2025 foi um ano muito favorável para os mercados financeiros, com as ações a valorizarem de forma generalizada entre setores e geografias, enquanto as matérias-primas e as obrigações também geraram retornos bastante atrativos. Num ano em que (quase) tudo subiu, os fundos de investimento mobiliários (FIM) também conseguiram um ano muito positivo.

Nenhuma das mais de 20 categorias de FIM que são comercializadas pelas gestoras de ativos presentes no mercado português registou uma rendibilidade média negativa no ano passado. Entre os mais de 200 fundos disponíveis, apenas 14 fecharam o ano com sinal negativo, o que representa menos de 7% do total.

Um ano é um prazo demasiado curto para avaliar o desempenho dos fundos de investimento, que na maioria dos casos têm um horizonte temporal mínimo recomendável de três anos. Mas também nestes períodos mais longos os fundos de investimento apresentam uma prestação global muito interessante.

Os dados da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios (APFIPP) mostram que todas as categorias apresentam rendibilidades médias anualizadas superiores a 2% nos prazos a dois e três anos. Nos últimos cinco anos, só duas categorias estão em terreno negativo nas rendibilidades anualizadas, com as obrigações a serem penalizadas pelas taxas de juro negativas na pandemia.

Tendo em conta que existem fundos de investimento dos mais variados níveis de risco, praticamente todos têm conseguido retornos reais positivos (acima da inflação). Nas várias categorias de fundos de ações, são várias as que apresentam retornos próximos ou mesmo acima dos 10%.

Um desempenho assinalável que contribuiu de forma decisiva para a atratividade destes produtos financeiros junto dos aforradores portugueses. Nos primeiros 11 meses de 2025, as subscrições líquidas de FIM atingiram 3.935 milhões de euros. Também devido ao impulso da valorização das carteiras, os valores geridos pelos FIM superaram pela primeira vez a fasquia dos 25 mil milhões de euros, chegando a novembro 23,3% acima do registado no final de 2024. 

Ações nacionais à frente

Embora a tendência de prestação positiva tenha sido generalizada nos últimos anos, são os fundos de ações que se destacam claramente nos diferentes prazos, validando que apesar do risco mais alto, são os ativos que conseguem oferecer aos investidores os retornos mais atrativos.

No universo dos fundos de ações, a que mais brilha é a categoria dos Fundos de Ações Nacionais, o que consolida o regresso definitivo das cotadas portuguesas ao radar dos investidores. A evolução surpreende sobretudo pelo facto de o desempenho nos diferentes prazos ser bastante superior ao registado pelos fundos de ações europeias e norte-americanas. O que contraria a tendência do passado de desempenho pobre das ações portuguesas, especialmente em termos relativos e no período pós-Troika. 

Os Fundos de Ações Nacionais registaram uma rendibilidade efetiva média de 32,5% em 2025, um excelente desempenho que só os Fundos de Ações Ibéricas conseguem chegar perto (28,2%) e que quase duplica a prestação dos Fundos de Ações Europeias (18%).

O desempenho dos fundos que apostam em ações portuguesas é ainda mais excecional nos prazos longos. A rendibilidade anualizada média a cinco anos é de 15,8%, o que também garante o primeiro lugar do pódio entre todas as categorias. A par dos Fundos de Ações Ibéricas (só existem dois e também têm ações portuguesas), os Fundos de Ações Nacionais são os únicos com retornos de dois dígitos neste horizonte temporal a cinco anos. Nos prazos a dois e três anos, o retorno anualizado também está confortavelmente acima de 10%.

Quem investiu nos fundos de ações portuguesas nesta década fez uma aposta certeira, o que justifica o aumento significativo das subscrições destes produtos financeiros nos últimos tempos. Os ativos sob gestão dispararam 63,1% nos primeiros 11 meses de 2025, chegando a novembro nos 579,2 milhões de euros. Um crescimento que fica a dever-se à valorização dos ativos, mas também às subscrições de 110 milhões de euros neste período.

A notícia menos positiva é que os investidores têm uma oferta cada vez mais limitada, que reflete o desinteresse do passado nos Fundos de Ações Nacionais devido ao seu fraco desempenho. Existem apenas quatro produtos, sendo que todos conseguem apresentar rendibilidades de dois dígitos nos diferentes prazos.

