Instituições financeiras

Débitos directos: sim ou não?

Pedro Pais Pedro Pais , 1 Junho 2009 | 25 Comentários
Os débitos directos são um recurso com diversas, mas poderão ter um impacto negativo nas nossas finanças? Esclareça as suas dúvidas com a ajuda deste artigo.
Pedro Pais é o fundador do financaspessoais.pt e do forumfinancas.pt. O Pedro é um dos maiores promotores de literacia financeira em Portugal contribuindo com centenas de artigos, ferramentas e simuladores que ajudam as pessoas a poupar, a investir ou a decifrar os mistérios da fiscalidade.
Os débitos directos são uma forma prática e automática de pagar contas recorrentes (água, gás, electricidade,...), mas serão uma boa ideia para quem quer gerir eficazmente as suas finanças pessoais?

Na minha opinião são, pois apresentam as seguintes vantagens:

  • Comodidade;
  • Segurança;
  • Potencial de poupança.

Comodidade

Ao automatizar os pagamentos recorrentes vai poupar tempo e paciência, que pode utilizar noutras actividades de maior valor acrescentado ou de lazer. Se contabilizar o tempo que demora a pagar cada uma das contas (nunca menos de 5-7 minutos por cada) e comparar isso com os 5 minutos que vai passar a necessitar para conferir o extracto bancário (confere o extracto, não confere?), vai rapidamente aperceber-se que pode ganhar muito tempo para si.

Segurança

Se pensa que os débitos directos são uma carta branca para as empresas lhe cobrarem o que bem entendem, desengane-se:
  1. Quando cria uma autorização de débito directo pode (e deve) colocar um limite por cada débito. Desta forma qualquer débito acima desse valor é automaticamente rejeitado pelo banco;
  2. Se por acaso lhe cobrarem um valor que considera indevido, pode exigir ao seu banco que lhe credite a conta até 30 dias após o crédito, sem ter de dar qualquer explicação. Para confirmar este e outros mecanismos de protecção ao devedor, consulte o caderno de débitos directos do Banco de Portugal.

Potencial de poupança

Automatizar os pagamentos é uma das vertentes de uma gestão financeira equilibrada (automatizar a poupança e os investimentos são outras, mas isso fica para um próximo artigo). Ao fazê-lo vai dispor de mais tempo para analisar os seus custos, sendo que certamente encontrará oportunidades de os baixar (pode por exemplo simular qual será a melhor tarifa de electricidade para si).Adicionalmente, evitará o pagamento de multas e reactivações de serviços porque se esqueceu de pagar alguma conta a tempo.

Sugestões importantes

Para que tudo corra bem com os débitos directos, deixo-lhe as seguintes sugestões:
  • Coloque sempre um limite de valor para as autorizações de débito directo que criar;
  • Não se esqueça de guardar 5 minutos por mês para confirmar que os débitos efectuados correspondem às facturas que lhe dizem respeito;
  • Garanta que a sua conta dispõe dos fundos necessários;
  • Se detectar alguma inconformidade numa factura, mande cancelar imediatamente a autorização de débito directo e se a sua conta já tiver sido debitada peça ao banco para reverter a operação;
  • Não use os débitos directos como forma de se esquecer das suas obrigações. Periodicamente verifique as suas contas e veja se é possível optar por alternativas mais baratas;
  • Utilize o fórum para partilhar as suas experiências e dúvidas.
Já agora! Mantenha as suas finanças controladas nas compras na internet e leia o artigo "5 regras para proteger os seus cartões em compras online"
Partilhe este artigo
Etiquetas
  • #bancos,
  • #instituições financeiras,
  • #literacia financeira,
  • #utilidades

Deixar uma resposta

25 comentários em “Débitos directos: sim ou não?

  1. Bom dia, A minha situação é a seguinte, Tenho um crédito automovel em que o débito directo está no contracto a ser efectuado a cada dia 4 do mês, este mês ainda não efectuaram o debito, liguei para lá a perguntar porquê e disseram que o debito foi recusado por falta de verbas e que agora me vão cobrar juros de mora (30 euros). Retirei o extracto do meu banco e verifiquei que o pagamento do meu salário foi feito no dia 4, sendo assim teria saldo para efectuar o debito! É possivel que tenham ido ao banco proceder o débito de manhã e eu recebi a transferencia do ordenado apenas de tárde, mas náo tenho até ao final do dia para fazer o pagamento? Espero resposta breve Obrigado

  2. Boa tarde, estou com uma duvida que no futuro pode virar um problema. Comprei um portatil e fiz debito direto na minha conta que tambem tem o debito da casa, como ficou com um mês em atrazo todo o dinheiro que entra o banco retira e falta dinheiro para o debito do portatil que cobram 3,75 pela devolução.
    Atravez do banco fiz o cancelamento do debito, so que continuam a fazer a cobrança da devolução e o mês de Novembro passou ser 20 euros. Já liguei a empresa Cetelem e falaram que não tem jeito tenho que pagar.
    Agora pergunto, a Cetelem esta certa ou posso fazer o cancelamento e pagar atravez da fatura?
    OBS: nunca atrazei um pagamento sempre em dia.

  3. É tão importante conferir a factura do talho, como conferir o extracto do banco.Oa bancos enganam-se mais do que muitos possam imaginar e, mesmo depois, do erro detectado, demoram uma eternidade a corrigir o erro.Dou um exemplo, contractei em 2001 um crédito pessoal, no âmbito do encerramento de uma empresa, onde era sócio, em virtude nessa empresa, haver uma c/c caucionada e , sendo eu o sócio maioritário, aceitei pagar na ínbtegra esse passivo.Dei uma hipoteca e negociei um taxa, razoável atendendo ao risco da operação.Em 2003 a taxa euribor começa a baixar e o banco cobrava-me sempre o mesmo.O empréstimo estava indexado á euribor+spread .Em 2006 reclamei das importâncias pagas em excesso.Deram-me razão, mas, só depois de eu pagar o empréstimo na íntegra e faltavam ainda 2 anos (2008) é que creditaram +-2500 euros.Descordei dos valores, uma vez que tive capital estéril durante 4 anos.Aguarda ainda, que me sejam creditados valores referentes a esses capitais não remunerados.

  4. @RF,

    Quando cobram indevidamente o BANCO (não a entidade à qual pagou) é obrigado a a devolver-lhe o dinheiro, sem que sequer tenha de dar nenhuma justificação.

    Digamos que a opção dos débitos directos é essencialmente uma opção de poupança de tempo.

  5. O meu comentário vai ser simples e directo: não dou autorização a ninguem a ter qualquer tipo de acesso directo ao meu dinheiro, à minha conta. Resultado? Zero problemas com cobranças indevidas.

    Se uma empresa me cobrar indevidamente, não deveria ter eu direito a aceder à conta deles e reaver o meu dinheiro? Então pq hão-de ter eles acesso à minha??

    Quando cobram indevidamente, não devolvem imediatamente…

  6. O caderno do Banco de Portugal, apenas fala em multibanco como sendo a forma automática, caso seja processado pelo banco terá de se confirmar os dados junto de quem apresenta a cobrança, a minha duvida está, quando efectuamos a operação via internet, não funciona como se fosse ir ao multibanco ?
    Se alguem conseguir desfazer a minha duvida, para não ter surpresas posteriormente, fico agradecido.
    Um abraço

  7. Sónia,

    Podes cancelar/alterar/consultar uma ADC, a qualquer hora e em qualquer momento, numa ATM (com o cartão afecto à conta da autorização).