Finanças pessoais

Contabilizar encargos mensais: Como e porquê deve aceitar este desafio

Percebermos quanto e onde gastamos o nosso dinheiro pode parecer uma tarefa fácil, mas, por vezes, custa introduzi-la no nosso quotidiano.

Finanças pessoais

Contabilizar encargos mensais: Como e porquê deve aceitar este desafio

Percebermos quanto e onde gastamos o nosso dinheiro pode parecer uma tarefa fácil, mas, por vezes, custa introduzi-la no nosso quotidiano.

Sabe qual é o valor total dos seus encargos mensais e avaliar como estão distribuídos por "tipo de despesa"?

Caso a resposta seja negativa, vamos ajudá-lo a perceber a importância de saber quanto e onde gasta o seu dinheiro, bem como apresentar alguns exemplos práticos de como pode aumentar a sua poupança.

Pontapé de saída para contabilizar encargos mensais

No nosso dia a dia, deparamo-nos com um conjunto de rotinas e responsabilidades que temos de fazer, sejam elas de caráter familiar, profissional ou até mesmo de lazer. Percebermos quanto e onde gastamos o nosso dinheiro pode parecer uma tarefa fácil, mas, por vezes, custa introduzi-la no nosso quotidiano.

O ritmo diário acelerado em que vivemos dificulta encontrar o momento em que nos sentamos à mesa, refletimos e contabilizamos as nossas contas. O ideal é que tente combater este frenesim que, muitas vezes, também esconde alguma inércia.

O caminho a adotar para ter sucesso nesta missão passa por introduzir esta nova atividade diária e de um modo regular. No primeiro mês, a contabilização pode demorar um pouco mais, mas no segundo mês já terá a informação mais organizada. No terceiro mês, é expectável que já saiba alguns valores de cabeça e assim sucessivamente. Com o passar do tempo, vai demorar menos tempo a cumprir esta tarefa e vai conhecer com mais detalhe as sua finanças.

Leia ainda: Fim das moratórias. Quanto posso poupar com a revisão dos meus encargos mensais?

Qual a importância de contabilizar os seus encargos?

De um modo geral, a importância de conhecermos quanto e onde gastamos permite-nos:

  • Avaliar a nossa "folga" orçamental mensal;
  • Conhecer as categorias de custos e o seu impacto no orçamento familiar;
  • Perceber se é possivel reduzir os custos em alguma das categorias;
  • Definir uma estratégia de redução de custos com base nas prioridades que estabeleça.

O objetivo é ganhar o máximo possível de margem orçamental, tendo em vista aumentar as poupanças e direcioná-las para uma determinada finalidade, como por exemplo, criar um fundo de emergência, pagar a faculdade dos filhos ou aplicar em produtos de investimento (depósitos a prazo, certificados de aforro/tesouro, PPR, obrigações, ações, fundos de investimento, imobiliário, entre outros, em função do seu perfil de risco).

A estratégia de redução de custos deve estar alinhada com as prioridades que definiu. Poupar é importante, mas o nosso bem-estar também é igualmente importante. Se possível, devemos fazer escolhas entre o que não podemos abdicar e até onde podemos ir. Cabe a cada um de nós fazer esta análise.

Por onde começar?

Pode registar os gastos durante o mês, à medida que vão ocorrendo, ou no final do mês com recurso ao extrato bancário (não esquecer os levantamentos monetários e identificar qual o seu destino).

Importa contabilizar todas as despesas mensais e enquadrá-las em categorias. Nomeadamente, prestação da casa ou renda, seguros, água, eletricidade, alimentação, creche, universidade, restauração de lazer, ginásio, roupa e outros pequenos encargos diários. Este últimos são aqueles a que não resistimos ao longo do mês e que se tornam hábitos de consumo pela sua incorporação na rotina. No fundo, são os mais dissimulados pela pequena verba que envolvem, mas, no final do mês, podem acabar por ter um grande peso no orçamento.

Considere também as despesas anuais, tais como, propinas, imposto sobre imóveis, imposto único de circulação, inspeção técnica obrigatória, entre outros. O ideal é considerar essas despesas e incorporá-las no cálculo das despesas mensais.

Assim, pode usar ambos os métodos complementarmente: análise do extrato bancário e registo durante o mês. Se possuir um smartphone, pode utilizar o Google Keep ou o Google Sheets para registo das despesas diárias e levantamentos monetários.

