Quem começa a procurar casa para comprar deve considerar mais do que o valor anunciado. Mesmo conseguindo negociar com o vendedor, as despesas vão além do preço final acordado.
Sobretudo quando se recorre ao crédito, há que contar com o total de juros que vão ser pagos e com as comissões. E mesmo quem tem a capacidade de pagar a casa a pronto tem de pagar impostos e registos.
Afinal, quanto custa comprar uma casa? Saiba que custos deve considerar e veja ainda a simulação para um imóvel de 300 mil euros a pagar em 35 anos, com taxa de juro média de 3,5%.
Juros do crédito
Começamos por uma das parcelas mais importantes e que mais influencia o custo final das casas compradas com recurso a crédito.
Não há um valor universal que quantifique o peso que os juros têm no preço final do imóvel, uma vez que esse montante é influenciado por vários fatores, como o valor do empréstimo, o tipo e o valor da taxa e o prazo do contrato.
É pela combinação destas variáveis que se calcula o valor final dos juros no empréstimo. Individualmente, o impacto de cada uma é o seguinte:
- Valor do empéstimo: empréstimos mais altos pagam mais juros, uma vez que a taxa incide sobre um valor maior;
- Tipo e valor da taxa de juro: as taxas fixas e mistas oferecem previsibilidade durante a totalidade ou parte do contrato. Uma taxa variável indexada à Euribor pode subir ou descer ao longo do contrato. A escolha do consumidor vai ter impacto no montante de juros que vai pagar;
- Prazo do contrato: contratos mais curtos têm prestações mais altas, mas pagam menos juros, já que a taxa vai ser aplicada durante menos tempo. O contrário acontece com contratos mais longos, que têm prestações mais baixas, mas mais juros.
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Comissões bancárias
É outro custo a somar à compra de casa com crédito. Aqui, há que contar com três comissões: estudo, avaliação e formalização.
Comissão de estudo
Também pode ser apresentada como comissão de dossiê ou comissão de análise. Serve para pagar os custos relacionados com a análise na concessão do crédito e é cobrada mesmo que o crédito não seja aprovado. Dependendo da instituição, tem valores a rondar os 200 ou 300 euros.
Comissão de avaliação
Quando faz um crédito, um perito independente tem de avaliar o imóvel. Esta comissão serve para cobrir precisamente esses custos. Tal como a comissão de estudo, é devida independentemente da formalização do crédito e ronda os 200 ou 300 euros.
Comissão de formalização
É uma comissão cobrada quando se celebra o contrato de crédito habitação e serve para pagar os gastos administrativos e burocráticos. O valor ronda os 200 euros.
A todas estas comissões acresce imposto do selo de 4%.
Impostos
Os impostos são outra parte importante no custo total de uma casa, sobretudo o Imposto Municipal Sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT). Mas além deste, há outros a considerar, como o imposto do selo sobre a aquisição e o imposto do selo sobre o valor financiado quando há crédito habitação.
IMT
Sempre que compra uma casa, tem de pagar este imposto ao Estado. A taxa de imposto depende do valor e da finalidade do imóvel (habitação própria permanente ou habitação secundária).
O imposto incide sobre o maior entre o valor do negócio e o Valor Patrimonial Tributário. Os jovens até aos 35 anos estão totalmente isentos quando esse valor não ultrapassa o quarto escalão do IMT e desde que estejam a comprar a primeira casa para habitação própria permanente. Em 2026, o limite está nos 330.539 euros.
Imposto do selo sobre a aquisição
É de 0,8% e, tal como o IMT, incide sobre o maior entre o valor de negócio e o Valor Patrimonial Tributário (VPT). Mais uma vez, os compradores que tenham até 35 anos não têm de pagar este imposto se estiverem a comprar a primeira casa para habitação própria permanente.
Imposto do selo sobre o crédito
Outro imposto diretamente relacionado com a compra de casa é o imposto do selo sobre o crédito. Isto, claro, quando se recorre a financiamento bancário. A taxa de imposto depende do prazo do contrato:
- 0,04% por mês para prazos inferiores a um ano;
- 0,5% para prazos superior a um ano e inferiores a cinco anos;
- 0,6% para prazos a partir de cinco anos
O imposto incide sobre o valor que o banco empresta. Ou seja, quanto mais dinheiro se pede, mais se paga.
