Os Certificados de Aforro são um dos produtos de poupança mais conhecidos em Portugal. Criados para incentivar a poupança das famílias, são geridos pelo IGCP (Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública). Quando subscreve este produto, está, na prática, a emprestar dinheiro ao Estado. Em troca, recebe juros sobre o valor investido.
Uma das grandes vantagens deste produto, além da garantia de capital, é a capitalização dos juros, algo que explicaremos mais à frente.
Atualmente, só é possível subscrever Certificados de Aforro da Série F, embora muitas pessoas ainda detenham séries anteriores. Este produto é simples, acessível e com capital garantido, o que o torna atrativo para quem procura segurança.
Como funcionam os Certificados de Aforro?
Há algumas regras para a subscrição de Certificados de Aforro. O investimento mínimo inicial é de 100 euros, podendo depois fazer reforços a partir dos 10 euros.
Outra característica deste produto é que conta com um limite máximo. Na série F, é possível investir até 100 mil euros, sendo que é possível acumular um máximo de 350 mil euros entre as séries E e F.
Em termos de período de investimento, um aforrador que subscreva este produto pode mantê-lo durante um máximo de 15 anos. Mas pode levantar o dinheiro mais cedo. Quando subscrevemos Certificados de Aforro temos de manter o dinheiro durante três meses. A partir desse momento podemos levantar parte ou a totalidade do dinheiro.
Taxa de juro: Quanto rendem?
A taxa base dos Certificados de Aforro é determinada pela média da Euribor a três meses, com um mínimo de 0% e um máximo de 2,5%. A partir do segundo ano, soma-se um prémio de permanência, que começa nos 0,25% e evolui até 1,75% nos últimos dois anos. Assim, a taxa máxima pode chegar a 4,25% (2,5% base + 1,75% prémio).
E qual é a expectativa para a Euribor em 2026?
As previsões apontam para uma estabilização desta taxa em torno dos 2,2% a 2,3%, refletindo um cenário de maior previsibilidade após os ajustes recentes do Banco Central Europeu (BCE) às taxas diretoras. Isto significa que, para quem investe em Certificados de Aforro, não se esperam grandes oscilações, garantindo alguma segurança na rentabilidade.
Leia ainda: O que esperar das taxas de juro em 2026?
Onde posso subscrever?
Há duas formas de subscrever os Certificados de Aforro: presencialmente ou online.
Se optar por subscrever presencialmente, pode dirigir-se aos CTT, a um Espaço Cidadão ou a balcões autorizados pelo IGCP. Se preferir subscrever online, pode fazê-lo através do AforroNet (apenas disponível para quem já aderiu aos Certificados de Aforro) ou pode optar pela aplicação ou canais digitais do Banco de Investimento Global (BiG).
Vantagens dos Certificados de Aforro
Os Certificados de Aforro representam um dos produtos mais conhecidos pelos portugueses, o que é explicado essencialmente pela segurança que conferem. Assim, as principais vantagens deste produto são:
- Contam com capital garantido. O que significa que não vamos ficar com menos dinheiro do que aquele que investimos neste produto;
- Têm uma rentabilidade mais ou menos previsível. Uma vez que sabemos que está indexada à evolução da Euribor e que conta com prémios de permanência que vão aumentando ao longo do tempo;
- Exigem um investimento inicial reduzido. Com 100 euros é possível subscrever Certificados de Aforro;
- Beneficiam da capitalização de juros. Na prática, em vez de recebermos os juros da nossa poupança, esse valor entra como capital investido e volta a gerar juros;
- Têm uma liquidez elevada. Após os primeiros três meses posso levantar parte ou a totalidade do dinheiro. Não há risco de ter de esperar;
- Não têm custos de subscrição ou manutenção.
Desvantagens dos Certificados de Aforro
Apesar de ter muitas vantagens, é importante perceber quais são as desvantagens deste produto de poupança:
- Têm uma rentabilidade baixa face a outros produtos de investimento;
- Têm um limite máximo de investimento. Se atingir o máximo de 100 mil euros, já não posso subscrever estes Certificados de Aforro;
- Têm uma dependência das decisões do Governo, o que significa que as condições podem mudar a qualquer altura.
Leia ainda: Como digitalizar os Certificados de Aforro (e não perder juros)
Vale a pena investir?
O 2.º Barómetro Doutor Finanças sobre Hábitos de Investimento mostra que 61% dos portugueses não investem e a esmagadora maioria tem um perfil conservador ou moderado, com os Certificados a estarem no top das opções: 49% aponta os depósitos a prazo, 38% os Planos Poupança Reforma (38%) e 35% os Certificados de Aforro ou do Tesouro.
Os Certificados de Aforro são indicados para quem procura segurança e alguma rentabilidade sem risco. Não são a melhor opção para quem procura retornos elevados, mas podem ser uma boa solução para diversificar poupanças.
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Perguntas Frequentes sobre Certificados de Aforro
O valor mínimo para a subscrição inicial é de 100 euros. Os reforços podem ter um valor mínimo de 10 euros.
Há. No máximo cada conta de aforro pode ter 100 mil euros.
Durante 15 anos.
Os Certificados de Aforro podem ser resgatados ao fim de três meses.
Neste momento só é possível subscrever a série F dos Certificados de Aforro. E a taxa a aplicar é uma média da taxa Euribor a três meses, cujo valor é publicado pelo IGCP. Independentemente do comportamento da Euribor, a taxa a aplicar nos Certificados de Aforro não pode ser inferior a 0% nem superior a 2,5%.
Além da taxa base, os aforradores beneficiam ainda de prémios de permanência (ver resposta abaixo).
Os aforradores ganham os seguintes prémios de permanência:
0,25 % – do 2.º ao 5.º ano;
0,50 % – do 6.º ao 9.º ano;
1,00 % – no 10.º e 11.º ano;
1,50 % – no 12.º e 13.º ano;
1,75% – no 14.º e 15.º ano.
Os juros são pagos trimestralmente, contudo, o valor é capitalizado. Ou seja, em vez de transferirem o montante dos juros para uma conta, é investido esse montante nos Certificados de Aforro.
Não. Os Certificados de Aforro são um produto de capital garantido, o que significa que não há risco de perda.
