Comprar casa

O financiamento para a nova casa deve começar antes da procura do imóvel. Saber quanto o banco pode financiar e qual a prestação que o orçamento suporta ajuda a definir um limite de compra realista. Também é essencial perceber de quanto dispõe em capitais próprios, para evitar surpresas numa fase mais avançada do processo.

Esta preparação é ainda mais importante num mercado exigente. Segundo o Observatório do Imobiliário do Doutor Finanças de setembro de 2026, o preço médio das casas anunciadas em Portugal era de 3.740 euros por metro quadrado. No cenário modelizado para a compra de um T2, a prestação correspondia a 51% do rendimento líquido de um casal. Este indicador mede a acessibilidade à compra, não a taxa de esforço calculada pelos bancos, e mostra a pressão que a habitação continua a exercer sobre os orçamentos familiares.

Neste contexto, não basta perceber quanto pode pedir emprestado. Entre a pré-aprovação e a escritura existem várias decisões que podem alterar o custo e até a viabilidade da compra. A avaliação do imóvel, o montante financiado, o tipo de taxa, a comparação das propostas e a contratação dos seguros devem, por isso, ser analisados em conjunto antes de assumir um compromisso que pode durar várias décadas.

O financiamento para a nova casa começa antes das visitas

Procurar primeiro a casa e só depois perceber quanto o banco poderá financiar pode limitar as opções e aumentar o risco de avançar para um imóvel acima do orçamento. Uma simulação dá uma primeira referência, enquanto a pré-aprovação permite perceber com maior rigor se o financiamento pretendido é compatível com a situação financeira do comprador.

Há três momentos que importa distinguir:

Fase

O que significa

Simulação

Estimativa das condições do crédito com base nos dados apresentados

Pré-aprovação

Análise da situação financeira do comprador e indicação do financiamento que poderá ser viável

Aprovação final

Decisão tomada depois de analisados o comprador, o imóvel, a avaliação e a documentação necessária

Ainda assim, uma pré-aprovação favorável não garante a concessão do crédito. O banco terá de analisar o imóvel escolhido e confirmar se estão reunidas todas as condições necessárias para conceder o financiamento.

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Quanto do rendimento pode ficar comprometido com créditos?

Para avaliar se consegue suportar uma nova prestação, o banco analisa os rendimentos, a situação profissional, as despesas regulares e os créditos já existentes. Também consulta as responsabilidades de crédito e pode ter em conta uma eventual redução dos rendimentos quando o contrato se prolonga para além da idade da reforma.

Nos novos créditos, as prestações mensais de todos os empréstimos do cliente não devem, em regra, ultrapassar 45% do rendimento mensal líquido. Neste cálculo entram tanto a futura prestação da casa como os restantes créditos existentes.

Cumprir este limite não significa, contudo, que o crédito seja aprovado ou que o orçamento fique confortável. A instituição avalia outros fatores. Mesmo com uma taxa de esforço inferior a 45%, uma família pode ficar com pouca margem financeira depois de pagar todos os encargos.

Como calcular a sua taxa de esforço?

A taxa de esforço mostra que percentagem do rendimento líquido mensal é destinada ao pagamento das prestações de créditos. Para fazer a conta, deve somar as prestações dos empréstimos do agregado, dividir esse valor pelo rendimento mensal líquido e multiplicar o resultado por 100.

Imagine um agregado com 3.000 euros de rendimento líquido e 200 euros de prestações de outros créditos. Se a nova prestação da casa for de 1.000 euros, os encargos com empréstimos passam para 1.200 euros por mês, o que corresponde a uma taxa de esforço de 40%.

Pode fazer estas contas através do Simulador de Taxa de Esforço do Doutor Finanças. Além do resultado, importa perceber que percentagem do rendimento fica disponível depois dos créditos, dos seguros, das despesas da casa e dos restantes encargos familiares.

Quanto pode o banco financiar na compra da casa?

Na compra de habitação própria e permanente, o financiamento não deve, em regra, ultrapassar 90% do valor do imóvel. Para outras finalidades, o limite é de 80%. Mas há uma regra importante: o banco considera o valor mais baixo entre o preço de aquisição e a avaliação.

