Imagem representativa do preço da energia

Por serem fixas, as despesas com energia e telecomunicações são das mais importantes para as famílias. Devem ser sempre consideradas em qualquer orçamento, uma vez que podem significar centenas de euros por ano.

Mas não é por serem despesas fixas que devem ser consideradas inalteráveis. Antes pelo contrário. Com alguns ajustes pode poupar na fatura da energia e das telecomunicações sem comprometer os seus hábitos e necessidades.

Saiba o que pode fazer para começar a pagar menos todos os meses.

Vale a pena rever as contas da energia e telecomunicações?

Claro que sim. Como dissémos acima, estes são gastos fixos, por isso, quanto menos pagar, melhor. Não queremos ser moralistas: por vezes, já não há mesmo muita mais margem onde mexer. Os comportamentos de poupança já estão bem afinados e os contratos estão adaptados aos hábitos de consumo.

Contudo, o mercado é dinâmico e é frequente aparecerem novas companhas, tarifas e condições. Assim, não perde nada em ter o radar ligado e perceber quando aparecem condições mais vantajosas.

Pelo que está a pagar?

Na conta da eletricidade, o que paga é influenciado não só pelo consumo efetivo de energia, mas também pela potência contratada e pela tarifa escolhida (simples, bi-horária ou tri-horária).

Em relação à potência, quanto mais alta for, mais paga por dia. No caso da tarifa, deve adaptá-la aos seus hábitos e rotina. Embora as tarifas bi-horária e tri-horária tenham períodos em que a energia é mais barata do que na tarifa simples, podem não ser a escolha adequada para muitos consumidores.

No caso das telecomunicações, a velocidade da internet fixa, o número de canais de televisão e o tarifário móvel são fatores que vão mexer com o preço a pagar.

Como poupar na energia?

Há aquelas dicas de poupança de energia que já quase todos conhecemos e que são partilhadas várias vezes. Desde não deixar luzes ligadas quando não está numa divisão ou usar as máquinas da roupa e da loiça apenas quando estão cheias.

Outros exemplos são escolher eletrdomésticos com melhor nível de desempenho energético e trocar as lâmpadas incadescentes por LED. Mas como conseguir reduzir ainda mais os custos quando tudo isto já foi feito?

É isso mesmo que queremos mostrar: como poupar na energia pela via contratual, seja pelo ajuste da potência, pela alteração da tarifa ou pela troca de fornecedor.

Nestes exemplos, usámos preços reais de alguns dos comercializadores com mais clientes em Portugal e, no melhor cenário, conseguimos poupar 133 euros por ano.

Ajustar a potência contratada

A potência contratada tem um preço fixo diário, ou seja, paga sempre esse valor independentemente do consumo de eletricidade que faça. Quanto maior for a potência contratada, maior é o número de objetos que consegue ligar ao mesmo tempo (e também maior o preço a pagar por dia).

Assim, não deve considerar o total de equipamentos que tem em sua casa, mas apenas aqueles que liga ao mesmo tempo. Ou seja, não vale a pena contratar uma potência de 6,9 kVA se, no máximo, além do frigorífico (que está sempre ligado), liga o forno e um aquecedor.

A casa até pode ter máquinas de lavar e secar roupa, bem como máquina da loiça e televisão. Mas se nunca os ligar ao mesmo tempo dos restantes, não precisa de uma potência tão alta. A este propósito, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) tem um simulador que pode ajudar.

Vamos então ver exemplos de poupança. Considerámos um casal com consumos de 190 kWh por mês e potência contratada de 5,75 kVA. Quanto pagam por ano e quanto podem poupar na energia?

Cenário atual

  • Custo da potência: 193 euros/ano
  • Custo da energia: 294 euros/ano
  • Taxas e impostos: 101 euros/ano
  • Total: 588 euros/ano

No total, este casal pagava 588 euros por ano. No entanto, depois de reverem os seus hábitos, perceberam que não precisavam de ter uma potência contratada de 5,75 kVA e decidiram mudar para 3,45 kVA.

