Carreira e Negócios

3 passos para calcular o valor por hora de trabalho

Aprenda a calcular o valor/hora para garantir a sustentabilidade financeira da sua atividade. Saiba como vender os seus serviços.

Carreira e Negócios

3 passos para calcular o valor por hora de trabalho

Aprenda a calcular o valor/hora para garantir a sustentabilidade financeira da sua atividade. Saiba como vender os seus serviços.

Calcular o valor por hora de trabalho é fundamental para apresentar propostas e orçamentos ajustados às expetativas dos clientes, e é um dos principais desafios dos trabalhadores independentes, sobretudo se estiverem a iniciar atividade.

Se por um lado é importante que os valores apresentados se situem dentro dos valores de mercado, por outro lado, a proposta deve refletir o valor e posicionamento do profissional, considerando a sua experiência, conhecimento e competências técnicas e pessoais.

Dependendo do serviço oferecido, uma das formas mais comuns de apresentar propostas é com base no valor por hora de trabalho.

Para encontrar este valor é necessário fazer alguns cálculos e considerar aspetos que são de extrema importância, visto que o trabalhador independente é responsável pelo seu próprio rendimento.

Isto implica fazer uma gestão financeira cuidadosa para que possa realizar a sua atividade de forma sustentável.

Se é trabalhador independente e precisa de um método para calcular o valor por hora de trabalho, deve seguir estes três passos.

1. Determinar o valor mensal pretendido

Para determinar o valor mensal pretendido e garantir sustentabilidade financeira, é necessário considerar quatro grupos de despesas:

  • Despesas essenciais pessoais: habitação e respetivos encargos (IMI, condomínio, eletricidade, água, etc.), alimentação, comunicações (móveis e fixas), seguros, transportes (incluindo manutenção de viatura, seguros e impostos) e saúde (consultas, exames e farmácia).
  • Despesas não essenciais pessoais: cuidados pessoais, lazer (espetáculos, livros, atividades desportivas), vestuário, formação, passeios e viagens, presentes;
  • Despesas essenciais relativas à atividade: aluguer de espaço para trabalhar e respetivos encargos, equipamentos e consumíveis, comunicações (móveis e fixas), deslocações, licenças de software, serviços de contabilidade e/ou outros, seguros;
  • Impostos: retenção na fonte, contribuições para a Segurança Social e IVA.

Imaginemos que o total destas despesas somava 2.000 euros por mês.

É importante definir neste valor mensal a parcela que pretende alocar para efeito de poupança.

O aconselhado é pagar-se a si mesmo antes de tudo o resto, por isso, procure reservar entre 5 e 10% do rendimento mensal pretendido para segurança financeira e/ou para compensar a ausência dos subsídios de férias e de Natal.

Considerando o valor de 2.000 euros + 10% para poupança o valor mensal pretendido é de 2.200 euros.

Mas atenção, este pode ser o valor desejado, mas deve ter em atenção a realidade do mercado, porque pode não ser possível atingir esta meta. Especialmente se está a começar.

(Se ainda não controla o seu orçamento de forma regular, considere utilizar uma aplicação para o auxiliar na gestão das suas despesas, como a Boonzi).

Leia ainda: Aprenda a fazer um orçamento e prepare-se para todos os imprevistos

2. Definir o número de horas de trabalho por ano

Após ter encontrado o valor mensal que pretende atingir, deve refletir sobre o tempo efetivo de trabalho.

Pense nos dias de férias que pretende gozar por ano e no número de horas que pretende trabalhar por dia.

Depois, reflita sobre o período de tempo necessário para se dedicar a atividades complementares ao seu trabalho, como a angariação de clientes, criação de propostas, divulgação, pesquisa de referências, etc.

Considere ainda os períodos de descanso, intervalos, formação, estudo, doença, períodos mais fracos de trabalho, entre outras questões que impliquem não estar a produzir.

Atenção, pensar que vai faturar 100% do tempo disponível para trabalho não é realista. Precisa de alocar 20 a 30% do seu tempo para as atividades acima referidas. Só assim vai conseguir encontrar o número efetivo de horas de trabalho por ano.

Por exemplo, imagine que pretende trabalhar 8 horas por dia, gozando os fins de semana e 22 dias úteis de férias: Se aos 365 dias do ano retirarmos 104 dias de fins de semana e 22 dias de férias ficamos com 239 dias de trabalho por ano.

Se retirarmos a percentagem alocada a atividades complementares e descanso, resulta:

239 dias de trabalho por ano - 20% = 191,2 dias de trabalho disponíveis por ano

Multiplicando o número de dias de trabalho disponíveis pelo número de horas que pretende trabalhar:

191,2 dias de trabalho disponíveis por ano x 8 h por dia = 1.529,6 horas de trabalho por ano

Tendo em consideração este raciocínio, as horas efetivas de trabalho num ano são de cerca de 1,5 mil.

3. Calcular o valor por hora de trabalho

Voltando ao valor mensal pretendido, multiplique por 12 para encontrar o valor anual equivalente:

2.200 euros valor mensal pretendido x 12 meses = 26.400 euros

Divida esse valor pelo total de horas de trabalho por ano: 26.400 euros / 1529,6 horas = 17,26 euros valor por hora de trabalho

Desta forma encontra o valor base para definir a sua hora de trabalho.

Analisar o valor calculado

O valor calculado para definir a sua hora de trabalho é um valor de referência.

Como foi dito no início, é importante que olhe para este valor e avalie como ele se enquadra nos valores praticados no mercado da sua atividade, de forma a apresentar um valor justo e equilibrado entre as suas necessidades e as do cliente.

Procure ainda analisar se o valor é adequado para as tarefas que se propõe desempenhar, em termos de volume de trabalho e de complexidade técnica.

Se, ao fazer esta análise, perceber que o valor por hora de trabalho calculado não se adequa às práticas do mercado, considere alternativas para apresentar o valor dos seus serviços, nomeadamente:

  • Pacote de horas: seguindo o raciocínio do valor por hora de trabalho, considere apresentar um pacote de horas, em vez do valor por hora isolado. Desta forma, garante o valor total logo à partida e pode ainda fazer um desconto para ser mais aliciante para o seu cliente.
    Por exemplo, se o valor por hora for igual a 17 euros, pode apresentar um pacote de 10 horas pelo valor de 150 euros que traduz um desconto de cerca de 12%.
  • Avença mensal: se o serviço que considera prestar tem alguma regularidade, faz sentido apresentar uma proposta com continuidade. Partindo do valor por hora de trabalho deve calcular o número de horas que prevê despender durante o mês para desempenhar as tarefas. Esta é uma forma de garantir um rendimento “fixo” em que ambas as partes sabem com o que contar, mas é importante que defina exatamente os serviços que a avença inclui.
  • Por projeto: se o trabalho que vai realizar é algo pontual talvez faça mais sentido apresentar um valor fechado para a totalidade das tarefas que esse projeto necessita. Neste caso, irá precisar de saber quanto tempo precisa para terminar o projeto, e multiplicar pelo valor por hora de trabalho, fazendo os ajustes necessários ao valor final.

Qualquer que seja a forma como pensa vender os seus serviços (valor por hora, pacote de horas, avença mensal ou por projeto) é essencial calcular o valor por hora de trabalho, não só para apresentar propostas ajustadas às expetativas e necessidades do cliente, como também para garantir a sustentabilidade financeira da sua atividade independente.

Leia ainda: Trabalhador independente: 10 dicas para melhorar as suas propostas

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