Veja o que acontece se comprar uma casa por 300.000 euros e a avaliação bancária ficar nos 280.000 euros:

Compra por 300 mil euros

Valor

Preço de aquisição

300.000 euros

Avaliação bancária

280.000 euros

Valor considerado

280.000 euros

90% desse valor

252.000 euros

Diferença a suportar pelo comprador

48.000 euros

Neste exemplo, o comprador teria de assegurar pelo menos 48.000 euros com capitais próprios. A este valor acrescem ainda os impostos e outras despesas associadas à compra e ao financiamento.

Se a avaliação fosse superior ao preço, por exemplo 330.000 euros, os 90% seriam calculados sobre os 300.000 euros da compra. Neste caso, o financiamento não ultrapassaria 270.000 euros. Ou seja, uma avaliação mais elevada não permite financiar automaticamente mais de 90% do preço pago pelo imóvel.

Tem até 35 anos? Há apoios que podem reduzir o custo da compra

Quem compra a primeira habitação própria e permanente até aos 35 anos pode beneficiar de medidas que reduzem os capitais próprios necessários e os impostos pagos na aquisição. Entre as mais relevantes estão a garantia pública no crédito habitação e a isenção do Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT) e do Imposto do Selo sobre a compra.

Como funciona a garantia pública no crédito habitação?

A garantia pública está disponível para contratos celebrados até 31 de dezembro de 2026 e pode permitir ao banco financiar até 100% do valor da transação, desde que sejam cumpridos os requisitos do regime.

Para beneficiar desta garantia é necessário, entre outras condições, ter entre 18 e 35 anos, domicílio fiscal em Portugal, rendimentos dentro do limite previsto, não ser proprietário de outra habitação e comprar um imóvel cujo valor da transação não ultrapasse 450.000 euros.

A aprovação não é automática. O banco continua a avaliar os rendimentos, os restantes créditos e a capacidade para suportar a prestação, podendo decidir não conceder o financiamento.

A avaliação do imóvel também continua a ser determinante. Se uma casa custar 300.000 euros, mas for avaliada em 280.000 euros, a garantia pública não permite financiar os 300.000 euros. Neste caso, continuariam a faltar 20.000 euros para concretizar a compra.

Leia ainda: Como é que a subida dos juros pode mexer com o acesso à garantia pública?

Quanto pode poupar com a isenção de IMT e Imposto do Selo?

Os jovens até aos 35 anos podem ainda beneficiar da isenção de IMT e de Imposto do Selo sobre a aquisição da primeira habitação própria e permanente, desde que cumpram os requisitos previstos.

Em 2026, no Continente, a isenção é total para imóveis até 330.539 euros. Para valores superiores, existe uma isenção parcial até aos 660.982 euros.

Numa casa de 300.000 euros, a combinação da garantia pública com as isenções fiscais pode reduzir de forma significativa o montante que o comprador precisa de ter disponível à partida:

Compra de uma casa por 300.000 euros

Sem apoios para jovens

Com garantia pública e isenção fiscal*

Entrada de 10%

30.000 euros

0 euros

IMT

10.542 euros

0 euros

Imposto do Selo sobre a aquisição

2.400 euros

0 euros

Total destes montantes

42.942 euros

0 euros

*Exemplo que pressupõe que o comprador cumpre os requisitos das duas medidas, que a avaliação é de pelo menos 300.000 euros e que o banco aprova um financiamento de 100%.

Neste cenário, as duas medidas reduzem em 42.942 euros o montante inicialmente necessário para a entrada e para estes impostos. Contudo, apenas 12.942 euros correspondem a uma poupança fiscal. Os 30.000 euros da entrada deixam de ser necessários à partida porque passam a ser financiados pelo banco e terão de ser reembolsados ao longo do crédito.

Isto não significa que seja possível comprar casa sem qualquer poupança, uma vez que continuam a existir outros encargos associados ao crédito e à formalização da compra.

A garantia pública elimina todas as despesas iniciais?

Mesmo quando o banco financia 100% do valor da transação e existe isenção de IMT e de Imposto do Selo sobre a aquisição, continuam a existir outros encargos.

