Finanças pessoais

Janeiro: Volatilidade aumentou e teve impacto nas carteiras de investimento

Janeiro foi marcado por uma elevada volatilidade nos mercados financeiros. E as carteiras de investimento refletiram esse contexto.

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Janeiro: Volatilidade aumentou e teve impacto nas carteiras de investimento

Janeiro foi marcado por uma elevada volatilidade nos mercados financeiros. E as carteiras de investimento refletiram esse contexto.

Depois de um ano de 2021 muito positivo para as nossas carteiras de investimento e para os mercados em geral, o ano começa com um mês bastante negativo para a maior parte das classes de activos.

Como se justifica esta queda?

Para justificar as performances dos ativos financeiros, devemos analisar o contexto económico e o próprio contexto dos mercados financeiros, que muitas vezes parece que tem uma vida própria.

A realidade é que nos últimos meses temos vindo a ter performances incríveis nos mercados financeiros ou no sector imobiliário, mas se analisarmos a economia, percebemos que não estamos a funcionar a 100% e ainda nos encontramos condicionados pela pandemia.

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Então, como podemos justificar estas performances?

Voltamos sempre a bater na mesma questão: Bancos centrais e estímulos orçamentais!

Os constantes programas de compra de ativos (financiamentos de empresas e Estados a custos muito baixos ou mesmo zero), a redução das taxas de referência e os estímulos que foram colocados na economia por parte dos governos de todo o mundo, geraram um incremento dos ativos financeiros e imobiliário, mas não tiveram correspondência na economia.

Naturalmente que este é um problema que os Bancos Centrais vão ter de resolver, porque todos estes estímulos estão a ter um efeito difícil de controlar: Inflação! A inflação acaba por afetar de uma forma mais forte ou dura, a população com menores rendimentos. Retira poder de compra, cria maiores discrepâncias entre classes sociais, gera insatisfação, condiciona o crescimento económico e “obriga” a intervenção por parte das entidades oficiais, de forma a que não se torne descontrolada.

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2022

O ano começou com um tom diferente por parte das entidades oficiais. Nos EUA, a FED (Reserva Federal Americana), finalmente, assumiu preocupação com o comportamento da inflação, referindo que se está a tornar persistente. Esta preocupação foi partilhada pelos diferentes membros que compõem o comité, sendo que já se coloca a possibilidade de uma subida mais agressiva dos juros nos EUA em dimensão e em quantidade (número de subidas este ano).

Esta abordagem e o tom com que foi efetuada, gerou instabilidade nos mercados financeiros. A volatilidade aumentou, os juros dispararam, uma vez que o mercado já está a antecipar uma subida mais forte por parte dos bancos centrais. Os mercados acionista corrigiram, sobretudo os títulos com menor consistência. O segmento obrigacionista também foi penalizado, por uma antecipação (natural) da subida de taxas de juro.

A questão que todos colocam nesta fase é perceber quantas subidas de taxa de juro iremos ter por parte dos diferentes bancos centrais e como vão reagir os diferentes Estados aos aumentos dos custos de financiamento implícitos nestas subidas anunciadas.

Importa ainda realçar que o BCE (Banco Central Europeu) é o único que se mantém firme na convicção de que as taxas de juro ainda não irão subir. Resta saber até quando ou, por outro lado, se os governadores do BCE estão cientes do caminho que estão a seguir…

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Carteiras de investimento

As carteiras de investimento analisadas pelo Doutor Finanças tiveram a pior performance desde que foram criadas (março de 2021).

Com os diversos segmentos a apresentarem quedas, os portefólios (moderado e dinâmico) apresentaram apenas dois títulos com performance positiva: o ETF de obrigações da China ( que apresenta uma politica monetária em contraciclo, uma vez que está a baixar as taxas de juro) e o ETF de ações dos mercados emergentes, que tiveram um comportamento mais positivo que os países desenvolvidos, por diferentes fatores, sendo que o principal foi o facto de já terem apresentado correções maiores do que os restantes blocos desenvolvidos.

A carteira moderada apresentou uma queda de 2,08% e a dinâmica 1,97%. Não deixa de ser um facto curioso este comportamento, embora seja justificável. O segmento obrigacionista foi o primeiro a ter uma correção, pelos motivos atrás descritos, sendo que o perfil moderado tem exposição a treasuries (20 anos) que foi dos títulos mais penalizados.

Na carteira dinâmica a exposição ao segmento acionista dos mercados emergentes, acabou por contribuir de uma forma positiva para a performance que a carteira obteve em janeiro.

Mesmo tendo em conta esta performance negativa do mês de janeiro, desde que criámos as carteiras, em março de 2021, apresentamos uma performance de 6,35% na carteira com perfil de risco moderado e 5,87% no perfil dinâmico.

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Desempenho da carteira com perfil moderado

Tabela com a composição e desempenho dos ativos que compõem a carteira de investimento com perfil moderado.
Nota: As rendibilidades apresentadas não têm em consideração custos e impostos, designadamente comissões de custódia e custos de transação. As rendibilidades líquidas seriam sempre inferiores às rendibilidades brutas apresentadas.

A composição da carteira com perfil moderado

Desempenho da carteira com perfil dinâmico

Tabela com a composição e desempenho dos ativos que compõem a carteira de investimento com perfil dinâmico.
Nota: As rendibilidades apresentadas não têm em consideração custos e impostos, designadamente comissões de custódia e custos de transação. As rendibilidades líquidas seriam sempre inferiores às rendibilidades brutas apresentadas.

A composição da carteira com perfil dinâmico

Leia ainda: Dezembro: Fim de um ciclo positivo para as carteiras de investimento

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