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Eletrodomésticos mais eficientes e fáceis de reparar em 2021: Quanto pode poupar?

Certamente já se questionou se vale a pena reparar eletrodomésticos avariados. Saiba o que muda em 2021 para a reparação voltar a ser uma opção.

Natacha Figueiredo Natacha Figueiredo , 9 Setembro 2020

Sempre que um eletrodoméstico antigo se avaria, a maioria dos consumidores acaba por ponderar comprar um novo em vez de proceder à sua reparação. No entanto, esta situação pode estar prestes a mudar devido às novas diretrizes divulgadas pela Comissão Europeia.

Conheça as novas regras da UE, que vão obrigar os fabricantes a garantir peças para reparação e uma produção mais ecológica e eficiente. Conheça o impacto das novas medidas em termos ecológicos e descubra se ainda compensa reparar um eletrodoméstico ou comprar um novo.

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Quais são as diretrizes da União Europeia que vão tornar os eletrodomésticos mais fáceis de reparar em 2021?

No final de 2019 e em 2020, a União Europeia aprovou vários regulamentos de execução de concepção ecológica, que têm como objetivo melhorar a eficiência energética de vários eletrodomésticos e permitir que estes durem mais anos e sejam facilmente reparados. Muitos destes novos regulamentos vêm reforçar requisitos que já existiam, mas há novas medidas em relação ao design ecológico, eficiência energética, etiquetagem e reparação. Alguns destes regulamentos estão previstos de começar a produzir efeito já em 2021.

Os fabricantes de eletrodomésticos e equipamentos regulados devem tornar a reparação mais fácil, através da disponibilidade de informações sobre a manutenção e reparação por outros profissionais, devendo ainda garantir a disponibilidade de peças de reposição durante mais anos após a compra. Por exemplo:

  • Os aparelhos de refrigeração devem ter no mínimo as peças disponíveis durante 7 anos. Já as juntas de portas destes aparelhos devem passar a estar disponíveis durante 10 anos.
  • No caso das máquinas de lavar e secar roupa de uso doméstico, as peças devem estar disponíveis no mínimo 10 anos.
  • Já no caso das máquinas de lavar loiça, a garantia de peças deve estar disponível durante 10 anos, mas podem existir peças que só estejam disponíveis durante 7 anos. Estas últimas têm uma menor exigência de garantia devido ao acesso ser restrito a reparadores profissionais.

Para além disso, os fabricantes devem ainda garantir durante este período a entrega das peças de reposição dentro de 15 dias úteis. Estas medidas têm como objetivo evitar que seja necessário comprar novos eletrodomésticos devido aos fabricantes não garantirem peças para a reparação dos eletrodomésticos após o fim da garantia. Os fabricantes vão passar a ter que garantir manuais de reparação para profissionais e para consumidores de vários eletrodomésticos a partir de 2021.

rapariga de caracois a retirar uma salada do frigorifico

Que eletrodomésticos estão abrangidos por estas novas medidas da UE?

Dentro dos 10 regulamentos da Comissão Europeia que vão permitir melhorar a eficiência energética e a reparação, estão os seguintes grupos de produtos:

  • Frigoríficos;
  • Máquinas de lavar roupa;
  • Máquinas de lavar loiça;
  • Televisões e monitores eletrónicos;
  • Fontes de alimentação;
  • Motores elétricos;
  • Transformadores;
  • Máquinas de soldar;
  • E máquinas de venda ao público, como frigoríficos de supermercados e as máquinas de venda automática de bebidas frias, entre outras.

Por isso, se comprar um novo eletrodoméstico em 2021 e mais tarde precisar de uma reparação vai passar a ser mais rápida, sem a necessidade do uso de ferramentas especiais e sem risco de danificar o aparelho durante a reparação por outros profissionais.

Atualmente, existem diversos eletrodomésticos que após a avaria de uma peça específica dificilmente conseguem ser reparados. Esta escassez de peças e dificuldade em obter instruções de reparação acaba por ser um problema para o meio ambiente e para a carteira dos consumidores, que são obrigados a adquirir um novo eletrodoméstico.

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Em termos de eficiência energética o que vai mudar nos próximos anos?

Após a divulgação das novas diretrizes, a Comissão Europeia apresentou em 2020 um pacote de medidas que tem como objetivo reduzir o consumo energético até 2030. As estimativas apresentadas revelam que a economia de energia final por ano ronda os 167 TWh, o que para ter uma noção é o equivalente ao consumo anual de energia da Dinamarca. Para além disso, as medidas de poupança e eficiência energética correspondem a uma redução de mais de 46 milhões de toneladas de CO2.

Em termos práticos, as medidas pretendem que os fabricantes cumpram um design mais ecológico, façam uma melhoria no seu desempenho e sigam as regras dos novos rótulos energéticos da União Europeia. Desta forma, o consumidor europeu vai ter acesso a informações valiosas facilmente, podendo optar por produtos mais eficientes e ecológicos.

