Crédito

BCE sobe juros em 0,5%. Qual é o impacto na prestação do crédito?

É a primeira vez que o BCE sobe as taxas de juro em mais de uma década, acabando com os juros negativos na Zona Euro.

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BCE sobe juros em 0,5%. Qual é o impacto na prestação do crédito?

É a primeira vez que o BCE sobe as taxas de juro em mais de uma década, acabando com os juros negativos na Zona Euro.

O Banco Central Europeu (BCE) decidiu aumentar as taxas de juro diretoras em 0,5%. Esta subida acabou por ser superior ao que estava a ser antecipado, apesar de nos últimos dias ter crescido a expectativa de que o banco central fosse mais longe do que o aumento de 0,25%. Na base desta decisão está a escalada da inflação que se verifica na Zona Euro.

"O Conselho do Banco Central Europeu (BCE) tomou hoje novas medidas fundamentais para assegurar o regresso da inflação ao seu objetivo de 2% a médio prazo. O Conselho do BCE decidiu proceder a um aumento de 50 pontos base das três taxas de juro diretoras do BCE e aprovou o Instrumento de Proteção da Transmissão (IPT)", pode ler-se em comunicado.

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Em junho, Christine Lagarde, presidente do BCE, tinha assumido que ia subir as taxas de juro. A expectativa inicial era de que o banco central aumentasse os juros em 25 pontos base. Porém, nos últimos dias, com o euro a atingir a paridade com o dólar - o que leva a um aumento de preços dos produtos importados -, foi necessário acelerar o combate à inflação.

Esta é a primeira vez que o BCE decide subir as taxas de juro em mais de 10 anos, acabando assim com os juros negativos na Zona Euro. Mas, afinal, que impacto terá esta decisão nos orçamentos das famílias?

Leia ainda: Juros a subir: Até onde pode aumentar a prestação do meu crédito?

Prestação do crédito habitação está a subir

A subida das taxas de juro diretoras vai refletir-se nos contratos de crédito habitação com taxas variáveis. Nestes contratos, a taxa de juro é composta pelo spread e pela taxa Euribor. Assim, a prestação do crédito varia consoante a flutuação deste indexante. Por regra, as taxas Euribor antecipam o movimento das taxas de referência determinadas pelo BCE, o que tem ditado um aumento destas taxas.

Assim, as taxas Euribor, que no ano passado estavam em terreno negativo, começaram a subir desde o final do ano de forma progressiva, já a antecipar que o BCE precisasse de intervir. Em março, o movimento de subida acentuou-se e em abril a Euribor a 12 meses já estava em valores positivos.

Este comportamento faz com que todos os créditos associados a uma taxa Euribor estejam já a sentir aumentos nas prestações. Numa altura em que os juros estão a subir e a taxa de inflação está elevada - a menos que garanta um aumento no seu rendimento -, o orçamento mensal disponível vai ser necessariamente menor.

É importante perceber que o banco central atua de forma progressiva, e, consequentemente, as taxas Euribor também sobem de forma progressiva. E apesar de ninguém poder dizer até onde pode aumentar a sua prestação do crédito devido à subida das taxas de juro, deve preparar-se e perceber qual o impacto que pode ter na sua carteira.

Para isso, pode recorrer ao Simulador da Variação da Euribor no Crédito Habitação desenvolvido pelo Doutor Finanças.

Para ter uma ideia do impacto da evolução da Euribor, usando o simulador, se tiver um crédito de 120 mil euros, com um spread de 1,2% em que faltem liquidar 300 prestações, iria pagar 455,30 euros por mês. Este valor tem em conta uma taxa de Euribor a 6 meses com o valor de maio de 2022 (-0,144%) e uma TAN de 1,056%.

Ora, se na revisão seguinte, a Euribor a 6 meses chegasse aos 0,01%, a sua TAN passaria a 1,210% e a sua prestação de crédito para 463,75 euros. Ou seja, a sua prestação sofre um aumento de 8,45 euros.

Se optarmos por um cenário com uma subida mais significativa da Euribor, como por exemplo 1%, a sua TAN chegaria a 2,2% e a sua prestação mensal passaria para os 520,39 euros. Neste caso, ficaria a pagar mais 65,09 euros.

Leia ainda: Simulador da Euribor: O impacto da subida dos juros no crédito habitação

Prepare o orçamento para acautelar a subida dos juros

Regra geral, as prestações do crédito habitação têm um peso bastante significativo no seu orçamento familiar. Assim, perante o contexto atual, é necessário fazer ajustes no orçamento, para que a subida da Euribor não comprometa as suas finanças pessoais.

O primeiro passo a dar é calcular a sua taxa de esforço. Ou seja, o peso que os créditos que tem em mãos tem no seu orçamento mensal. Se apenas tem um crédito habitação, a sua taxa de esforço não deve ir além dos 30%. Já se tiver mais créditos, a totalidade dos encargos mensais não deve ultrapassar os 50%.

Para ganhar alguma folga orçamental, deve rever todas suas despesas mensais. Corte nos gastos considerados supérfluos, mude hábitos em casa e reveja todos os seus contratos, desde seguros até telecomunicações.

Se tem vários créditos em mãos, este pode ser o momento ideal para informar-se sobre a consolidação de crédito. O crédito consolidado pode ser uma solução para ganhar uma folga no seu orçamento, já que junta todos os créditos num só com uma prestação mais reduzida.

Além disso, pode também renegociar as condições do crédito habitação junto do seu banco. E ainda, informar-se sobre a possibilidade de transferir o seu empréstimo para outra instituição.

Lembre-se que quanto maior for a sua folga financeira, menor será o impacto da subida das taxas de juro nas suas finanças.

Leia ainda: Como acautelar a subida dos juros e poupar

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