Imagem representativa do stress após investir numa opção pouco rentável

Começar a investir é um passo que vem, muitas vezes, acompanhado de entusiasmo. No entanto, é importante que esse entusiasmo não se transforme em decisões precipitadas que podem comprometer os resultados.

Se é verdade que não é preciso ser um especialista em mercados financeiros, também é verdade que o conhecimento é essencial para tomar melhores decisões. Por isso, conheça alguns erros comuns de quem está a começar a investir, para que os possa evitar e tirar o melhor partido do seu dinheiro.

1. Investir dinheiro de que pode precisar no curto prazo

Antes de investir, é importante garantir que tem como continuar a fazer face às despesas diárias e a qualquer gasto imprevisto que possa surgir.

Assim, deve fazer um orçamento para as despesas correntes e criar um fundo de emergência para eventuais gastos inesperados. Desta forma, garante que não vai estar a investir dinheiro de que pode precisar no curto prazo.

Se não o fizesse, podia ficar numa situação complicada quando precisasse desses montantes. Em alguns produtos, pode mesmo ser impossível resgatar o dinheiro investido antes do fim do prazo acordado.

Noutros, o resgate até pode ser possível, mas está dependente do pagamento de comissões por reembolso antecipado.

Pode ainda dar-se o caso de o produto permitir movimentar o dinheiro em qualquer momento. No entanto, pode precisar do dinheiro numa altura em que o investimento está a desvalorizar, o que o obriga a assumir essas perdas.

É por isso que só deve investir o dinheiro de que não vai precisar no curto prazo. Caso contrário, pode deixar de conseguir aceder ao capital ou comprometer a rentabilidade dos seus investimentos.

2. Não compreender onde está a pôr o dinheiro

Não é preciso ser especialista em mercados financeiros para começar a investir, mas isso não significa que deva avançar sem conhecer os produtos em que vai colocar o seu dinheiro.

Se não compreende como um determinado instrumento funciona e quais os riscos que lhe estão associados, o melhor é mesmo não avançar e procurar algo em que se sinta mais à vontade. Caso contrário, pode estar a abrir a porta ao stress, à ansiedade e a decisões precipitadas.

Aqui, é importante realçar a importância de não seguir tendências só porque sim. Não deve investir em algo só porque as pessoas próximas de si ou aquelas que vê nas redes sociais estão a fazê-lo. Antes de avançar, conheça o seu perfil de investidor e defina os seus objetivos.

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3. Investir tudo no mesmo ativo

A diversificação é uma das boas práticas nos investimentos. Desta forma, o desempenho positivo de alguns investimentos pode ajudar a compensar o desempenho negativo de outros.

Pelo contrário, quando não o faz, o risco aumenta, uma vez que toda a sua carteira está focada num único ativo ou numa única empresa. A diversificação pode ser feita por tipo de ativo, empresa, setor ou área geográfica.

Alguns instrumentos financeiros, como os ETF, permitem diversificar com pouco dinheiro. Em vez de ter de comprar individualmente ações de várias empresas, pode investir num fundo negociado em bolsa que replica um índice composto por várias empresas.

4. Ignorar custos e comissões

Comissões de compra, venda, custódia ou gestão podem afetar o rendimento final de um investimento. Alguns investidores olham apenas para o rendimento potencial bruto de um investimento sem considerar os custos e comissões que lhe estão associados.

No fim, acabam a receber menos do que aquilo que esperavam ou a ter de reajustar a carteira para conseguirem alcançar os objetivos que tinham definidos.

Atualmente, existem várias formas de investir, seja através dos bancos tradicionais, da banca de investimento, das corretoras tradicionais ou de plataformas digitais.

Cada intermediário pode cobrar comissões diferentes pelas transações. Isto não significa que deva escolher necessariamente a opção com as comissões mais baixas (o nível de serviço do intermediário e os instrumentos que permite negociar também são fatores a considerar), mas deve sempre analisar este ponto antes de avançar.