O Imposto do Selo associado ao crédito, por exemplo, continua a ser devido. Num empréstimo de 300.000 euros com prazo igual ou superior a cinco anos, corresponde a 0,6% do montante financiado, ou seja, 1.800 euros. Podem ainda existir custos com avaliação, formalização do contrato, registos e outros encargos associados à operação.

Leia ainda: Garantia pública no crédito habitação para jovens: Perguntas e respostas

Que documentos vai precisar para pedir o crédito?

A análise do financiamento começa antes de existir um imóvel escolhido. Para avaliar a capacidade financeira do comprador, o banco pede documentação que permita confirmar os rendimentos, a situação profissional e os restantes compromissos financeiros.

Entre os documentos habitualmente necessários encontram-se:

• Documento de identificação;
Última declaração de IRS e respetiva nota de liquidação;
• Comprovativos dos rendimentos;
Mapa de responsabilidades de crédito;
• Extratos bancários recentes;
• Informação sobre cartões e outros créditos;
• Comprovativos de IBAN e de morada;
• Documentação adicional sobre a atividade profissional, quando aplicável.

Depois de encontrar uma casa, será necessário entregar também documentação relativa ao imóvel. A caderneta predial, a certidão do registo predial e o certificado energético estão entre os elementos que podem ser pedidos para analisar e formalizar a operação.

Documentos necessários para comprar casa

Veja a checklist dos documentos que precisa no processo de compra de uma casa.

Encontrou casa? A pré-aprovação ainda não garante o crédito

A escolha do imóvel marca uma nova fase do financiamento. Até aqui, a análise esteve centrada sobretudo na capacidade financeira do comprador. A partir deste momento, o banco terá também de avaliar a casa, verificar a documentação e confirmar se pode conceder o montante necessário para aquela compra.

É nesta fase que pode ser assinado o contrato promessa de compra e venda (CPCV) e entregue um sinal. Se a compra depender de financiamento, importa perceber antecipadamente o que acontece caso o crédito seja recusado ou a avaliação bancária fique abaixo do valor necessário para concretizar o negócio.

A pré-aprovação reduz alguma incerteza, mas não elimina estes riscos. A aprovação definitiva depende da conclusão das análises ao comprador e ao imóvel.

Como comparar propostas de financiamento para a nova casa?

Uma prestação mensal mais baixa não significa necessariamente que o crédito seja mais barato. O mesmo acontece com o spread. Para comparar propostas, é necessário analisar o custo do financiamento como um todo.

Dois indicadores são particularmente importantes. A TAEG traduz, em percentagem anual, o custo do crédito, incluindo juros e vários encargos associados. Já o MTIC mostra, em euros, quanto está previsto pagar no total ao longo do contrato. Para que a comparação seja válida, as propostas devem ter o mesmo montante e prazo.

Além destes indicadores, há outros elementos que devem ser colocados lado a lado:

Um spread inferior pode perder vantagem se implicar custos elevados com seguros ou outros produtos durante vários anos. Da mesma forma, uma prestação inicial mais baixa não significa necessariamente um menor custo ao longo do contrato.

O Simulador de Prestação de Crédito Habitação permite estimar o impacto de diferentes montantes, prazos e taxas na prestação mensal. Pode ser útil para comparar cenários antes de assumir o financiamento.

Taxa fixa, variável ou mista: O que muda na prestação?

O tipo de taxa determina a forma como os juros e a prestação podem evoluir ao longo do financiamento. A taxa fixa oferece maior previsibilidade, enquanto, na variável, o valor a pagar acompanha a evolução da Euribor. Já a taxa mista combina estas duas modalidades em momentos diferentes do contrato.

Como funciona a taxa fixa?

Na taxa fixa, a TAN acordada mantém-se durante o período contratado. Se a taxa for fixa durante todo o empréstimo, as oscilações da Euribor não alteram a prestação de capital e juros.

Considere um financiamento de 200.000 euros, a 30 anos, com uma TAN fixa de 4%, utilizada aqui a título meramente ilustrativo. A prestação de capital e juros rondaria os 955 euros por mês e manter-se-ia estável ao longo do contrato.

