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A entrega da declaração de IRS, que decorre entre 1 de abril e 30 de junho, pode resultar este ano em menores reembolsos ou, até, na possibilidade de os contribuintes terem mais imposto a pagar ao Estado.

O motivo? As alterações ocorridas nas tabelas de retenção na fonte em 2025, que terão impacto, sobretudo, na declaração de rendimentos dos trabalhadores por conta de outrem e pensionistas do 1º ao 8º escalões, e que beneficiaram de reduções entre 0,4 e 0,6 pontos percentuais.

Como funciona o reembolso de IRS

Todos os meses, os trabalhadores e pensionistas adiantam ao Estado o imposto que têm a pagar, fazendo retenção na fonte. No ano seguinte, por altura da entrega da declaração do IRS, faz-se o acerto de contas. Se descontou mais do que devia, recebe a diferença. Se descontou menos, pode ter de pagar.

Ou seja, o reembolso de IRS resulta da diferença entre o imposto que foi retido ao longo do ano e o imposto efetivamente devido ao Estado.

Além da retenção na fonte, outros fatores, como o número de dependentes ou as despesas que faz ao longo do ano, vão contribuir para que pague mais ou menos imposto e, consequentemente, para o acerto resultar num maior ou menor reembolso.

Porque pode o reembolso ser mais baixo em 2026?

Em 2025 houve mudanças nas tabelas de retenção na fonte. Em agosto e setembro, os contribuintes retiveram menos IRS, o que se traduziu num aumento do salário líquido. Este alívio fiscal teve retroativos ao mês de janeiro. Ou seja, nestes meses, o imposto retido a mais desde o início do ano foi devolvido aos trabalhadores.

Em outubro, passaram a vigorar novas tabelas de retenção, com descidas das taxas do 1º ao 8º escalões de rendimentos:

  • Do 1º ao 3º escalões, a taxa diminui 0,5 pontos percentuais;
  • Do 4º ao 6º, 0,6 pontos percentuais;
  • Do 7º ao 8º, 0,4 pontos percentuais.

Isto significa que muitos contribuintes receberam nos últimos meses de 2025 parte do valor que receberiam em forma de reembolso, em 2026. Ou seja, havendo uma descida da retenção mensal, menos imposto há a devolver no momento da liquidação do IRS.

Menor reembolso não significa pagar mais imposto

Receber um reembolso mais baixo não quer dizer, por si só, que a carga fiscal tenha aumentado. No caso concreto de 2025, esta possibilidade reflete as alterações ocorridas nas tabelas de retenção na fonte.

Na prática, reteve menos imposto na fonte ao longo do ano, logo, ao entregar a declaração de IRS, terá menos a receber.

A diminuição da retenção na fonte também se traduziu em mais salário líquido, mas isso também não significa que os seus rendimentos tenham aumentado: o rendimento anual é semelhante, muda apenas o momento em que recebe o dinheiro.

Leia ainda: Retenção na fonte e imposto: Como distinguir as diferenças? 

O que fazer para aumentar reembolso de IRS?

O IRS é calculado com base em variáveis como o rendimento, a composição do agregado familiar, as deduções à coleta, entre outros. Mas o resultado final pode ser otimizado se tiver em conta todas as opções à sua disposição. Eis algumas delas:

Escolher entre fazer o IRS em conjunto ou separado

Os contribuintes casados ou unidos de facto podem optar pela tributação conjunta ou separada. Escolher entre uma ou outra pode ter um impacto significativo no valor de um eventual reembolso, sobretudo quando há grandes diferenças de rendimentos entre os elementos do casal.

Simular ambas as opções antes de entregar a declaração é essencial para perceber qual é mais vantajosa.

Leia ainda: IRS conjunto ou separado: O regime de casamento tem influência?

Perceber se compensa optar pelo englobamento

O englobamento permite somar determinados rendimentos (como rendas ou juros) aos salários ou pensões, sujeitando-os às taxas progressivas de IRS.