Após mudança para 3,45 kVA

  • Custo da potência: 112 euros/ano
  • Custo da energia: 294 euros/ano
  • Taxas e impostos: 72 euros/ano
  • Total: 478 euros/ano
  • Diferença: 110 euros/ano (18,7%)

Quando alteraram a potência, estas pessoas conseguiram poupar 110 euros por ano, uma redução de 18,7% em relação ao que pagavam. Apesar de pagarem o mesmo pelo consumo de energia, passaram a pagar menos pela potência e pelos impostos.

A redução dos impostos aconteceu não só porque o IVA incidiu sobre um valor menor, mas também porque a componente da tarifa de acesso às redes incluída no preço da potência tem IVA de apenas 6% (5% na Madeira e 4% nos Açores) para potências até 3,45 kVA.

Pode alterar a potência contratada sempre que quiser, mas deve informar-se junto do seu comercializador sobre se a mudança afeta a data do fim do contrato ou outras condições contratuais.

Leia ainda: IVA da eletricidade: Quando é 6% e quando é 23%?

Ajustar o ciclo horário

Alterar o ciclo horário para se adaptar às rotinas e hábitos de consumo é outra forma de conseguir poupar na conta da energia. Nem sempre as tarifas bi-horárias ou tri-horárias compensam mais do que a tarifa simples.

Para alguém que tenha consumos regulares e relativamente uniformes ao longo do dia, a tarifa simples pode mesmo ser a melhor. A tarifa bi-horária, por exemplo, tem dois preços diferentes: um nas horas de vazio (mais barato) e outro nas horas fora de vazio (mais caro).

Nas horas de vazio, a energia é mais barata do que na tarifa simples, mas nas horas fora de vazio é mais cara do que nessa tarifa. É por isso que nem sempre é a melhor opção.

Para saber o que compensa mais, olhe para a fatura e veja quanto consome em cada período horário. Decidir com base nos números é a melhor forma de escolher a tarifa de eletricidade certa.

Mantemos o exemplo de um consumo de 190 kWh hora por mês e potência de 5,75 kVA.

Mudar de simples para bi-horário

Com a tarifa simples, este casal pagava 588 euros por ano. Depois de olharem para a fatura viram que o consumo fora de vazio era de 105 kWh e o um consumo em vazio era de 85 kWh. Simularam e perceberam que podiam mudar.

Aqui, a poupança é substancialmente inferior à que se conseguiu pelo ajuste da potência: passaram a pagar 575 euros por ano, menos 13 euros do que antes (2,2%).

Mudar de bi-horário para simples

Também pode aperceber-se de que está a pagar mais do que devia por estar na tarifa bi-horária. Neste exemplo, se os consumos estiverem repartidos entre 152 kWh em fora de vazio e 38 kWh em vazio, a fatura anual é de 608 euros.

Ao mudar para a tarifa simples fica a pagar os tais 588 euros, ou seja, menos 20 euros (3,3%).

Mudar de fornecedor

Trocar de comercializador de energia é muito simples e rápido. Só precisa de contactar o novo fornecedor (em alguns casos a adesão pode ser feita totalmente online) e, além de indicar os dados pessoais e morada, dizer qual é o Código do Ponto de Entrega (CPE).

Pode encontrar este código, que serve para identificar a instalação elétrica, em qualquer uma das suas faturas.

Por ser tão fácil, não perde nada em confirmar periodicamente quais os preços e ofertas dos vários fornecedores de energia. Pode até definir uma periodicidade para fazê-lo (de dois em dois meses, por exemplo). Se nada compensar, mantém o que tem. Se houver melhor, faz a troca em poucos minutos.

Voltemos aos consumos de 190 kWh e potência contratada de 5,75 kVA. O cenário anterior era o seguinte:

  • Custo da potência: 193 euros/ano
  • Custo da energia: 294 euros/ano
  • Taxas e impostos: 101 euros/ano
  • Total: 588 euros/ano

Depois da mudança passou a ser:

  • Custo da potência: 152 euros/ano
  • Custo da energia: 305 euros/ano
  • Taxas e impostos: 92 euros/ano
  • Total: 549 euros/ano
  • Diferença: 39 euros/ano (6,6%)

Apesar de pagar mais pela energia, o novo fornecedor tem um um preço mais baixo na potência contratadada. No total, a fatura anual baixa 39 euros.