O desempenho dos Fundos de Ações Nacionais ofusca a prestação de outras categorias de fundos, que também foi muito favorável. Nos fundos que compõem as carteiras com diferentes classes de ativos, os Multi-Ativos Agressivos registaram uma rendibilidade média de 8,6% em 2025 e um retorno anualizado de 9,4% a três anos. Os fundos PPR, a categoria mais popular em Portugal e que tem produtos dos mais variados níveis de risco, conseguiram uma rendibilidade de 5,3% em 2025 e 6,6% a três anos.

No ranking das categorias em 2025, salta à vista o último lugar ocupado pelos Fundos de Ações da América do Norte. A rendibilidade média de 2025 foi de apenas 0,5%, o que é explicado sobretudo pela desvalorização superior a 10% do dólar face ao euro. Nos prazos a três anos (15,6%) e cinco anos (6,8%), os retornos desta categoria já são bem mais interessantes.     

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PSI a subir há cinco anos

O desempenho muito favorável dos Fundos de Ações Nacionais é obviamente explicado pela valorização acentuada das cotações de muitas empresas portuguesas, sendo que os gestores dos fundos ainda conseguiram superar o desempenho do índice português.

O PSI valorizou 29,5% em 2025, o que representa a subida anual mais forte desde 2009 e um dos melhores desempenhos entre as bolsas europeias. O ano passado foi já o quinto consecutivo em alta para o índice português, um ciclo positivo que, entre os principais índices globais, só o britânico FTSE100 consegue igualar. É necessário recuar a 2003-2007 para encontrar um período de ganhos anuais tão longo do PSI.

Apesar de ter duplicado desde o início da pandemia (março de 2020), o PSI está ainda a uma larga distância do máximo histórico, o que reflete o período negro para as ações nacionais na sequência do pedido de assistência financeira internacional de 2011, a que se seguiu uma recessão severa e vários escândalos empresariais, como o colapso do BES e da PT, dois dos nomes mais fortes da bolsa portuguesa na altura.

Enquanto a grande maioria dos índices acionistas mundiais tem atingido máximos históricos nos últimos meses, o PSI ainda tem de valorizar mais de 60% para regressar ao recorde fixado em 2007.

A confiança do mercado nas ações portuguesas está agora em níveis bem mais elevados face ao que se verificou na década passada. Além das histórias individuais de cada empresa, são vários os argumentos que justificam o desempenho muito favorável da bolsa portuguesa nos últimos anos:

  • Recuperação da economia e contas públicas. A economia portuguesa saiu do ajustamento da Troika bastante mais forte e resiliente. Excluindo os anos da pandemia (2020 e 2021), o PIB do país está a crescer acima da média da Zona Euro desde 2016, as contas públicas geram um excedente há três anos e a dívida pública já está de forma consolidada abaixo de 100% do PIB. Esta melhoria significativa traduziu-se num alívio dos juros da dívida portuguesa para níveis inferiores aos registados em França e Espanha e recolocou os ativos portugueses no radar dos investidores internacionais.
  • Remuneração atrativa aos acionistas. A atratividade da Bolsa portuguesa também foi reforçada pela estratégia das cotadas nacionais de remunerarem os acionistas de forma generosa. Os lucros têm atingido recordes sucessivos depois da pandemia, o que tem permitido o pagamento de dividendos atrativos. Quase todas as empresas do PSI pagam dividendos e a rendibilidade média da remuneração está em redor dos 4%, o que compara bem com as congéneres europeias. 
  • Composição do índice também é trunfo. A ausência de empresas de tecnologias e de outros setores de crescimento acelerado foi um dos “calcanhares de Aquiles” da praça portuguesa, explicando porque em muitos anos o desempenho do PSI foi dececionante e o índice está ainda muito longe de máximos históricos. Mas esta situação também representa um trunfo, com a Bolsa portuguesa a beneficiar durante muitos períodos com o estatuto defensivo da maior parte das suas cotadas, que são procuradas pelos investidores para diversificarem as suas carteiras.

Apesar do desempenho muito forte nos últimos anos, os fatores que impulsionaram as cotadas portuguesas continuam ativos, o que abre perspetivas para a continuação da evolução favorável (pelo menos em termos relativos). O investidor pode comprar ações de forma direta, uma estratégia que assume mais risco e requer mais tempo disponível. Ou então aplicar num fundo de investimento em Ações Nacionais. A oferta é escassa, mas todos têm um histórico favorável para mostrar.  

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