Registos e emolumentos
A formalização legal da transação do imóvel também tem custos: a escitura de compra e venda. Estes registos podem ter valores diferentes, consoante o sítio onde sejam feitos.
No caso dos cartórios ou notários há que contar com o pagamento de honorários. Para tentar facilitar o processo junto dos clientes, alguns bancos disponibilizam o registo através de Documento Particular Autenticado e o serviço inclui logo o pagamento de advogado ou solicitador. O valor depende sempre do banco, mas pode chegar aos 900 euros.
Outra opção é recorrer ao balcão Casa Pronta. Aqui, paga 375 euros se registar apenas a aquisição e 700 euros se registar a aquisição e a hipoteca.
Também no pagamento dos emolumentos há isenção para os jovens até aos 35 anos, embora tenham sempre de pagar os honorários. Se usarem a modalidade Casa Pronta pagam 150 euros para registar a aquisição e 250 euros para registar a aquisição e a hipoteca.
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Seguros de vida e multirriscos
Incluímos os seguros porque sem eles o banco não concede o empréstimo. Não é obrigatório fazê-los na seguradora sugerida pela instituição, mas é preciso apresentar seguros que cumpram os requisitos mínimos pedidos pelo banco.
Seguro de vida
Este seguro garante o pagamento do imóvel em caso de morte ou invalidez da pessoa segura. O capital seguro deve ser igual ao valor em dívida, sendo este um dos fatores que vai influenciar o preço do seguro. Os outros são as coberturas escolhidas e a idade.
Seguro multirriscos
O seguro multirriscos protege contra perdas e danos na habitação. O capital seguro deve ser igual ao custo de reconstrução do imóvel. O preço a pagar pelo seguro pode ser influenciado por variáveis como o tipo de imóvel, a localização, andar do apartamento ou o tipo de utilização.
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Quanto custa comprar uma casa de 300 mil euros?
Como já terá dado para perceber, não há uma resposta única para quanto custar comprar uma casa, seja de que valor for. Há muitas variáveis em jogo e é a conjugação de todas elas que vai determinar o custo total.
Por isso, não podemos dizer taxativamente que comprar uma casa de 300 mil euros custa isto ou aquilo. No entanto, podemos fazer um exercício para mostrar como todos os fatores em conjunto influenciam as despesas totais e como o custo total pode ficar bem acima do valor do negócio.
Vamos apresentar simulações para três cenários
- Pessoa sem isenção de impostos ou emolumentos;
- Jovem com menos de 35 anos que pediu a isenção de impostos e emolumentos;
- Jovem com menos de 35 anos que recorreu à garantia pública e pediu a isenção de impostos e emolumentos.
Os valores a considerar são:
- Preço da casa: 300.000 euros
- Empréstimo: 240.000 euros (300.000 euros no caso da garantia pública)
- Prazo: 35 anos
- Taxa de juro média: 3,5%
- Anuidade dos seguros (média): 1.000 euros
Sem isenções | Com isenção de impostos e emolumentos | Com garantia pública e isenção de impostos e emolumentos | |
Imóvel | 300.000€ | 300.000€ | 300.000€ |
Juros | 176.597€ | 176.597€ | 220.746€ |
Comissões | 750€ | 750€ | 750€ |
IMT | 10.542€ | 0€ | 0€ |
Imposto do selo sobre aquisição | 2.400€ | 0€ | 0€ |
Imposto do selo sobre crédito | 1.440€ | 1.440€ | 1.800€ |
Registos (Casa Pronta) | 700€ | 250€ | 250€ |
Seguros durante o contrato | 35.000€ | 35.000€ | 35.000€ |
Total | 527.429€ | 514.037€ | 558.546€ |
No entanto, se contabilizarmos apenas as despesas iniciais (entrada, comissões, impostos, registos e primeira anuidade dos seguros), os custos são os seguintes:
- Sem isenções: 76.832 euros
- Com isenção de impostos e emolumentos: 63.140 euros
- Com garantia pública e isenção de impostos e emolumentos: 3.800 euros
E o IMI? Não conta para a despesa na compra de casa?
Apesar de o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) passar a ser uma despesa a partir do momento em que compra casa, ele não é devido pelo facto de comprar um imóvel, mas sim por ter um imóvel.
