Imagem onde um casal segura a chave da sua nova habitação após muito esforço para a comprar

A subida consistente do preço das casas, em Portugal, acompanhada por um crescimento mais lento dos salários, tem limitado o acesso de muitas famílias à compra de habitação própria.

De acordo com o mais recente Observatório Imobiliário do Doutor Finanças, referente a maio, em quase metade dos distritos, a compra de um T2, com recurso a crédito, por um casal com salários médios implica uma taxa de esforço superior a 35%, ou seja, acima do patamar recomendado.

Da análise do Índice de Acessibilidade Habitacional (IAH) – que compara o rendimento líquido médio de um casal em cada distrito (dados do INE) com a prestação do crédito habitação (TAN média de 2,9% e prazo médio do crédito de 30 anos), tendo em conta o preço médio por metro quadrado na mesma zona – conclui-se que Região Autónoma da Madeira e Faro são as duas regiões onde a compra de um T2 é menos acessível por um casal, já que o pagamento da prestação absorve, respetivamente, 69% e 65% do rendimento familiar. Ainda acima do patamar de 35% encontram-se Lisboa (59%), Região Autónoma dos Açores (44%), Setúbal (43%), Porto (42%), Aveiro (39%) e Leiria (37%).

Contrastando com estes números, surgem distritos do interior, onde a compra de casa é muito mais acessível, como Portalegre, Guarda e Bragança, onde um casal dedica, em média, até 15% do seu rendimento ao pagamento da prestação de um T2.

Em média, e tendo em conta as profundas assimetrias regionais, a compra de um apartamento com três assoalhadas implica uma taxa de esforço de 51%, o que significa que um casal precisa de destinar um pouco mais de metade dos seus salários ao pagamento da prestação da casa ao banco.

Realizado pelo Doutor Finanças, o Observatório traça um retrato detalhado do mercado da habitação, cruzando dados de anúncios imobiliários online com estatísticas oficiais. A análise abrange preços de venda e arrendamento, oferta disponível, tipologias e um índice de acessibilidade que mede o esforço financeiro necessário para comprar casa em cada distrito.

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Preço das casas sobe para 3.663 €/m²

O Observatório de maio revela que, no início deste mês, o preço médio de venda das casas se fixou em 3.663 €/m², o que representa uma ligeira subida face a abril (3.633 €/m²). Esta evolução nos preços foi acompanhada por um aumento considerável na oferta de imóveis: a 1 de maio havia 88.764 casas disponíveis no mercado, bem acima das 73.683, do início de abril.

O distrito de Lisboa mantém-se como o mais caro para comprar casa em Portugal, com o custo médio por metro quadrado a atingir os 5.800 euros, seguido por Faro (4.828 €/m²), Região Autónoma da Madeira (4.320 €/m²) e Setúbal (4.000 €/m²) no topo da tabela.

Guarda (735 €/m²), Bragança (931 €/m²) e Castelo Branco (977 €/m²), pelo contrário, são os três distritos com os preços mais baixos, acompanhados de perto por Portalegre (1.031 €/m²) e Vila Real (1.039 €/m²).

Na análise por tipologias, a região da capital surge destacada em todas, com especial ênfase nos imóveis de menor dimensão, evidenciando a forte procura por habitações do tipo T0 e T1 nos grandes centros urbanos. Assim, o preço médio dos T0 atinge os 6.013 euros por metro quadrado, enquanto o dos T1 ascende aos 6.668 euros, ambos muito acima da média nacional, que se situa nos 3.147 €/m²e 4.400 €/m², respetivamente.

No polo oposto, a Guarda é a região com os preços mais baixos em todas as tipologias de imóveis. Neste distrito, os T0 são a tipologia com o custo por metro quadrado mais baixo (288 €), seguida pelos T2 (559 €) e T3 (790 €). Para a compra de casas com maior número de assoalhadas (T4 e superiores), juntam-se à Guarda, Bragança e Castelo Branco como as regiões com preços mais baratos.

Considerando os 18 distritos do continente e as regiões autónomas, o preço por metro quadrado é mais baixo nas moradias do que nos apartamentos em todas as regiões, à exceção de Évora e Setúbal, onde os apartamentos têm um custo relativo inferior.

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Viseu e Vila Real são os distritos mais baratos para arrendar

Tal como acontece no mercado de venda de habitações, também no arrendamento os distritos do interior são os que apresentam os preços mais baixos. Viseu e Vila Real destacam-se como os mais baratos, com um preço médio por metro quadrado de 5,19 e 5,20 euros, respetivamente, seguidos pela Guarda (6,11 €/m²), Bragança (6,29 €/m²) e Portalegre (6,38 €/m²).

Estes valores situam-se muito abaixo da média nacional que se fixou, a 1 de maio, nos 16,23 €/m². Este número, porém, é fortemente influenciado pelos preços praticados no distrito de Lisboa, que concentra quase metade de todos os imóveis disponíveis para arrendamento em Portugal.

Na capital – que é, aliás, a única região com preços acima da média do país – arrendar casa custa, em média, 20,46 €/m². No topo da tabela seguem-se Faro (17,12 €/m²), a Região Autónoma da Madeira (15,66 €/m²) e Setúbal (13,72 €/m²).

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