Crédito

Como a consolidação de crédito gera poupança

Neste artigo, exploramos os vários caminhos que pode dar à poupança conquistada pela consolidação dos seus créditos.

Daniela Gonçalves Daniela Gonçalves , 18 Fevereiro 2020

O ato de juntar todos os créditos num único, conhecido por consolidação de crédito, é visto muitas vezes como o último recurso em casos extremos de endividamento. Mas a verdade é que não precisa de ser assim.

Existem diversos casos em que a consolidação surge como uma ferramenta para ganhar alguma folga orçamental todos os meses ou simplificar todos os processos e pagar apenas uma mensalidade em vez de várias. Seja como for, o resultado da consolidação de crédito é sempre poupança. 

Neste artigo, exploramos os vários caminhos que pode dar a esta folga conquistada pela consolidação dos seus créditos. 

Leia ainda: Consolidação de créditos: Saiba o que fazer com a poupança gerada

Mas antes analisamos um caso prático, em que a poupança mensal com recurso a esta solução chegou a quase metade da mensalidade: 

O Francisco (nome fictício) tinha 9 créditos (de várias espécies: habitação, pessoal, linhas de crédito e cartões). No total tinha em dívida 119.561,59€, sendo que desembolsava mensalmente 1.477,26€ apenas para fazer face às suas dívidas nos diferentes créditos. Este montante representava uma taxa de esforço de 70% no agregado familiar do Francisco - muito acima dos 30% recomendados. Felizmente ainda não se registava incumprimento em nenhum dos créditos. 

Leia ainda: O crédito consolidado não é só para sobreendividados

O caso do Francisco

O Francisco optou por consolidar parte dos seus créditos. 

Depois de tomada a decisão e feitas as contas, o valor total de créditos que o Francisco decidiu consolidar foi de 45.000€. Um valor a que correspondia uma prestação mensal de 1.236,74€.

Juntando todos os empréstimos, numa consolidação de crédito, o Francisco passou a pagar 678,58€ mensais, num prazo único de 120 meses. A taxa de esforço diminuiu, por isso, para 40%

Poupança efetiva do Francisco com o crédito consolidado:

  • 558,16€ de poupança mensal; 
  • 6.697,92€ de poupança anual;
  • 45% de poupança total. 

A poupança com a consolidação de crédito é real e mensurável

Como vimos no exemplo do Francisco, é possível calcular exatamente e ao cêntimo o valor que se poupa com o recurso à consolidação de créditos. 

Mas o resultado prático, esse, é sentido todos os meses na carteira. Esta folga tem impacto direto na taxa de esforço e na sustentabilidade das finanças de cada agregado familiar.

Poupar em duas frentes: consolidar e amortizar

O crédito consolidado é, por si só, uma solução que permite reduzir o peso das prestações de crédito no orçamento do agregado familiar. Mas a verdade é que pode ter esse efeito em duplicado. Ou seja: poupando de forma imediata, todos os meses, na prestação e somando essa poupança para mais tarde amortizar o próprio crédito consolidado. Isto pode acontecer de forma parcial ou total. E uma vez sendo parcial, pode refletir-se no valor mensal a pagar ou no prazo no crédito. 

No entanto, o recomendado é que essa soma não aconteça sem um potencial de crescimento. Se consegue colocar essa poupança conquistada com o crédito consolidado de parte, fora da equação do orçamento familiar, então deve direcioná-la a sua favor. 

Analisamos, de seguida, outras aplicações que pode dar à folga orçamental do crédito consolidado e que podem culminar - ou não - na amortização parcial ou total do mesmo. 

Veja também: Calculadora: prestação de crédito após amortização antecipada

Depósitos a Prazo: seguros mas pouco rentáveis 

Os depósitos a prazo permitem-lhe - na maioria dos casos - ter o dinheiro sempre disponível, sem qualquer penalização. Além disso, têm o capital garantido, mas os juros são praticamente nulos. No entanto, relembramos, podem ser a solução mais indicada para quem precise de ter esta folga conquistada pela consolidação de crédito sempre à mão. 

Planos Poupança Reforma: uma opção para o longo prazo

Se não vai precisar dessa poupança do crédito consolidado tão cedo, porque não a investe num PPR (plano poupança reforma)? Existem diversas opções no mercado, com mais ou menos risco. Mas a nível de benefícios fiscais, esta é, sem dúvida a solução mais atrativa. A questão que se coloca prende-se exatamente com o prazo em que pode ou não movimentar o dinheiro. Na verdade, pode movimentá-lo em qualquer altura (dependendo, claro, da solução escolhida), mas perde as regalias fiscais e então deixa de ser tão interessante.

Certificados de aforro, do tesouro, seguros de capitalização e outros

Por último: produtos de capital garantido como certificados de aforro, certificados do tesouro, alguns seguros de capitalização. Estes investimentos caracterizam-se por - tal como o nome indica - garantirem o capital investido na data de vencimento (ou seja, no final do período de subscrição). No entanto, se pretender resgatar o dinheiro antes do período acordado, poderá ter de pagar uma taxa de imposto que vai até aos 28% sobre o retorno conseguido - uma das taxas liberatórias mais altas da União Europeia. 

Depois de consolidar os seus créditos e perceber exatamente quanto é que vai conseguir poupar com esse mecanismo, deve analisar a sustentabilidade do seu orçamento mensal sem essa folga. Deve também procurar prever gastos futuros para perceber em que produto poderá colocar a sua poupança: se de maior ou menor prazo, consoante necessidades. 

Seja como for, a consolidação dos seus créditos vai gerar poupança. Valorize-a!

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