Crédito

O crédito consolidado não é só para sobreendividados

Desengane-se se pensa que o crédito consolidado é para quem está demasiado endividado e entrou em incumprimento. O objetivo de consolidar é poupar.

Sara Fernandes Sara Fernandes , 7 Fevereiro 2020 | 2 Comentários

Consolidar créditos é ganhar um novo fôlego financeiro e não está à "mão" de quem entrou em incumprimento. O objetivo da consolidação é poupar.

O crédito consolidado é uma solução financeira que permite juntar vários créditos num só, com melhores condições e uma única prestação mensal mais baixa. Sendo que, a taxa de juro do crédito consolidado é, em regra, mais baixa do que a média das taxas de juros de todos os créditos que tinha anteriormente. 

Mas quem pensa que esta solução é para quem já não consegue cumprir com o pagamento das prestações de crédito que tem ou para aqueles que têm elevados montantes em dívida, está enganado. Quem se encontra em incumprimento com o banco e tem o seu nome na chamada “lista negra” do Banco de Portugal (Central de Responsabilidades de Créditonão reúne condições para pedir um crédito consolidado.  

Quem estiver nesta situação terá de renegociar os empréstimos diretamente com as entidades em causa até conseguir regularizar a sua situação.

A consolidação de crédito destina-se a quem tem, pelo menos, dois financiamentos - além do crédito habitação - e quer reduzir o encargo mensal com as prestações. 

Esta opção está assim acessível a todas as pessoas que têm mais do que um financiamento, mas em que a sua situação financeira não é desastrosa.

A consolidação de crédito permite, acima de tudo, gerar poupança. Este é o objetivo final deste produto. E pode usá-la de várias formas. Seja numa ótica de gerar mais poupança - através de amortizações de empréstimos a decorrer ou aplicações como depósitos, cujo risco é reduzido -, seja com o objetivo de investimento no seu futuro, o que pode passar por formação, etc.

Leia ainda: Consolidação de créditos: Saiba o que fazer com a poupança gerada

Para onde canalizar a poupança conseguida?

Com a poupança obtida ao juntar todos os seus créditos num só, pode colocar algum dinheiro de parte para ir fazendo amortizações antecipadas, por exemplo. Desse modo, vai reduzindo o capital em dívida e, por consequência, o total de juros pagos ao longo do prazo inicialmente contratado. 

Esta é também uma oportunidade para criar um fundo de emergência. Os inesperados acontecem, seja uma avaria no carro, uma emergência de saúde ou outro qualquer evento que não estava previsto no seu orçamento. Ter um fundo de emergência pode dar-lhe mais segurança e evitar uma eventual situação de incumprimento.  

E, claro, também pode aproveitar parte desse dinheiro para realizar alguns sonhos, seja uma viagem ou tirar um curso. 

O crédito consolidado não é uma solução para aqueles que já perderam a conta aos créditos que contraíram. O objetivo deste produto é dar oportunidade às famílias de ganharem uma folga orçamental para conseguirem fazer face às despesas e aumentarem a sua poupança.  

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Consolidar créditos permite reduzir taxa de esforço

Veja-se o caso do Tomás (nome fictício). Após consolidar os seus créditos conseguiu comprar um carro e ainda poupar mais de 2.500 euros por ano. Solteiro e sem filhos, tinha em mãos dois créditos - um pessoal e um cartão de crédito. O seu encargo mensal com as duas prestações era de 388,58 euros, o que correspondia a uma taxa de esforço de 34%.  

Apesar de conseguir encaixar estas despesas no seu orçamento mensal de forma desafogada, o Tomás decidiu procurar uma solução que o ajudasse a ter mais liquidez todos meses. Até porque, além de querer poupar, queria comprar um carro. E a solução passou pelo crédito consolidado.  

Depois de o fazer, o Tomás passou a pagar uma única prestação mensal de 179,34 euros, o que representa uma poupança mensal de 209,24 euros. Depois da consolidação, conseguiu comprar um carro e ainda conseguiu poupar 2.510,88 euros por ano, cumprindo os seus dois objetivos. 

Leia também: 3 questões a ter presentes quando faz um crédito consolidado

Ao Doutor Finanças têm chegado pedidos de ajuda em que as soluções de crédito consolidado permitiram poupanças significativas aos clientes. Esta solução permite uma redução do valor da prestação mensal. E esta poupança, que se traduz num alívio no orçamento familiar, pode ser aplicada de várias formas. 

Leia ainda: Como calcular a taxa de esforço de um crédito

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  • #crédito consolidado,
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5 comentários em “O crédito consolidado não é só para sobreendividados

  1. Bom dia
    Neste momento, tenho 2 creditos a habitação, um habitação própria permamente e outro secundaria.
    Como estou a pensar ir viver para o norte obde tenho a habitação secundária, gostaria de saber se posso mudar, sem alterações no spred, nem nos contratos?
    Obrigada

    1. Olá, Ester.

      Em teoria o empréstimo para habitação própria e permanente tem condições mais favoráveis do que um empréstimo para uma habitação secundária (até, por vezes, do ponto de vista de seguros, dado que uma casa permanentemente habitada tem em vários casos menos probabilidade de ocorrência de sinistros graves do que uma casa apenas ocupada temporariamente).
      Havendo alteração da finalidade da casa, em princípio deveria informar o banco de que os pressupostos tidos em conta na altura da contratação do empréstimo se alteraram… Se dessa alteração decorrem ou não alterações às condições do contrato, caberá ao banco responder (pode sondar o banco sobre o que aconteceria caso decidisse levar à frente essa mudança, por exemplo).

      Na prática, ninguém quer saber disso desde que continue a pagar as suas prestações a tempo e horas.