Além disso, deve considerar os custos do próprio produto. Por exemplo, dois ETF semelhantes podem ter taxas de custos correntes (TER, na sigla em inglês) diferentes. Esta comissão é deduzida todos os anos diretamente do património do fundo. Por exemplo, num investimento de 10 mil euros, uma TER de 0,2% corresponde a 20 euros por ano.

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5. Deixar as emoções tomarem conta das decisões

Gerir os investimentos é, ao mesmo tempo, gerir as emoções. O mercado tem oscilações ao longo do tempo e é essencial manter a cabeça fria para tomar as melhores decisões em cada momento.

Comprar num momento de euforia pode revelar-se uma má estratégia, já que pode estar a investir num ativo sobrevalorizado que pode cair pouco tempo depois.

Da mesma forma, também deve evitar vender em pânico logo à primeira quebra que o investimento tenha. Os altos e baixos são normais. Nenhum ativo está em valorização constante, pelo que deve partir para esta jornada preparado para enfrentar períodos de desvalorização. Nesses momentos, é importante não perder de vista os objetivos e o horizonte temporal definidos para o investimento.

6. Querer enriquecer rapidamente

Investir não é enriquecer de um dia para o outro, mas pode ser uma ferramenta para conseguir alcançar objetivos no futuro. Ter esta mentalidade vai permitir-lhe tomar decisões mais conscientes e racionais.

Pelo contrário, se alguém lhe prometer lucros rápidos e garantidos em pouco tempo, o melhor é desconfiar, uma vez que não existem retornos elevados sem riscos associados.

Ao mesmo tempo, querer lucros rápidos pode levar a alguns dos erros de que falámos acima, como investir dinheiro de que pode vir a precisar no curto prazo ou aplicar o dinheiro em produtos que não compreende e que não vão ao encontro do seu perfil.

Perguntas frequentes

Investir é aplicar dinheiro em algo – como ações, depósitos, fundos ou imóveis – com a expectativa de receber mais no futuro. O objetivo pode ser aumentar o valor aplicado ou receber rendimentos, como juros ou dividendos. Investir é uma forma de fazer o dinheiro “trabalhar” para si, em vez de ficar parado.

O perfil de investidor é um “diagnóstico” de quem somos perante investimentos, tendo em consideração a nossa idade, capacidade de lidar com perdas e os nossos objetivos. O perfil de investidor serve para nos ajudar a definir a estratégia e a composição da nossa carteira de investimentos.

Há quatro tipos de perfis de investidor:

  • Defensivo: É um investidor que tem muito receio de perder parte do seu capital e, por isso, não deve correr riscos;
  • Moderado: É alguém que está disponível para correr alguns riscos, mas estes têm de ser limitados;
  • Dinâmico: É um investidor que procura alcançar rendibilidades superiores às taxas de juro sem risco, estando disposto a assumir perdas de capitais moderadas;
  • Arrojado: Procura alcançar rendibilidades significativamente superiores às taxas de juro sem risco, estando disposto a assumir elevadas perdas de capital.

É qualquer produto em que se pode investir dinheiro esperando que cresça ou gere rendimento. Exemplos: ações, obrigações, depósitos a prazo, fundos de investimento ou certificados de aforro. Cada ativo tem características, riscos e potenciais de rendimento diferentes.

As ações representam uma parte do capital social de uma empresa. Assim, ao investir nestes ativos, torna-se acionista e passa a ter direito a receber dividendos, o valor pago aos acionistas quando a empresa tem lucro.

Os exchange traded funds (ETF) são fundos de investimentos negociados em bolsa e que seguem um cabaz de ativos, como ações, obrigações ou matérias-primas. Permitem ter exposição a empresas de diferentes setores, países ou regiões sem ter de comprar ações ou obrigações de cada empresa.

Sim, desde que a plataforma seja regulada e cumpra regras de proteção ao investidor. Isto apesar de o investidor poder perder dinheiro em investimentos sem garantia de capital.

Comissões de compra e venda, custódia, câmbio e eventuais custos de inatividade.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

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