Tal como era antecipado pelo mercado, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu manter as taxas de juro de referência inalteradas na reunião desta quinta-feira, 19 de março, num cenário de grande incerteza devido às consequências do conflito no Médio Oriente.
Assim, a taxa de juro aplicável à facilidade permanente de depósito manteve-se nos 2%, a taxa aplicável às operações principais de refinanciamento nos 2,15% e a taxa aplicável à facilidade permanente de cedência de liquidez nos 2,40%.
Em comunicado, a autoridade monetária liderada por Christine Lagarde sublinhou, porém, que está determinada a “assegurar que a inflação estabiliza no seu objetivo de 2% a médio prazo”, confirmando as recentes afirmações de vários membros do banco central de que o BCE está pronto a agir, aumentando os juros, caso a subida dos preços persista.
BCE avisa que a guerra tornou as perspetivas “consideravelmente mais incertas”
Se, no início do ano, a inflação estava controlada na região da moeda única – 1,7%, em janeiro e 1,9% em fevereiro -, a guerra no Médio Oriente tornou as perspetivas “consideravelmente mais incertas”, criando riscos em alta para a inflação e riscos em baixa para o crescimento económico.
“Terá um impacto significativo na inflação a curto prazo através de preços mais elevados dos produtos energéticos. As suas implicações a médio prazo dependerão quer da intensidade quer da duração do conflito e da forma como os preços dos produtos energéticos afetarão os preços no consumidor e a economia”, lê-se no comunicado do banco central.
O BCE diz, no entanto, estar bem preparado para navegar esta incerteza e que a sua abordagem dependente dos dados vai ajudar a definir a política monetária apropriada. “A inflação tem permanecido em torno do objetivo de 2%, as expectativas de inflação a mais longo prazo estão bem ancoradas e a economia revelou resiliência nos últimos trimestres. A informação disponibilizada no futuro próximo ajudará o Conselho do BCE a avaliar em que medida a guerra afetará as perspetivas de inflação e os riscos que as rodeiam”, acrescenta.
Leia ainda: Mercados já antecipam subida dos juros: O que vai acontecer às prestações de crédito?
BCE piora projeções para a inflação e crescimento económico
Neste cenário, que é ainda de elevada incerteza, a autoridade monetária reviu em alta as projeções para a inflação e em baixa as estimativas para o crescimento económico, sobretudo devido à escalada dos preços da energia.
Os especialistas do BCE antecipam agora que a inflação global será, em média, de 2,6% em 2026, 2,0% em 2027 e 2,1% em 2028. No que respeita à inflação excluindo preços dos produtos energéticos e dos produtos alimentares, deverá ser, em média, de 2,3% em 2026, 2,2% em 2027 e 2,1% em 2028. “Esta trajetória também é mais alta do que a indicada nas projeções de dezembro, principalmente em virtude da transmissão dos preços mais elevados dos produtos energéticos à inflação excluindo preços dos produtos energéticos e dos produtos alimentares”, explica o BCE.
Quanto ao crescimento económico, a perspetiva é que se situe, em média, em 0,9% em 2026, 1,3% em 2027 e 1,4% em 2028, “o que implica uma revisão em baixa, sobretudo para 2026, refletindo os efeitos da guerra nos mercados de matérias-primas, nos rendimentos reais e na confiança a nível mundial”, refere o comunicado. “Ao mesmo tempo, o desemprego baixo, a solidez dos balanços do setor privado e a despesa pública em defesa e infraestruturas deverão continuar a sustentar o crescimento”.