A poupança de água também não foi esquecida em alguns eletrodomésticos

Embora a maioria das medidas seja destinada à energia e ao período útil de vida dos eletrodomésticos, a poupança de água não ficou de fora das novas diretrizes da Comissão Europeia. Os fabricantes na hora de concepção ecológica das máquinas de lavar roupa e secar, mas também nas máquinas de lavar loiça, vão ter que seguir as novas regras do uso máximo de água por ciclo. Contudo, para diminuir o uso de água é necessário equilibrar bem a eficiência mínima de lavagem e secagem, para não prejudicar o desempenho dos mesmos.

Estas novas medidas estimam um resultado de 711 milhões de m3 por ano de economia de água até 2030. Já nas máquinas de lavar loiça, a economia de água deve chegar aos 16 milhões de m3 por ano até 2030.

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Quais as principais alterações nas etiquetas energéticas?

As novas etiquetas energéticas são diferentes daquelas a que já nos tínhamos habituado e vão ter a informação de consumo destacada e algumas informações adicionais. Estas serão colocadas em paralelo com as etiquetas antigas. Nas novas etiquetas vão constar informações sobre:

  • Código QR
  • Marca comercial ou nome do fornecedor;
  • Identificador do modelo do fornecedor;
  • Classe de eficiência energética do produto;
  • Escala das classes de eficiência energética;
  • Consumo anual de energia em kWh;
  • Soma dos volumes dos compartimentos para produtos congelados. O valor é apresentado em litros.
  • Soma dos volumes dos compartimentos de ultrarrefrigeração e dos compartimentos para produtos não congelados. O valor apresentado é em litros.
  • Emissão de ruído aéreo e classe de emissão.

Uma das principais alterações é o regresso à escala energética de A a G, deixando de ser utilizadas as classes A+, A++ e A+++. Contudo, numa fase inicial, os novos eletrodomésticos mais eficientes devem surgir com uma classe energética B. Isto porque pretende-se que os fabricantes criem novos eletrodomésticos para integrarem a classe A, que se enquadrem no topo da poupança energética.

Embora nem todos estes aparelhos venham a ter estas etiquetas energéticas ao mesmo tempo, estas novas etiquetas entram em vigor nas lojas físicas e online no dia 1 de março de 2021. A ADENE lançou um novo site sobre a nova etiqueta energética, onde pode obter toda a informação disponível, bem como a entrada em vigor para cada um dos eletrodomésticos regulamentados nestas novas medidas.

Outra das grandes novidades é a possibilidade de leitura através do código QR. É através do código presente na nova etiqueta energética que é possível aceder à informação técnica dos produtos, desempenho energético e à ficha do produto. Toda a informação está disponível ao público na Base de Dados de Produtos Europeia.

pessoa a mexer na máquina de lavar roupa

Quanto é que os consumidores vão poupar com as novas medidas para os eletrodomésticos?

Segundo as estatísticas e informações divulgadas no site da União Europeia, os consumidores europeus vão, em média, passar a economizar 150 euros por ano com estas medidas.

É importante salientar que a poupança pode ser maior ou menor consoante os eletrodomésticos que for substituindo. São muitos os consumidores que têm notado que após a compra de eletrodomésticos mais eficientes, a poupança nas suas contas de água e eletricidade foi notória. No entanto, para que tal seja possível é necessário um investimento ponderado em novos eletrodomésticos, de forma a não colocar em risco o seu orçamento familiar.

A partir de 2021 vale a pena reparar um eletrodoméstico ou comprar um novo?

Tudo irá depender da sua situação. Se tem um eletrodoméstico antigo que se avariou e está indeciso entre comprar um novo ou reparar o mesmo, talvez a melhor solução passe por investir num novo eletrodoméstico com uma boa eficiência energética. É provável que venha a ter uma poupança significativa nas suas contas de água e luz.

Se adquiriu um eletrodoméstico bastante eficiente e este avariou-se após o período de garantia, então o melhor é sempre comparar o orçamento que lhe apresentam para a reparação com o valor de um aparelho com a mesma qualidade e eficiência energética. Caso o valor da reparação não seja elevado e estiver satisfeito com o desempenho do mesmo, a reparação para já pode ser uma boa solução. No entanto, se o orçamento da reparação for bastante elevado e o tempo de espera para que as peças estejam disponíveis seja longo, deve ponderar se compensa fazer a reparação ou investir num aparelho que já tenha que cumprir as novas medidas.

Num futuro próximo, o mais provável é que os consumidores não coloquem em questão a compra imediata de um novo eletrodoméstico após uma avaria. Contudo, é importante que peça sempre alguns orçamentos a profissionais especializados para a sua reparação, de forma a garantir que está a tomar a melhor decisão para o seu orçamento.

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