Esta opção pode compensar, por exemplo, se tiver rendimentos inferiores a 22.306 € (4.º escalão do IRS) e:

  • Englobar rendimentos prediais de uma casa arrendada. Em princípio, pagará uma taxa de imposto mais reduzida.
  • Fizer o englobamento de juros de depósitos a prazo ou de certificados de aforro, que, assim, serão tributados a uma taxa inferior aos 28% a que estão sujeitos.

Aproveitar ao máximo as deduções à coleta

As despesas realizadas ao longo do ano também têm impacto direto no imposto final. Como tal, a sua inclusão na declaração de rendimentos permite aumentar o reembolso de IRS. Entre as principais deduções estão:

  • Saúde: 15% das despesas, até 1.000€
  • Educação: 30%, até 800€
  • Habitação (rendas): 15%, até 700€

Além disso, também pode recuperar parte do IVA pago em setores como restauração, alojamento ou oficinas. Pedir sempre fatura com número de contribuinte e validar as despesas no e-Fatura é essencial para beneficiar destas deduções.

Leia ainda: Verificar faturas para o IRS: O que saber sobre cada categoria

Não aceitar IRS automático

Embora seja uma forma simplificada de entregar a declaração de rendimentos, o IRS automático nem sempre garante a apresentação do cenário mais favorável aos contribuintes – a declaração pré-preenchida pelas Finanças pode não incluir todas as despesas, além de não prever certas opções, como o englobamento.

Assim, para aumentar o reembolso, é recomendável que simule a entrega manual (modelo 3) e que compare os resultados antes de submeter a versão otimizada.

Leia ainda: Cuidado com o IRS Automático

Verificar se compensa entregar o IRS mesmo quando não é obrigatório

Alguns contribuintes, nomeadamente os que tenham obtido rendimentos inferiores a 8.500€ ao longo do ano passado, estão dispensados de entregar declaração de IRS. Ainda assim, pode ser vantajoso fazê-lo.

Por exemplo, se tiver rendimentos de capitais sujeitos a taxa liberatória de 28%, pode optar pelo englobamento e, assim, reaver a diferença entre a taxa retida e a taxa de imposto que vai incidir sobre a totalidade dos seus rendimentos.

O que fazer já em 2026 para aumentar o reembolso em 2027?

Embora um eventual reembolso de IRS em 2027 dependa, em parte, da retenção do imposto que fizer este ano, há decisões que pode tomar ao longo de 2026 que podem ter impacto no valor a receber. Por exemplo:

  • Valide todas as despesas no e-Fatura: confirme se as despesas estão corretamente classificadas e corrija eventuais erros;
  • Mantenha os dados do agregado atualizados, pois eventuais alterações têm impacto no valor do imposto e, consequentemente, no do reembolso;
  • Verifique se compensa investir num PPR – tendo em conta o seu rendimento, idade e deduções à coleta, pode usufruir do benefício fiscal de 20% sobre os montantes investidos neste tipo de produto.

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Perguntas frequentes

Em muitos casos, sim. A redução da retenção na fonte, em 2025, faz com que tenha sido descontado menos imposto ao longo do ano, o que pode resultar num reembolso mais baixo.

É um adiantamento do IRS feito mensalmente pelos trabalhadores e pensionistas, com base em tabelas definidas pelo Estado.

Pode maximizar deduções (pedindo fatura e validando despesas), simular diferentes opções de entrega e avaliar decisões, no momento da entrega da declaração de IRS, como o englobamento ou a tributação conjunta.

Não. As deduções do IRS variam consoante o tipo de despesas, os limites legais e a situação do agregado familiar. Existem tetos máximos para cada categoria e, em alguns casos, esses limites podem ser ajustados em função do rendimento. Além disso, despesas idênticas podem ter impactos diferentes no imposto final, dependendo do enquadramento fiscal do contribuinte. Por isso, duas pessoas com despesas semelhantes podem ter deduções diferentes.L

Se a declaração de IRS for entrega dentro do prazo, ou seja, até 30 de junho, a emissão do reembolso tem de ser efetuada até 31 de agosto.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

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