Imagem representativa de investimentos de baixo valor

Quando se pensa em produtos de preparação financeira para a reforma, o que vem mais imediatamente à cabeça é o Plano Poupança Reforma (PPR). A possibilidade de reforçar pequenos montantes mensalmente, as deduções à coleta e a tributação mais favorável são, sem dúvida, alguns pontos fortes.

Mas este não tem de ser o único instrumento de poupança para a reforma. Mesmo que não tenha grandes quantias disponíveis, há outros produtos em que também pode investir pouco dinheiro para começar a preparar os anos que se seguem à vida ativa.

O importante é garantir que a escolha vai ao encontro do seu perfil e dos seus objetivos.

Certificados de Aforro

Os certificados de aforro são instrumentos de dívida pública geridos pelo IGCP (Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública). No fundo, quando subscreve este produto, está a emprestar dinheiro ao Estado português.

O capital é garantido, o que significa que não há o risco de perder dinheiro. No final do prazo (ou antes, desde que tenha decorrido o período mínimo de investimento), recebe o montante investido e os respetivos juros.

As subscrições iniciais começam nos 100 euros e os reforços têm o limite mínimo de 10 euros, o que significa que não precisa de muito dinheiro para fazê-lo.

Os juros são calculados trimestralmente e estão associados à Euribor a três meses, embora não possam ultrapassar os 2,5%. Acrescem ainda prémios de permanência, que evoluem no tempo entre os 0,25% e os 1,75%.

É ainda importante referir que os certificados de aforro beneficiam da capitalização de juros. Ou seja, de cada vez que os juros são calculados, o valor é somado ao montante acumulado e é sobre esse novo valor que vão incidir os juros seguintes.

O período mínimo de permanência é de três meses e o máximo é de 15 anos. Se ainda não tiver atingido a reforma nessa altura, pode reinvestir o valor recebido em novos certificados de aforro ou noutro produto que se adeque ao seu perfil e objetivos.

Certificados do Tesouro

Tal como os certificados de aforro, são geridos pelo IGCP e são uma forma de emprestar dinheiro ao Estado e receber juros por isso. Apesar de também serem uma forma de investir com pouco dinheiro e com capital garantido, exigem montantes maiores do que os certificados de aforro, já que o investimento mínimo é de mil euros.

Têm um período mínimo de permanência de um ano e um prazo máximo de 10 anos. A forma de cálculo dos juros também é diferente. A taxa para cada ano é conhecida à partida e não depende da evolução de qualquer indicador económico:

  • 1.º ano: 2,35%
  • 2.º ano: 2,45%
  • 3.º ano: 2,45%
  • 4.º ano: 2,65%
  • 5.º ano: 2,65%
  • 6.º ano: 2,75%
  • 7.º ano: 2,75%
  • 8.º ano: 2,85%
  • 9.º ano: 2,85%
  • 10.º ano: 3,35%

Ao contrário do que acontece nos certificados de aforro, estes não têm prémio de permanência. Outra diferença é não haver capitalização de juros. Em vez disso, os juros são calculados anualmente e imediatamente transferidos para a conta bancária associada.

Leia ainda: Certificados de Aforro e do Tesouro: Quais as diferenças?

Seguros de capitalização

Os seguros de capitalização são produtos financeiros que permitem constituir uma poupança através de uma entrega única ou de entregas regulares e extraordinárias, consoante as condições de cada produto. Apesar de terem a forma jurídica de um seguro de vida, o objetivo principal é acumular e valorizar dinheiro ao longo do tempo.

Existem seguros de capitalização com e sem capital garantido. Nos primeiros, o montante investido está protegido e existe uma remuneração definida nas condições do produto.

Já nos seguros sem capital garantido, normalmente associados a unit-linked, o dinheiro fica exposto à evolução dos ativos financeiros em que é aplicado e, por isso, há risco de perda de capital. Por isso, deve perceber que risco quer assumir e quais são as condições do produto.

Além disso, tenha atenção às comissões de subscrição e de resgate, sobretudo se existir a possibilidade de precisar do dinheiro antes do prazo previsto. Estes custos podem reduzir o rendimento obtido e as condições de resgate variam consoante o seguro.

ETF

Os ETF (exchange traded funds) são fundos de investimento negociados em bolsa. Em vez de investir diretamente em cada ativo, compra unidades de participação de um fundo que acompanha um determinado conjunto de ativos.

E há muitas possibilidades. Um ETF pode dar exposição a ações, obrigações ou outros ativos. Pode, por exemplo, acompanhar um índice composto por centenas de empresas ou uma carteira de obrigações. Desta forma, um único investimento pode dar-lhe exposição a vários ativos, setores ou regiões.

