmo ter que acontecer através do aumento dos rendimentos”, defende, embora reconheça que este será um processo longo.
A dificuldade no acesso à habitação também se estende ao mercado de arrendamento. Muitas famílias que não conseguem comprar acabam por procurar uma casa para arrendar, mas encontram rendas elevadas e uma oferta ainda limitada. “O arrendamento deveria ser um mercado muito maior e que tivesse oferta para todos os perfis sociais”, afirma Ricardo Guimarães.
Comprar casa: Esperar ou avançar?
As medidas de apoio aos jovens, como a garantia pública no crédito habitação e as isenções de impostos, também estiveram em discussão. Ricardo Guimarães considera que estas medidas podem aumentar a procura, mas que o problema estrutural está sobretudo do lado da oferta.
“O problema do mercado não está nos jovens, está em limitações da oferta acessível”, afirma. Para o economista, é necessário aumentar a capacidade de construir habitação a preços mais baixos.
Ricardo Guimarães considera ainda que adiar a decisão de comprar casa pode não ser uma boa estratégia, antecipando uma desaceleração do crescimento dos preços, mas não uma queda significativa. “Baixar é quase impossível”, afirma.
A razão está, sobretudo, no desequilíbrio entre a procura e a oferta de habitação. “O mercado não vai cair em valor porque nós temos uma forte carência de habitação”, defende. E acrescenta que a dificuldade em construir casas a preços acessíveis continuará a ser um dos principais desafios do mercado imobiliário português.
