Imagem representativa de aumento e dinheiro

A Euribor continua a subir e vai agravar as prestações atualizadas em agosto, com primeiro pagamento do novo valor a partir de setembro. No prazo de três meses, a taxa de julho subiu 0,85 pontos percentuais em relação à de junho, para 2,425%.

Já as Euribor a seis e 12 meses sofreram aumentos menos acentuados (de 0,051 e 0,057 pontos percentuais), mas estão em valores superiores ao indexante trimestral. O prazo de seis meses fechou julho nos 2,647% e a Euribor a 12 meses já está nos 2,855%.

Em alguns contratos, o agravamento da prestação pode superar os 80 euros. Num cenário destes, a busca por alternativas mais baratas é essencial para muitas famílias.

Saiba o que esperar até ao final do ano para tomar a melhor decisão em relação ao seu crédito.

Euribor nestes valores estava fora das previsões

Recorremos ao histórico da casa para recordar como o atual cenário de taxas de juro estava longe das previsões dos especialistas e do mercado. Num artigo publicado em dezembro de 2025, procurámos perceber o que se podia esperar das taxas de juro em 2026.

Na altura, os mercados não esperavam grandes oscilações para este ano e antecipavam que a Euribor a três meses terminasse o ano nos 2,05%. Já na Euribor a seis meses a perspetiva era de que caminhasse para um final de ano nos 2,17%.

Também nesse artigo deixávamos a ressalva de que todas as previsões deviam ser vistas “com as devidas cautelas, uma vez que a realidade pode mudar devido a eventos políticos ou económicos, por exemplo”.

E foi isso mesmo que aconteceu a partir do final de fevereiro. A guerra no Médio Oriente agravou o preço do petróleo, que se alastrou para outras áreas da economia e levou a um aumento da inflação.

O efeito fez-se sentir na Euribor logo em março, quando todas os prazos registaram aumentos relevantes.

Prestações continuam a subir

Com a subida da Euribor vem também a subida da prestação do crédito habitação para quem tem contrato com taxa variável. Apesar da perda de peso nos últimos anos, os créditos com taxa variável ainda representam 48% do total de empréstimos para habitação própria permanente, de acordo com os dados do Banco de Portugal.

O aumento da prestação vai sempre depender do montante em dívida, do prazo do empréstimo, do spread e, claro, do indexante escolhido.

Além disso, é importante reforçar que o aumento da Euribor de julho não vai impactar todos os contratos de crédito habitação, mas apenas aqueles que têm a revisão em agosto, cuja nova prestação começa a ser paga em setembro.

Fizemos as contas para um montante em dívida de 200 mil euros, a pagar em 30 anos, com spread de 0,7%.

Também pode simular o seu caso no Simulador da variação da Euribor no Crédito Habitação.

Euribor 3 meses

Num contrato com Euribor a três meses, a prestação passa de 829,82 euros para 856,79 euros. É uma diferença de 26,98 euros relativamente às prestações pagas em junho, julho e agosto. No final do trimestre, são mais 80,94 euros.

Euribor 6 meses

Para um contrato indexado à Euribor a seis meses, o aumento é maior. São mais 55,39 euros, de 825,67 euros para 881,07 euros. São mais 332,24 no próximo semestre de pagamentos.

Euribor 12 meses

Este é o tipo de contrato que sofre o maior aumento, mas também é aquele que não atualizava a prestação há mais tempo.

Depois de no ano passado ter visto a prestação baixar fruto da descida da Euribor a 12 meses de julho de 2024 para julho de 2025, este crédito sofre um aumento mensal de 84,68 euros, de 819,57 euros para 904,25 euros.

Se nada for feito (como renegociação ou transferência), são mais 1.016,16 euros anuais.

Leia ainda: A taxa variável vai mexer com a minha prestação?

Esperam-se mais aumentos nos próximos meses

O caminho ascendente da Euribor não deverá ficar por aqui. À data em que escrevemos o artigo, os mercados antecipam que, no início de 2027, o indexante a três meses ronde os 2,79% e a Euribor a seis meses os 2,96%.

Por isso, quem vê a prestação subir agora ainda pode esperar mais aumentos nas próximas revisões, sobretudo se o contrato tiver Euribor a três ou seis meses.

