A Euribor voltou a acelerar em março de 2026, depois de dois meses em que as taxas estiveram mais contidas. Para quem tem crédito habitação com taxa variável, esta não é uma discussão técnica nem distante. É uma variável que entra diretamente no cálculo da prestação mensal e que pode fazer a diferença entre pagar mais, pagar menos ou manter a mensalidade estável durante alguns meses.
Perceber como funciona a Euribor continua, por isso, a ser essencial. Não basta saber se a taxa “subiu” ou “desceu” num determinado dia. No crédito habitação, o que conta é o prazo contratado, o mês em que o empréstimo é revisto e a média mensal usada pelo banco nessa revisão.
Neste artigo, fique a perceber o que é a Euribor, como influencia os juros do empréstimo, porque existem vários prazos e de que forma uma subida ou descida se reflete no orçamento familiar.
O que é, afinal, a Euribor e porque mexe com a sua prestação?
A Euribor é uma taxa de referência do mercado monetário do euro e funciona como indexante da maioria dos contratos de crédito habitação com taxa variável em Portugal. Na prática, é uma das componentes que define o custo do empréstimo da casa e, por isso, tem impacto direto no valor da prestação mensal. Sempre que a Euribor sobe ou desce, essa variação acaba por refletir-se no crédito habitação, ainda que não de forma imediata em todos os contratos.
Como a Euribor é calculada
A Euribor resulta da média dos juros praticados por um conjunto de bancos da Zona Euro nos empréstimos que fazem entre si em diferentes prazos. Esta taxa é calculada e divulgada diariamente, mas no crédito habitação não é a cotação diária que conta.
O que é aplicado ao contrato é a média mensal da Euribor correspondente ao prazo escolhido. Isto significa que o valor da prestação não reage ao que acontece num dia específico, mas sim ao comportamento médio da taxa ao longo de um mês.
Além disso, importa referir que a Euribor não é definida pelo Banco Central Europeu. O BCE fixa as taxas diretoras, enquanto a Euribor é uma taxa de mercado. Ainda assim, tende a acompanhar e muitas vezes a antecipar as expectativas sobre a política monetária. Quando os mercados antecipam subidas ou descidas dos juros, essa expectativa reflete-se rapidamente na evolução da Euribor.
Diferentes prazos, diferentes impactos: Porque nem todos sentem as variações da Euribor da mesma forma?
Outro ponto essencial é que não existe apenas uma Euribor. Existem várias maturidades, sendo as mais comuns no crédito habitação as de 3, 6 e 12 meses.
Cada prazo tem uma cotação própria e, sobretudo, um ritmo diferente de revisão da prestação. É isso que explica porque duas famílias, com empréstimos semelhantes, podem sentir impactos diferentes no mesmo período.
Se o contrato estiver indexado a um prazo mais curto, a prestação reage mais depressa às mudanças da Euribor. Num prazo mais longo, o efeito demora mais tempo a chegar, mas pode ser mais significativo quando ocorre a revisão. É esta combinação entre taxa, prazo e momento de revisão que determina o impacto real no orçamento familiar.
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