Os preços das casas listadas para venda em Portugal aumentaram 3,4% no terceiro trimestre em comparação com o período anterior. De acordo com o mais recente relatório do Observatório de Imobiliário do Doutor Finanças, o valor médio por metro quadrado (m²) entre julho e setembro fixou-se em 3.666 euros. Esta subida interrompe dois trimestres consecutivos de descida, nos quais os valores tinham recuado 0,4% e 3,4%, respetivamente.
O aumento do valor médio por m² foi transversal em quase todo o território. Dos 18 distritos e duas regiões autónomas, apenas Lisboa (-1,4%) e Bragança (-0,8%) registaram uma diminuição em comparação com o segundo trimestre. Viseu (+12,5%) registou o maior aumento, seguido de Castelo Branco (+9,9%) e Viana do Castelo (+9,0%). Os preços em Vila Real (+8,1%), Beja (+8,5%) e Évora (+7,6%) também aumentaram claramente acima da média nacional.
Apesar da queda ligeira, em contraciclo com os restantes territórios, Lisboa continuou a ser o distrito mais caro do país, com 5.582 euros/m². Seguiram-se Faro (4.928 euros/m²) e Madeira (4.478 euros/m²), os únicos a superar a barreira dos 4.000 euros/m².
No polo oposto mantiveram-se distritos do interior, como a Guarda (820 euros/m²), Bragança (932 euros/m²) e Portalegre (1.060 euros/m²).

Preços das casas mais acessíveis subiram mais
Os dados do Observatório de Imobiliário mostram que a subida de preços à escala nacional atravessou toda a gama de preços, mas foi mais significativa nas casas menos dispendiosas.
Ao analisar os preços por quartis, é possível verificar que o primeiro, correspondente aos 25% dos imóveis mais baratos, atingiu 265.000 euros. Foi uma subida de 2,0% face ao segundo trimestre.
A mediana – ou seja, o valor que divide os imóveis anunciados em duas metades – aumentou 1,3%, para 395.000 euros. Já o terceiro quartil, que marca o início dos 25% de imóveis mais caros, avançou 0,8%, para 650.000 euros.

Preços para arrendar subiram no interior
No mercado de arrendamento, a evolução foi quase nula, com um recuo de 0,1% do valor médio anunciado, para 15,48 euros/m². No entanto, por detrás desta estabilidade estão oscilações bastante pronunciadas em alguns territórios.
As maiores subidas ocorreram em alguns dos distritos com os valores de arrendamento mais baixos, como Bragança (+19,7%) e Vila Real (+18,8%), seguindo-se Viseu (+9,9%) e Portalegre (+9,1%). Em sentido contrário, Beja registou a queda mais acentuada (-14,8%), enquanto os Açores (-7,7%) e a Madeira (-6,4%) também apresentaram reduções relevantes. Lisboa recuou 5,4%, mas continua a ser o mercado mais caro do país, com 19,11 euros por m².
Faro (15,95 euros) e Madeira (15,03 euros) completam o grupo de territórios com os valores mais elevados. Vila Real apresenta o preço mais baixo, de 5,94 euros por m², seguida de Viseu (6,58 euros) e Portalegre (6,81 euros).
Além da evolução dos preços de venda e arrendamento, o relatório analisa a acessibilidade à habitação, compara os valores de apartamentos e moradias e apresenta preços por tipologia, do T0 ao T5 ou superior. Inclui ainda informação detalhada por distrito e município, permitindo consultar as diferenças entre os vários territórios do país.
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Perguntas frequentes
O Observatório Imobiliário em Portugal é uma ferramenta criada e operacionalizada pelo Doutor Finanças com o objetivo de sistematizar e divulgar dados fiáveis sobre o mercado residencial em Portugal, permitindo uma leitura clara das dinâmicas de preços, oferta e acessibilidade à habitação.
Baseia-se na análise contínua de anúncios imobiliários de venda e arrendamento, cruzados com estatísticas oficiais do INE, cobrindo todo o território nacional, com detalhe por distrito e município.
O Observatório recolhe e trabalha dados sobre:
- Preços de venda por m² (apartamentos e moradias);
- Valores de arrendamento por m²;
- Acessibilidade à habitação, através do Índice de Acessibilidade Habitacional, que relaciona rendimento médio das famílias com prestações de crédito;
- Oferta disponível (número de imóveis em venda/arrendamento);
- Dinâmica do mercado.
Estes indicadores são atualizados regularmente e permitem acompanhar tendências nacionais, distritais e municipais.
É complementada com dados oficiais, sobretudo do INE, para criar uma base de dados “viva”, fiável e representativa do mercado.
O Observatório destaca-se porque:
- Atualiza dados de forma contínua;
- Cobre simultaneamente venda, arrendamento e acessibilidade, oferecendo uma visão integrada;
- Desagrega informação por distrito, município e freguesia, permitindo comparações locais mais rigorosas;
- Foi criado para resolver a fragmentação e dispersão de informação imobiliária existente no mercado, contribuindo para maior transparência.