Porque não conjugar várias medidas?

Estas medidas não têm de ser tomadas isoladamente. Pode combinar várias e conseguir uma poupança ainda maior. É isso que vamos ver agora, num exemplo em que além de trocar de fornecedor, ajustámos a potência de 5,75 kVA para 3,45 kVA.

Com esta combinação, a despesa anual passou de 588 euros para 455 euros, permitindo poupar 133 euros (22,6%) em energia.

Leia ainda: Fatura da eletricidade: Como ler e identificar os custos

Como poupar nas telecomunicações?

Ao contrário da energia, em que pode mudar de fornecedor todos os meses, a mudança de operadora de telecomunicações não é tão fácil.

É verdade que passou a ser obrigatório oferecer opções sem fidelização, mas na maior parte das operadoras estes contratos têm um custo de instalação do serviço que pode superar os 300 euros, tornando esta opção inviável para uma boa parte dos consumidores.

De qualquer forma, quando a fidelização estiver a terminar, pode começar por contactar outras operadoras para ter propostas na mão. Assim, tem números concretos para poder negociar com a operadora atual.

Além disso, avalie as suas necessidades. Precisa de um pacote de canais tão vasto? Precisa mesmo desses dados móveis ilimitados quando usa wifi a maior parte do dia?

Vamos a exemplos de poupança. Este casal tem um pacote que junta televisão, voz fixa, internet fixa e dois telemóveis com dados móveis ilimitados, pelo qual paga 75 euros por mês, ou seja, 900 euros por ano.

Rever pacote de dados móveis

Depois de analisar as rotinas e necessidades, este casal chegou à conclusão de que não precisava de dados ilimitados nos telemóveis. Passam o dia a trabalhar em locais com wifi e o tempo que passam em sítios sem internet não justificava ter dados ilimitados.

Assim, mudaram o tarifário para 500GB e passaram a pagar 840 euros por ano, numa poupança de 60 euros, ou seja, 6,7%.

Manter dados mas mudar de operadora

Este casal queria continua a ter dados móveis ilimitados, mas percebeu que consumia maioritariamente conteúdos em streaming, o que não justificava estar a pagar por um pacote com mais de 200 canais. Analisaram o mercado e viram que havia ofertas a partir de 30 euros por mês, sem mexer na velocidade da internet fixa e nos dados móveis.

A diferença é que passavam a ter cerca de 80 canais, o suficiente para os seus hábitos de consumo de televisão. Aqui, a poupança foi significativa. De 900 euros anuais passaram para 360 euros. São menos 540 euros, ou seja, 60% de poupança.

Leia ainda: Como escolher o melhor pacote de telecomunicações?

Poupar quase 700 euros na energia e telecomunicações

Até agora, estivemos a analisar separadamente a poupança na energia e nas telecomunicações. Mas quanto pode poupar um agregado familiar que tome todas estas medidas em conjunto?

Usámos os melhores cenários de poupança que conseguimos nas simulações anteriores. Antes das alterações, as despesas eram:

  • Energia: 588 euros/ano
  • Telecomunicações: 900 euros/ano
  • Total: 1.488 euros/ano

Depois de mudar de fornecedor de energia e ajustar a potência contratada, e de trocar de operadora de telecomunicações, os gastos passaram a ser:

  • Energia: 455 euros/ano
  • Telecomunicações: 360 euros/ano
  • Total: 815 euros/ano
  • Diferença: 673 euros/ano (45%)

Com estes ajustes foi possível poupar quase 700 euros por ano e baixar as despesas totais em 45%. Claro que isto é apenas um exemplo e que tudo depende do ponto de partida. Há quem não vá conseguir uma poupança tão expressiva como a que apresentámos, mas também há quem consiga baixar ainda mais os seus gastos.

Se quiser levar os objetivos de poupança para outras áreas da sua vida, conheça 7 medidas que rendem 5.000 euros por ano. É um plano de poupança constituído por sete medidas nas áreas de telecomunicações, transportes, alimentação, subscrições e serviços de streaming, crédito habitação, tecnologia e compras, e viagens.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

EnergiaEnergia e Telecomunicações