Esta previsibilidade permite proteger o orçamento de futuras subidas das taxas de juro. Em contrapartida, se as taxas de mercado descerem, a prestação não acompanha essa redução enquanto se mantiver a taxa fixa.

O que acontece numa taxa variável?

Na taxa variável, a TAN resulta da soma da Euribor ao spread definido no contrato. A prestação é revista de acordo com o prazo do indexante. Se o crédito estiver associado à Euribor a seis meses, por exemplo, a taxa é atualizada de seis em seis meses.

Em agosto de 2026, a média da Euribor a seis meses situou-se nos 2,713%. Num contrato com um spread de 0,7%, a TAN seria de 3,413%. Num financiamento de 200.000 euros a 30 anos, a prestação de capital e juros rondaria os 888 euros por mês.

O valor pode, contudo, mudar na revisão seguinte. Se a Euribor subisse um ponto percentual e as restantes condições se mantivessem, a TAN passaria para 4,413%. Mantendo, apenas para comparação, o mesmo capital e prazo, a prestação rondaria os 1.003 euros. Se a Euribor descesse, o efeito seria inverso.

Como funciona uma taxa mista?

A taxa mista começa com um período de taxa fixa. Quando esse prazo termina, o empréstimo passa para taxa variável, normalmente composta pela Euribor acrescida do spread previsto no contrato.

Imagine novamente um financiamento de 200.000 euros a 30 anos, mas com uma TAN fixa de 2,8% durante os primeiros dois anos. A prestação de capital e juros rondaria inicialmente os 822 euros por mês.

Ao fim dos dois anos, já existiria menos capital em dívida e faltariam 28 anos para terminar o empréstimo. Se, nessa altura, a TAN variável fosse de 3,413%, a prestação passaria para cerca de 885 euros por mês. Se a Euribor estivesse mais alta ou mais baixa, o novo valor também mudaria.

É precisamente esta passagem para a fase variável que deve ser analisada antes da contratação. Uma prestação mais baixa durante os primeiros anos não permite saber quanto será pago durante todo o crédito.

Qual das três taxas oferece melhores condições?

Não existe uma modalidade que seja mais vantajosa para todas as famílias. A escolha depende das condições propostas, do prazo do empréstimo, da margem disponível no orçamento e da importância atribuída à estabilidade da prestação.

A contratação recente mostra uma preferência clara pela taxa mista. Em julho de 2026, a taxa mista representou 86% das novas operações de crédito habitação, reforçando o peso desta modalidade nas contratações mais recentes.

Na taxa fixa, importa comparar o custo da previsibilidade com as alternativas disponíveis. Na variável, deve perceber qual seria o impacto de uma subida da Euribor no orçamento. Já numa taxa mista, é essencial confirmar durante quanto tempo vigora a taxa fixa, qual será o spread aplicado posteriormente e em que condições a prestação será recalculada.

A evolução recente das taxas reforça a importância de testar vários cenários. Em agosto de 2026, as médias da Euribor situaram-se nos 2,513% a três meses, 2,713% a seis meses e 2,954% a 12 meses. Num financiamento que pode durar várias décadas, a decisão não deve depender apenas da expectativa para os próximos meses, mas também da capacidade para suportar futuras alterações da prestação

Para tal, pode simular vários cenário através do Simulador da variação da Euribor no Crédito Habitação.

O que deve verificar na FINE antes de assinar?

Quando é feita uma simulação de crédito habitação, o cliente recebe uma Ficha de Informação Normalizada Europeia, conhecida como FINE. Depois da aprovação do empréstimo, recebe uma nova versão com as condições efetivamente propostas pelo banco, acompanhada da minuta do contrato.

Neste documento pode consultar o montante e o prazo do financiamento, o tipo de taxa, a TAN, a TAEG, o MTIC, o valor das prestações e os principais encargos associados. A FINE identifica também os seguros e outros produtos ligados às condições apresentadas, permitindo perceber o impacto que podem ter no custo do crédito.

Após a aprovação, o banco fica vinculado à proposta durante um período mínimo de 30 dias. O consumidor dispõe ainda de pelo menos sete dias para refletir, período durante o qual o contrato não pode ser celebrado. Se existirem fiadores, este prazo de reflexão também se aplica a quem assume essa responsabilidade.