Ao mesmo tempo, também se espera que o Banco Central Europeu mexa nas taxas de juro de referência em breve. Depois de ter mantido tudo na mesma em julho, o BCE deve voltar a subir os juros já em setembro.

É pelo menos essa a expectativa da maioria dos analistas. A acontecer, é possível que o banco central volte a apostar numa subida de 25 pontos base, o que vai colocar a taxa aplicável à facilidade permanente de depósito nos 2,5%.

Leia ainda: Como é que o Banco Central Europeu vota as decisões?

Quais as alternativas à Euribor?

Num momento em que não se esperam descidas da Euribor nos próximos meses, transferir ou renegociar o crédito pode ser a solução para conseguir uma prestação mais baixa.

Mas o que procurar? Já desde dezembro de 2022 que a taxa mista tem sido a que apresenta valores médios mais baixos, de acordo com o Banco de Portugal. É, portanto, uma opção a considerar.

Nas operações intermediadas pelo Doutor Finanças, os contratos com taxa mista têm registado um juro médio de 2,7% a dois anos.

É um valor de taxa de juro abaixo do registado após a subida da Euribor de julho, quando consideramos um spread de 0,7% para os créditos com taxa variável:

  • A Euribor a três meses ficou com uma Taxa Anual Nominal (TAN) de 3,125%;
  • A Euribor a seis meses ficou com uma TAN de 3,347%;
  • A Euribor 12 meses ficou com uma TAN de 3,555%.

Como vimos acima, para uma dívida de 200 mil euros e prazo de 30 anos, isto significa prestações de:

  • 856,79 euros na Euribor a três meses;
  • 881,07 euros na Euribor a seis meses;
  • 904,25 euros na Euribor a 12 meses.

Ao transferir ou renegociar o crédito para uma taxa mista de 2,7% a dois anos, a prestação durante esse período será de 811,20 euros.

Se analisarmos o valor acumulado de poupança antes da próxima atualização de cada prestação, as diferenças são ainda mais evidentes:

  • Poupança de 136,77 euros em relação à Euribor a três meses;
  • Poupança de 419,22 euros em relação à Euribor a seis meses;
  • Poupança de 1.116,60 euros em relação à Euribor a 12 meses.

Não é garantido que todos os clientes consigam uma taxa mista neste valor, uma vez que está sempre dependente da análise feita pelo banco. Ainda assim, se conseguir melhores condições do que as que tem atualmente, já está a poupar.

Leia ainda: Taxa mista bate novo recorde e já representa mais de 85% dos novos créditos habitação

Perguntas frequentes

É uma taxa de referência que se baseia na média dos juros praticados por um conjunto específico de bancos da União Europeia (sendo a Caixa Geral de Depósitos o único banco português do painel) nos empréstimos que fazem entre si, num determinado período.

E é o indexante mais comum nos contratos de crédito habitação em Portugal.



A Euribor 3 meses ajusta-se mais rapidamente às variações do mercado, enquanto a de 12 meses oferece maior previsibilidade. A escolha depende do perfil de risco e da expectativa sobre taxas.

A prestação resulta da soma da Euribor (indexante) com o spread do banco. O Simulador da Variação da Euribor no Crédito Habitação ajuda a calcular o valor exato com base no capital em dívida e prazo.

spread é a diferença entre os preços de venda e de compra de um determinado ativo ou instrumento.

No crédito habitação, o spread representa a margem que o banco estabelece ao conceder um empréstimo.



Uma taxa variável implica que, ao longo de um contrato, o valor da taxa de juro vai oscilando.

Um crédito habitação com uma taxa variável é influenciado por duas componentes: o spread e o indexante mais comum do crédito habitação, que é a taxa Euribor.



A Taxa Anual Nominal (TAN) representa os juros que são cobrados num crédito. Esta taxa não inclui outros encargos que estão relacionados com a contratação de um empréstimo, e tem uma base anual.

A TAN inclui apenas o indexante do crédito e o spread aplicado ao contrato.

Uma taxa mista implica que se tenha um contrato com dois períodos distintos. Num primeiro momento, a taxa de juro é fixa e, no seguinte, passa a variável.

Os prazos mais comuns para o período inicial, em que a taxa é fixa, são dois, cinco e 10 anos.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

CréditoCrédito HabitaçãoTaxas de Juro