Mesmo quando acabar de pagar a casa tem de continuar a pagar o IMI. Foi também por isso que só contabilizámos os seguros durante o período do contrato. Isto porque são exigidos pelo banco, mas podem ser cancelados quando o empréstimo estiver pago (exceto o multirriscos nos apartamentos).
Em relação ao IMI, cada município define a taxa a aplicar anualmente, dentro dos limites estabelecidos por lei. A taxa pode variar entre 0,3% e 0,45% para prédios urbanos. Pode fazer o cálculo recorrendo ao Simulador de IMI do Doutor Finanças.
Perguntas frequentes
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Taxa fixa: prestação constante ao longo do contrato.
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Taxa variável: prestação varia consoante a Euribor.
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Taxa mista: começa com taxa fixa e depois passa a variável.
A prestação é influenciada por vários fatores, tais como: montante em dívida, da taxa de juro (spread + indexante), do prazo do contrato e tipo de taxa (fixa, variável ou mista).
Pode utilizar este simulador. Com base no montante de financiamento, prazo e taxa de juro, a calculadora estima o valor da prestação mensal do crédito habitação. É uma ferramenta útil para perceber o impacto das condições do empréstimo no seu orçamento.
A maioria dos bancos exige uma entrada mínima de 10% a 20% do valor de compra, mas existem exceções, como o Crédito Habitação Jovem ou a aquisição de imóveis que pertençam ao banco que concede o empréstimo.
É uma comissão que serve para pagar os custos relacionados com a análise na concessão do crédito. É cobrada mesmo que o crédito não seja aprovado.
É uma comissão que serve para cobrir os custos de avaliação do imóvel por um perito independente.
É uma comissão cobrada quando se celebra o contrato de crédito habitação e serve para pagar os gastos administrativos e burocráticos.
O apoio à compra de habitação jovem é uma garantia dada pelo Estado de forma a cobrir a percentagem do valor do imóvel não financiada pelo banco. Desta forma, os jovens podem conseguir 100% de financiamento, não necessitando, assim, de capitais próprios para a entrada. Além disso, há isenção de IMT, emolumentos e imposto do selo.
Jovens até aos 35 anos, independentes para efeitos de IRS, ficam isentos do pagamento de IMT na compra da sua primeira habitação própria e permanente, se o valor do imóvel não superar o quarto escalão do IMT. Para imóveis cujo valor se insira no quinto escalão do imposto, a isenção é parcial. Os jovens não podem ser proprietários ou coproprietários de um segundo imóvel ou parcela de imóvel, nem ter sido nos últimos três anos.
A garantia pública no crédito é uma garantia dada pelo Estado para a percentagem do valor do imóvel não financiada pelo banco, permitindo que os jovens até aos 35 anos consigam financiamento a 100% para a compra da sua primeira casa. Para aderir, basta dirigir-se ao banco, confirmar se é aderente, e tratar do processo normalmente, como num crédito habitação comum.
Continuam a ser devidos o imposto do selo sobre o valor financiado pelo banco, as comissões bancárias (estudo, avaliação e formalização) e os seguros obrigatórios na contratação do empréstimo (vida e multirriscos).
Os principais passos são:
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Avaliar a capacidade financeira e definir um orçamento.
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Escolher a localização e o tipo de imóvel pretendido.
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Procurar imóveis e agendar visitas.
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Pedir simulações e obter uma pré-aprovação de crédito habitação (se aplicável).
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Fazer uma proposta e negociar o preço do imóvel.
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Assinar o Contrato Promessa de Compra e Venda (CPCV).
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Formalizar o crédito junto do banco (se aplicável).
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Assinar a escritura pública.
O Imposto Municipal sobre Transações onerosas de impostos – IMT (sem valor fixo), o Imposto do Selo relativo à aquisição do imóvel (0,8% do valor da escritura do imóvel) e o Imposto do Selo relativo ao crédito habitação (0,6% do valor financiado).
O IMT é um imposto pago ao Estado aquando da compra de um imóvel. Aplica-se à maioria das transmissões onerosas de imóveis e deve ser liquidado antes da escritura. O valor depende do tipo de imóvel, do valor de aquisição e da finalidade (habitação própria permanente ou secundária).