Antes de assinar, confirme se as condições finais correspondem à proposta que comparou e se compreende todos os encargos associados ao financiamento. Entre eles estão os seguros, que têm regras e coberturas próprias e devem ser analisados separadamente.

Leia ainda: Como analisar a FINE de uma proposta de crédito habitação?

Chegou aos seguros: O que pode o banco exigir e o que pode escolher?

Na fase final do financiamento, é necessário analisar os seguros associados ao crédito habitação. O banco pode definir as coberturas mínimas que considera necessárias para conceder o empréstimo, mas isso não significa que o cliente tenha de aceitar automaticamente as apólices apresentadas pela instituição.

No seguro de vida, há diferenças importantes nas coberturas de invalidez, no capital seguro e na percentagem coberta por cada titular. Já no seguro multirriscos, importa perceber que riscos estão cobertos, que franquias se aplicam e qual deve ser o capital seguro do imóvel.

Seguro de vida: É obrigatório para ter crédito habitação?

O seguro de vida não é obrigatório por lei para contratar um crédito habitação. Mas, na prática, a maioria das instituições de crédito exige a sua contratação para conceder o financiamento.

Este seguro visa assegurar o pagamento ao banco do capital em dívida quando ocorre uma situação abrangida pela apólice, como a morte ou uma invalidez coberta. Dependendo da proteção contratada, a dívida pode ficar totalmente liquidada ou apenas parcialmente paga.

O banco define as coberturas mínimas que o seguro deve cumprir, mas o cliente pode escolher outra seguradora que aceite essas condições. É importante confirmar, contudo, se contratar o seguro fora da solução apresentada pelo banco altera o spread ou outras condições do financiamento.

IAD e ITP: Porque é que esta diferença é importante?

Uma das decisões mais importantes no seguro de vida está na proteção em caso de invalidez. É frequente encontrar duas coberturas nas propostas: Invalidez Absoluta e Definitiva (IAD) e Invalidez Total e Permanente (ITP).

A IAD está normalmente associada a situações de incapacidade muito grave. Para que o seguro pague o capital previsto, não basta estar impedido de exercer a profissão habitual. As condições podem exigir uma incapacidade mais severa e, em determinadas apólices, dependência de outra pessoa para atividades essenciais do dia a dia.

A ITP tende a oferecer uma proteção mais abrangente. Pode permitir o pagamento do capital seguro perante níveis de incapacidade menos severos do que os exigidos numa cobertura IAD, desde que sejam cumpridos os critérios definidos no contrato.

As designações, as percentagens de incapacidade e as restantes condições podem variar entre seguradoras. Por isso, não basta comparar as siglas. Antes de contratar, confirme em que situações cada cobertura pode ser acionada, qual o grau de incapacidade exigido, que exclusões existem e até que idade se mantém a proteção.

Leia ainda: ITP ou IAD: Que cobertura do seguro de vida protege melhor a sua família?

Se o crédito tem dois titulares, quanto fica protegido?

Quando duas pessoas contratam o mesmo crédito, é importante perceber que percentagem da dívida fica coberta pelo seguro de cada uma. Dependendo das condições aceites pelo banco, pode existir uma proteção de 100% do capital em dívida por titular ou uma cobertura parcial.

Imagine um casal com 200.000 euros em dívida. Se cada titular estiver seguro por 50% e um deles morrer numa situação abrangida pela apólice, o seguro paga 100.000 euros ao banco. Os outros 100.000 euros continuam por pagar.

Se cada pessoa estiver protegida por 100% do capital em dívida, uma situação coberta que afete qualquer um dos titulares pode permitir liquidar a totalidade desse montante. Esta opção oferece maior proteção, mas tende também a ter um prémio mais elevado.

Porque pode o seguro ficar mais caro se a dívida está a diminuir?

O capital seguro do seguro de vida associado ao crédito deve acompanhar a evolução do montante em dívida. À medida que o empréstimo é pago, o banco comunica essa redução à seguradora para que o capital seguro seja atualizado.

