Orçamento Familiar

Como criar um orçamento após a compra da primeira casa?

Finalizou a compra da primeira casa, mas está preocupado com as suas finanças? Saiba como criar o seu orçamento familiar

Orçamento Familiar

Como criar um orçamento após a compra da primeira casa?

Finalizou a compra da primeira casa, mas está preocupado com as suas finanças? Saiba como criar o seu orçamento familiar

A compra da primeira casa traz consigo a necessidade de criar um novo orçamento ou readaptar o antigo. Se até então vivia em casa dos seus pais, é normal que não suportasse todas as despesas relacionadas com a habitação. E neste caso deve criar o seu primeiro orçamento familiar. Caso já vivesse numa casa alugada, pode ter um orçamento feito com os seus antigos encargos. No entanto, com a compra da primeira casa existem despesas a acrescentar ao orçamento. Logo, deve atualizá-lo para conseguir gerir corretamente as suas finanças pessoais.

De seguida, explicamos-lhe o que deve ter em conta e o que incluir no seu orçamento após a compra da primeira casa. Saiba ainda porque é que contemplar um fundo de emergência no seu orçamento pode evitar entrar em incumprimento e até ficar com o seu nome na "lista negra" do Banco de Portugal.

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Se até à compra da primeira casa vivia em casa dos seus pais, o mais provável é que ainda não tenha criado um orçamento familiar e até nem tenha noção do valor real de certas despesas.

Na realidade, até pagar certas faturas, como a da água, a luz, o gás, seguros, condomínio, despesas de saúde e alimentação, é natural que desconheça o peso que estes encargos têm num orçamento. Afinal, na maioria das casas, os pais suportam grande parte das despesas do orçamento familiar, mesmo depois dos filhos atingirem a maioridade.

Contudo, quando compra uma casa e passa a ser independente, poderá ter um choque com o custo de certos produtos e serviços. E por norma as surpresas multiplicam-se quando começa a olhar para as faturas e percebe que existem taxas associadas, que há despesas envolvidas em certos processos e serviços, e que os imprevistos comprometem, e muito, as suas finanças.

E por isso, o orçamento familiar assume um papel fundamental na hora de gerir o seu dinheiro e até de encontrar soluções para certos imprevistos. Isto porque todos os meses precisa de garantir que os seus rendimentos conseguem suportar as suas despesas, e até os imprevistos.

Idealmente, o seu orçamento é a sua linha guia. É ele que o ajuda a tomar decisões financeiras. Se olhar sempre para o seu orçamento antes de uma compra, terá noção se esse ato de consumo pode ou não colocar as suas finanças em risco.

Por outro lado, é através do seu orçamento que percebe as suas folgas financeiras. Ou seja, quanto sobra ao final de cada mês. Se no seu orçamento contemplar metas de poupança, um fundo de emergência e outros objetivos com o dinheiro que sobra, tudo será mais fácil de lidar e alcançar.

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Criar um orçamento pela primeira vez

Criar um orçamento de raiz requer fazer um mapeamento de todos os seus encargos. E quando escrevemos todos, são mesmo todos. Até os micro gastos, como cafés que bebe na rua, a comissões que paga ao seu banco, portagens, etc., devem estar descritos no seu orçamento. Pode parecer um excesso de zelo e uma tarefa extremamente aborrecida. Mas na verdade, este levantamento minucioso vai permitir-lhe saber onde está a gastar o seu dinheiro. 

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Assim, o primeiro passo é durante um mês fazer um levantamento de todas as suas despesas. É fundamental que neste processo consiga identificar todas as suas fontes de receitas, bem como todas as suas despesas fixas e variáveis ao longo do mês. Não se esqueça que existem despesas anuais que surgem em determinadas alturas do ano, como o pagamento de alguns seguros, impostos, etc. Tenha essas despesas também em consideração, pois desta forma poderá dividir o valor por todos os meses do ano e aliviar o peso desses encargos.

Após fazer este levantamento, é hora de elaborar uma tabela onde constem todas as receitas numa coluna e todas as despesas do seu agregado familiar em outras. Idealmente deve catalogar as suas despesas em categorias separadas, como gastos essenciais e não essenciais, poupanças, etc. Evite ao máximo criar uma categoria "outros". Afinal, existe a tendência de colocarmos inúmeras despesas nessa categoria, e assim ficará sem saber onde está a gastar esse dinheiro. Identifique sempre as suas despesas com uma descrição percetível.

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Exemplo de despesas de um orçamento familiar antes de comprar casa

Caso esteja com dúvidas de como fazer o seu orçamento familiar, saiba que este passo pode ser mais simples do que imagina. Vamos dar-lhe um exemplo prático, para que possa basear-se.

