O episódio “Comprar casa: Quando avançar, como escolher e negociar”, pulicado em fevereiro, junta Vera Gouveia Barros, economista, colunista no ECO e coautora do estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos “O mercado imobiliário em Portugal”, e Bruno Coelho, administrador de Imobiliário do Doutor Finanças e autor do livro “Como investir no negócio imobiliário”. Como avaliar se é o momento certo para comprar casa, quais os erros a evitar, como escolher e negociar foram os temas em destaque.
Bruno Coelho começa por afirmar que não acredita no “timing” certo para comprar casa, mas sim em necessidade. O momento certo depende, por isso, do contexto e da fase de vida de cada pessoa, sendo importante perceber se existe previsibilidade suficiente para assumir uma prestação e se esta continua a caber no orçamento perante uma eventual subida das taxas de juro. Também a ideia de esperar por uma descida dos preços é questionada ao longo do episódio. Vera Gouveia Barros explica que as descidas generalizadas dos preços da habitação são pouco frequentes e estão normalmente associadas a períodos económicos particularmente difíceis.
Comprar casa exige preparação e informação
Para quem decide avançar, a preparação e a informação são essenciais. Bruno Coelho destaca a importância de comparar imóveis semelhantes na mesma zona, perceber se o preço está adequado e calcular o custo total da compra. Custo este que vai muito além do valor do imóvel e pode incluir impostos, condomínio, manutenção e obras. Vera Gouveia Barros acrescenta a importância de consultar dados sobre os preços praticados na zona e de conhecer o estado de conservação dos imóveis. Os especialistas chamam ainda a atenção para a necessidade de verificar a situação legal e técnica da casa. E, no caso de um apartamento, perceber como funciona o condomínio e se existem problemas ou obras previstas.
Mas comprar casa não é apenas uma decisão racional. Como explica Bruno Coelho, “as pessoas não compram imóveis, as pessoas compram casas”, e a compra acontece muitas vezes em momentos de vida com uma forte componente emocional. Para evitar que essa emoção condicione a decisão, Vera Gouveia Barros sugere definir previamente as características essenciais da casa e, depois de encontrar um imóvel de que se gosta, fazer também o exercício de procurar os seus defeitos. Bruno Coelho reforça que negociar quando se está “apaixonado” pelo imóvel pode fazer com que o comprador perca capacidade de negociação.
No episódio, há ainda espaço para falar sobre alguns erros que podem comprometer a compra, como assumir uma prestação que obriga a abdicar de demasiadas coisas no dia a dia ou não analisar devidamente o prédio e a zona.
No final, a ideia é simples: comprar casa exige contas, informação e preparação, mas também reconhecer que se trata de uma decisão ligada a momentos importantes da vida e que se deve encontrar o equilíbrio entre razão e emoção.
A casa é sua. O crédito? Pode mudar.
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