Ainda assim, uma dívida mais baixa não significa necessariamente um seguro mais barato. A idade das pessoas seguras também influencia o risco considerado pela seguradora e pode fazer subir o prémio ao longo dos anos. A ASF confirma que a redução do capital seguro pode ser compensada pelo aumento da idade atuarial e do risco associado.

Por isso, quando comparar propostas, não olhe apenas para o preço do primeiro ano. Convém perceber como é calculado o prémio e de que forma poderá evoluir durante o contrato.

Pode mudar de seguro depois de contratar o crédito?

Sim. Ter contratado inicialmente o seguro apresentado pelo banco não significa que tenha de o manter durante todo o empréstimo. É possível substituí-lo por outra apólice, desde que a nova proteção cumpra os requisitos mínimos exigidos pela instituição de crédito.

Antes de mudar, confirme se a substituição afeta o spread ou outras condições do financiamento. Se determinadas condições do empréstimo dependerem do seguro contratado através do banco, a alteração pode tornar o crédito mais caro.

Direito ao esquecimento: Quem pode beneficiar?

Quem tenha superado ou mitigado determinadas situações de risco agravado de saúde ou de deficiência pode beneficiar do direito ao esquecimento nos seguros associados ao crédito habitação.

Quando este direito se aplica, determinadas informações de saúde abrangidas pelo regime não podem ser recolhidas ou tratadas pela seguradora no contexto pré-contratual. Também não podem servir de fundamento para aumentar o prémio ou excluir coberturas.

A regra prevê prazos específicos, que variam consoante as situações abrangidas. Em 2026, o regime foi regulamentado e reforçado, incluindo a criação de uma grelha de referência que estabelece prazos mais favoráveis para determinadas patologias.

Por isso, quem tenha tido uma situação de saúde que possa estar abrangida pelo regime deve confirmar se já reúne as condições para exercer este direito antes de preencher a informação médica pedida pela seguradora.

Leia ainda: Guia doenças graves: O que deve saber antes de escolher um seguro

Seguro multirriscos: O que está realmente protegido?

No seguro multirriscos, importa distinguir duas situações. Nos edifícios em propriedade horizontal, como acontece habitualmente nos apartamentos, a lei obriga à existência de um seguro contra incêndio. Já o seguro multirriscos é uma proteção mais abrangente, que reúne outras coberturas.

Quando existe crédito habitação, o banco pode exigir um nível de proteção sobre o imóvel superior ao seguro obrigatório de incêndio. As coberturas concretas dependem, contudo, da apólice e dos requisitos definidos pela instituição.

Ter um multirriscos significa que todos os danos estão cobertos?

A designação “multirriscos” significa que a apólice reúne várias coberturas, mas não significa que proteja contra qualquer acontecimento.

Dependendo do contrato, podem estar cobertos danos provocados por água, tempestades, inundações, riscos elétricos, furto ou roubo, entre outras situações. Algumas proteções podem fazer parte da cobertura base e outras ter de ser contratadas à parte.

Os fenómenos sísmicos são um exemplo importante. Não deve assumir que os danos provocados por um sismo estão cobertos apenas porque contratou um seguro multirriscos. É necessário confirmar se essa proteção está incluída na apólice.

Também deve verificar as exclusões, os limites de indemnização e as franquias. A franquia corresponde à parte do prejuízo que fica a cargo do segurado. Se, por exemplo, existir uma franquia de 250 euros num dano coberto de 1.000 euros, essa parcela fica, em regra, por conta do cliente e o seguro suporta os restantes 750 euros, de acordo com as condições da apólice.

O seguro do imóvel também protege o recheio?

Não necessariamente. O edifício e o recheio são componentes diferentes do seguro. A proteção do edifício cobre a construção e os elementos que fazem parte do imóvel. Já o recheio inclui bens existentes dentro da casa, como móveis, eletrodomésticos e outros objetos, nos termos definidos pela apólice.

Por isso, ter o imóvel seguro por exigência do banco não significa automaticamente que os seus bens pessoais estejam protegidos. Se pretender assegurar o recheio, deve confirmar se essa cobertura foi efetivamente contratada e qual o capital atribuído aos bens.

O capital seguro deve corresponder ao preço da casa?