Num agregado familiar composto por duas pessoas que têm um total de rendimentos líquidos de 2.000 euros, o orçamento familiar poderia ser algo deste género, devidamente organizado numa tabela ou numa aplicação:

Rendimentos: 2.000 euros

  • Ordenado 1= 800 euros
  • Ordenado 2 = 1200 euros

Lista de despesas essenciais:

  • Renda - 500 euros
  • Água - 20 euros
  • Eletricidade - 30 euros
  • Gás - 25 euros
  • Telecomunicações - 49.99 euros
  • Supermercado: 250 euros
  • Seguro automóvel anual - 180 euros
  • Seguros de saúde - 70 euros
  • Crédito automóvel - 150 euros
  • Combustível - 120 euros

Total de despesas essenciais: 1394,99 euros

Lista de despesas não essenciais:

  • Alimentação fora de casa: 140 euros
  • Lazer: 90 euros
  • Comissões bancárias: 10 euros
  • Subscrições de serviços e apps: 20 euros
  • Portagens: 25 euros
  • Compras pessoais - 60 euros
  • Total de despesas não essenciais: 345 euros

Metas de poupança:

  • Fundo de emergência - 100 euros
  • Poupança para objetivo x - 100 euros

Total investido em metas de poupança 200 euros (10% do valor total do orçamento)

Valor total das despesas = 1.939,99 euros

Valor que sobrou ao final do mês = 60,01 euros.

Leia ainda: Ter uma poupança além do fundo de emergência, faz sentido?

Encargos associados à compra da primeira casa

Com a chave da nova casa na mão, vêm outras despesas que não estão contempladas no exemplo anterior. E caso esteja a pensar que basta substituir o valor da renda pelo da prestação mensal de crédito, engana-se.

Em primeiro lugar, a contratação de um crédito habitação implica a subscrição de produtos obrigatórios, como o seguro de vida do crédito habitação e o seguro multirriscos. Além disso, se optou por subscrever outros produtos em troca de baixar o seu spread, é bem provável que possam existir outras despesas mensais ou anuais.

Mas os encargos não terminam por aqui. Como proprietário de um imóvel, tem a responsabilidade de pagar impostos, como é o caso do IMI - Imposto Municipal sobre Imóveis. Isto claro se não beneficiar da isenção permanente ou temporária deste imposto. O IMI é imposto anual. No entanto, consoante o valor, ele pode ser pago em uma, duas ou três prestações. E por isso, deve contemplá-lo no seu orçamento familiar.

Outra das despesas que deve adicionar ao seu orçamento é o valor do condomínio e um montante adicional que sirva para cobrir obras ou imprevistos.

Estas são as despesas essenciais associadas à compra de uma casa, após o processo estar terminado. Ou seja, se já está na sua casa nova, já suportou todos os encargos com a entrada da casa, custos processuais e comissões bancárias, o pagamento do imposto do selo do crédito habitação, imposto do selo relativa à compra da casa, IMT, escritura da casa, etc.

A importância do fundo de emergência após a compra da primeira casa

Se nunca ouviu falar de um fundo de emergência, saiba que é essencial reservar um valor mensal no seu orçamento familiar para colocar neste fundo. E isto porque o fundo de emergência é o seu "pé de meia" para cobrir imprevistos. É a ele que pode recorrer no caso de avaria de eletrodomésticos, de despesas imprevistas com o seu carro ou imóvel, doenças, quebra de rendimentos ou até numa situação de desemprego.

Dado que a compra de uma casa implica um investimento considerável, é normal que após este processo estar terminado, as suas poupanças estejam mais fragilizadas. Por isso, quanto mais cedo começar a poupar para este fundo, mais rápido alcançará alguma estabilidade financeira.

Isto porque o fundo de emergência evita que recorra a créditos perante imprevistos. Se o seu fundo tiver uma boa quantia, não irá precisar de aumentar o seu endividamento ou agravar a sua situação financeira.

Caso esteja a perguntar-se quanto é que deve ter nesta poupança, saiba que idealmente um fundo de emergência deve cobrir todas as suas despesas essenciais durante seis a 12 meses. Este valor elevado tem o propósito de assegurar a sua qualidade de vida numa situação de desemprego involuntário ou face a outro tipo de imprevistos.

Quanto maior for o fundo de emergência, maior será a sua tranquilidade financeira. Sempre que mexer nesta poupança deve, o mais breve possível, repor o valor que retirou.

Leia ainda: Fundo de emergência: Como construir sem desequilibrar o orçamento

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