É fã das aplicações para smartphones que ajudam nestas tarefas? Existe já uma oferta muito diversificada. Contudo, se não for adepto destas aplicações, opte pela simplicidade: papel e caneta ou uma folha de cálculo MS Excel ou Google Sheets, como já referimos.

Leia ainda: Crédito consolidado: este casal poupa mais de 1.000€ mensais

Mulher com uma lista de compras na mao

Contabilizar encargos: passar da teoria à prática

Vamos abordar alguns casos práticos, a título de exemplo apenas, pois, neste contexto, o planeamento depende de opções muito pessoais e cada um de nós tem de fazer a própria análise. A escolha e seleção pode não ser fácil e a sua concretização provoca quebras nas rotinas dificultando a implementação, mas pode ir fazendo aos poucos, com pequenos passos.

Habitação

Renegoceie o seu crédito habitação. Procure um especialista, nomeadamente um intermediário de crédito. Os especialistas vão ajudá-lo a encontrar as soluções para a sua situação específica de forma a aliviar o peso do crédito habitação no seu orçamento mensal.

Luz, água e gás

Uma dica relevante é desligar consumíveis que não esteja a utilizar, nomeadamente, sistemas de ar condicionado, aquecedores e iluminação. Sabia que a ERSE - Entidade Reguladora dos Serviços Energético - possui um simulador online? Tenha uma fatura à mão e faça a simulação junto do regulador do setor.

Quanto à água e ao gás natural, aplica-se o mesmo princípio da utilização sem desperdicio. Nomeadamente, conswguindo evitar banhos longos ou de imersão e lavar os dentes ou fazer a barba com a torneira aberta. Pode instalar redutores de caudal nas torneiras ou regressar à mítica "garrafa de água no interior do autoclismo".

Alimentação

Esta categoria é muito susceptivel à compra impulsiva. Afinal de contas, quem não gosta de ter uma despensa bem recheada? Contudo, é possível não ceder a tentações e com planeamento, organização e disciplina ter essa despensa de sonho. Se não precisa, não compre. Possivelmente, é um produto que vai acabar no fundo da despensa, passar de validade ou acabar no lixo (como tantas vezes acontece com pacotes de frutos secos ou de bolachas que ficam abertos durante semanas).

Faça uma lista de compras com o que necessita. Esteja atento às promoções, compare preços por unidade de medida (€/litro ou €/kg), evite desperdício. E porque não fazer algumas refeições vegetarianas durante a semana? É saudável e diversifica a alimentação.

Se possível, leve marmita para o trabalho. Também é benéfico, afinal requer apenas um pouco mais de planeamento semanal (e se forem comidas "de tacho" facilita bastante).

Em termos de refeições de restaurante, existem serviços de combate ao desperdício alimentar, quer na restauração, quer nos legumes e frutas. Como tal, pondere adquirir produtos de qualidade a preços mais em conta. Os mercados tradicionais podem ser ótimas alternativas.

Viatura própria

Se utiliza a viatura própria sozinho, passar a usar transportes públicos pode ser uma boa opção. Por outro lado, se abdica do atendimento presencial no contacto com as seguradoras, estude a hipótese de realizar umas simulações em seguradoras low-cost. Compare as ofertas e os preços, mas sobretudo, as coberturas pois pode concluir que não compensa pagar menos.

Deve considerar se se justifica e se é realmente necessário possuir viatura própria. Tenha presente o custo de aquisição inicial, os custos anuais (IUC, seguro, inspeção técnica periódica, manutenção) e os custos de depreciação do bem.

Vestuário

Esta categoria, a par com a alimentação, é muito permeável ao impulso. Mesmo que a t-shirt tão cobiçada e compada a um preço simpático vá ficar "perdida" no roupeiro até ao dia em que nos depararmos com essa peça e pensamos "nem me lembrava que tinha isto...". Defina uma quantidade de peças adequada às suas reais necessidades e opte por comprar quando precisa de substituir uma peça de roupa que já não está em condições.

Encargos com hábitos diários

Reflita nos hábitos diários que o levam a consumir produtos de valor relativamente baixo, mas que no valor acumulado mensal podem representar uma verba considerável. Dentro desta categoria, destacam-se produtos como o tabaco, as bebidas alcoólicas e os pequenos-almoços ou lanches consumidos fora de casa. Na verdade, deve mesmo fazer um esforço para diminuir ou evitar estes hábitos, é o ideal.

Leia ainda: Consolidação de créditos: Saiba o que fazer com a poupança gerada

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