No seguro do edifício, o capital seguro deve ter como referência o custo de reconstrução do imóvel e não o preço pelo qual a casa foi comprada, o seu valor de mercado ou o valor do terreno.

Uma casa comprada por 350.000 euros pode ter um custo de reconstrução bastante diferente. Segurar o edifício por 350.000 euros não significa que a seguradora pague esse montante se houver uma perda total.

Também é importante não indicar um capital demasiado baixo. Se o custo de reconstrução for de 200.000 euros, mas o imóvel estiver seguro apenas por 160.000 euros, está protegido por 80% do valor necessário.

Perante um sinistro em que se aplique a regra proporcional, essa diferença pode refletir-se na indemnização. Se os danos fossem de 50.000 euros, por exemplo, a seguradora poderia suportar apenas 80%, ou seja, 40.000 euros, ficando os restantes 10.000 euros a cargo do proprietário.

Antes de contratar o seguro, confirme o capital atribuído ao edifício, as coberturas incluídas, as exclusões, as franquias e os limites previstos para cada proteção.

Checklist final antes de chegar à escritura

Quando a compra entra na reta final, é importante confirmar que todas as condições do financiamento estão alinhadas com o orçamento e com o imóvel escolhido. Nesta fase, pequenos detalhes podem traduzir-se em custos relevantes ou atrasar a formalização.

Antes da escritura, confirme:

  • O financiamento está definitivamente aprovado;
  • A avaliação permite obter o montante necessário;
  • Conhece a TAEG, o MTIC e os produtos associados ao crédito;
  • Percebe como a prestação pode evoluir ao longo do contrato;
  • Os seguros cumprem as coberturas exigidas e foram comparados em preço e proteção;
  • Tem capitais próprios suficientes para a parte não financiada e para as restantes despesas;
  • A documentação dos compradores e do imóvel está completa;
  • O orçamento mantém margem para suportar as despesas da casa depois da compra.

O financiamento para a nova casa deve ser analisado como um compromisso de longo prazo, e não apenas pela prestação do primeiro mês. Chegar à escritura com o preço do imóvel, o montante financiado, a taxa de juro, os seguros e os restantes encargos devidamente avaliados permite perceber não só se a compra é possível, mas também se continuará a ser sustentável depois de receber as chaves.

Perguntas frequentes

Não existe um prazo igual para todos os bancos. O tempo depende da análise financeira, da entrega dos documentos e, depois de escolhida a casa, da avaliação e documentação do imóvel. Em média, um processo de crédito habitação pode demorar entre duas e quatro semanas, mas processos mais complexos podem prolongar-se.

Sim. Não é obrigatório ter um contrato de trabalho sem termo para obter crédito habitação. O banco vai avaliar a regularidade e estabilidade dos rendimentos, o histórico profissional, os restantes créditos e a capacidade para pagar a prestação. Trabalhadores independentes ou com contratos a termo podem ter de apresentar documentação adicional para comprovar os rendimentos.

Não. A existência de um fiador não é uma condição obrigatória em todos os créditos habitação. O banco pode pedir esta garantia quando considera necessário reforçar a segurança do financiamento, tendo em conta fatores como os rendimentos, a estabilidade profissional ou o perfil de risco dos compradores.

Sim. É possível comprar casa e contratar crédito habitação com apenas um titular. O banco irá avaliar apenas os rendimentos, despesas e responsabilidades financeiras dessa pessoa. Como existe apenas um rendimento a suportar a prestação, o montante máximo que consegue financiar pode ser inferior ao de um agregado com dois titulares e dois rendimentos.

Não existe uma idade máxima única definida por lei para apresentar um pedido, mas a idade influencia o prazo disponível para pagar o empréstimo. Além dos limites de maturidade aplicáveis ao crédito habitação, cada banco pode estabelecer uma idade máxima para o titular mais velho no final do contrato.

Sim, existem soluções de crédito habitação que podem financiar a aquisição do imóvel e as obras. Nestes casos, o banco analisa o orçamento ou projeto das intervenções e pode considerar o valor previsto do imóvel depois das obras. O montante destinado às obras pode ser libertado por fases, à medida que os trabalhos avançam e são realizadas vistorias.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

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