Esta diversificação pode ser especialmente útil quando está a investir com pouco dinheiro. Em vez de ter de comprar individualmente ações ou obrigações de várias entidades, pode comprar unidades de participação de um fundo que agrega vários desses ativos.

A escolha deve, contudo, estar alinhada com o seu perfil. Um ETF de ações e um ETF de obrigações não têm necessariamente o mesmo nível de risco, pelo que deve perceber primeiro em que ativos o fundo investe.

Se o objetivo é investir para a reforma durante vários anos, há ainda uma distinção que pode ser relevante. Nos ETF de distribuição, os rendimentos gerados são pagos periodicamente aos investidores. Nos ETF de acumulação, esses rendimentos são reinvestidos no próprio fundo, permitindo aproveitar o efeito de capitalização.

Leia ainda: O que considerar na hora de escolher um ETF?

Fundos de investimento

Os fundos de investimento juntam o dinheiro de vários investidores num património comum, que é depois aplicado numa carteira de ativos e gerido por profissionais. Ao investir, fica com unidades de participação correspondentes ao montante aplicado.

Tal como acontece com os ETF, há fundos com características muito diferentes. Os fundos mobiliários podem investir, por exemplo, em ações, obrigações e outros valores mobiliários, enquanto os fundos imobiliários investem sobretudo em imóveis.

Uma das principais vantagens é precisamente a diversificação. Mesmo com um montante relativamente reduzido, pode ter exposição a vários ativos através de um único fundo, beneficiando ao mesmo tempo de uma gestão profissional.

Esta é, aliás, uma das principais diferenças relativamente à maioria dos ETF, que segue uma estratégia de gestão passiva, procurando replicar o desempenho de um índice ou de um conjunto de ativos. Por isso mesmo, os custos de gestão de um fundo de investimento tradicional tendem a ser superiores aos de um ETF.

Ainda assim, essa gestão ativa não elimina o risco. A maioria dos fundos não tem capital garantido, pelo que o valor das unidades de participação pode subir ou descer e pode perder parte ou a totalidade do dinheiro investido.

Antes de escolher, tenha ainda atenção às comissões de subscrição, resgate e gestão, quando existam, uma vez que os custos têm impacto no resultado do investimento. Deve também perceber onde o fundo investe e se o nível de risco é compatível com o seu perfil e com o tempo que falta até à reforma.

Qual a melhor opção?

Quando se fala de investimentos não há uma resposta definitiva sobre qual a melhor opção. A decisão sobre qual o melhor produto em que investir deve sempre ter em conta o perfil e os objetivos de cada pessoa.

No caso da poupança para a reforma, é importante cruzar o montante que deseja acumular com o nível de risco que consegue suportar.

Além disso, é sempre possível ir ajustando os investimentos às diferentes fases da vida e ao tempo que falta para a reforma. Pode, por exemplo, começar com algo mais arriscado e potencialmente mais rentável e, mais perto da idade da reforma, aplicar a quantia acumulada num produto de capital garantido ou com pouco risco.

Perguntas frequentes

O PPR é produto financeiro de poupança a médio e longo prazo, criado para acumular capital que será utilizado na reforma, mas também pode ser resgatado noutras situações.

Pode assumir a forma de fundo de investimento ou de seguro, permitindo ao titular fazer entregas periódicas ou únicas.

O valor mínimo para a subscrição inicial dos certificados de aforro é de 100 euros. Os reforços podem ter um valor mínimo de 10 euros.

O valor mínimo para a subscrição inicial dos certificados do tesouro é de 1.000 euros.

Os exchange traded funds (ETF) são fundos de investimentos negociados em bolsa e que seguem um cabaz de ativos, como ações, obrigações ou matérias-primas. Permitem ter exposição a empresas de diferentes setores, países ou regiões sem ter de comprar ações ou obrigações de cada empresa.

Não. Existem seguros de capitalização com capital garantido, nos quais o montante aplicado está protegido, e outros sem essa garantia. Neste último caso, o valor do investimento pode variar de acordo com a evolução dos ativos aos quais está associado, existindo risco de perda de capital.

Sim. A maioria dos fundos de investimento não tem capital garantido. Como o valor das unidades de participação depende da evolução dos ativos que compõem a carteira, o investimento pode valorizar ou desvalorizar. Por isso, é importante escolher um fundo com um nível de risco adequado ao seu perfil e ao horizonte de investimento.

Depende de três fatores: os seus objetivos, o seu prazo e o seu perfil de investidor. Produtos simples, como ETF globais, fundos diversificados ou PPR, costumam ser boas portas de entrada.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

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