Crédito Habitação

Subida da Euribor: é o momento certo para amortizar o crédito habitação?

Com a subida da Euribor tem dúvidas se este é o momento certo para amortizar o seu crédito habitação? Saiba quanto pode poupar.

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Subida da Euribor: é o momento certo para amortizar o crédito habitação?

Com a subida da Euribor tem dúvidas se este é o momento certo para amortizar o seu crédito habitação? Saiba quanto pode poupar.

Com a prestação do crédito habitação a aumentar devido à subida da Euribor, muitos portugueses questionam-se se é a altura certa para amortizar o crédito habitação. Na verdade, perante a subida dos juros e da inflação, esta é a uma excelente altura para repensar nas suas finanças pessoais, como a gestão do seu orçamento familiar, na revisão do crédito habitação e até na sua carteira de seguros.

Afinal, quando existe um aumento das despesas, é preciso tomar medidas para evitar que o orçamento familiar fique em risco. E se tem uma poupança parada no banco, reflita se prefere que o seu dinheiro continue de parte, mesmo que isso desvalorize a sua poupança, ou se pretende aplicá-lo de forma a ganhar uma nova folga financeira.

Para ajudá-lo a tomar esta decisão, de seguida, mostramos o impacto da subida da Euribor na sua prestação de crédito, e quanto poderá poupar se amortizar o seu crédito habitação.

Leia ainda: Subida da Euribor: Dinheiro no banco ou amortizar o crédito habitação?

A subida da Euribor e impacto na vida dos portugueses 

Desde o final de 2021 que era expectável que as taxas Euribor começassem a subir, e 2022 veio confirmar esse cenário. Com a invasão da Rússia à Ucrânia, no final de fevereiro, e uma inflação extremamente elevada na Zona Euro, no primeiro trimestre de 2022 cresceu a expectativa de que o Banco Central Europeu, BCE, aumentasse os juros. E como consequência deste contexto, as taxas Euribor foram subindo progressivamente em todos os prazos.  

Para controlar a inflação na Zona Euro, em julho deste ano, o Banco Central Europeu decidiu agir, aumentando as taxas de juro diretoras em 0,5%. E desta forma, chega ao fim o ciclo dos juros negativos na Zona Europa, numa altura em que Portugal regista uma taxa de inflação de 9,1% (valores de julho). 

Perante este cenário, muitos portugueses começam a ver as suas prestações do crédito habitação a aumentar, bem como o custo de vida. E como tal, esta é uma altura em que é necessário repensar na gestão do orçamento familiar e refletir sobre soluções de poupança

Leia ainda: Simulador da Euribor: O impacto da subida dos juros no crédito habitação

A subida da Euribor vai afetar muito a minha prestação da casa? 

Tudo irá depender da evolução das taxas Euribor nos próximos tempos e das decisões do Banco Central Europeu (BCE). No entanto, a subida da Euribor já se começa a sentir nas prestações do crédito habitação.  

A evolução das taxas Euribor acompanha as expectativas em tornos das decisões do BCE. Assim, apesar de o banco central ainda só ter subido por uma vez os juros em 50 pontos, o aumento das taxas Euribor é superior a essa subida, como se pode ver na tabela abaixo que analisa a evolução das taxas entre abril e julho.

Euribor

Abril

Julho

Diferença

6 meses

-0,311%

0,467%

0,778%

12 meses

0,013%

0,979%

0,966%

Na prática, o impacto desta evolução, implica que quem contratou um crédito em abril está com uma prestação mais baixa do que quem o fez em julho. Para ficarmos com uma noção da dimensão desta diferença no orçamento de uma família, vamos a um exemplo:

Um crédito de 100 mil euros, com um prazo de 25 anos, e um spread de 1,3%, cuja prestação foi paga em junho (com base na média mensal da Euribor de abril) correspondia a um encargo mensal de 376,37 euros. Se este mesmo crédito foi contratado entretanto e tiver como referência a média mensal de julho, a prestação sobe para 412,60 euros, são mais 36,23 euros.

Para percebermos melhor qual o impacto da subida da Euribor na prestação do crédito habitação, o simulador da variação da Euribor no crédito habitação ajuda-nos a fazer estas contas. Se no caso acima descrito, a Euribor subisse para 2% correspondia a uma prestação de 489,96 euros, ou seja, mais 86,36 euros do que o valor de julho.

Vamos a outro exemplo: imagine que tem um crédito habitação com um capital em dívida no valor de 120.000 euros e que ainda lhe faltam 30 anos para saldar o seu empréstimo, o spread associado é de 1,2% e o contrato está indexado à Euribor a 12 meses. Se a última revisão tiver ocorrido no verão do ano passado (primeira prestação paga em agosto), significa que ficou a pagar 370,51 euros. Isto, numa altura em que a Euribor a 12 meses que é considerada para este caso (junho) estava nos -0,484%.

No entanto, na revisão deste mês (12 meses depois), aplica-se a Euribor de 0,852% (junho 2022). O que significa que a sua nova prestação será 446,67 euros. Ou seja, num espaço de 12 meses, a sua prestação aumentou 76,16 euros. Mas se a Euribor continuar a subir e chegar aos 2,5%, na sua revisão de 2023, a sua prestação mensal passaria para 552,34 euros. O que representa um aumento de 105,67 euros num espaço de um ano. 

E se eu tiver uma taxa Euribor a 6 meses? 

No caso do seu crédito habitação ter associada uma taxa Euribor a 6 meses, saiba que embora os valores estejam mais baixos comparativamente a taxa Euribor a 12 meses, o cenário não é assim tão distinto. Além disso, num espaço de 12 meses, a sua prestação sofrerá duas atualizações.  

Mas para ter ideia dos valores em causa, vamos usar o mesmo exemplo de um crédito habitação com o capital em dívida de 120.000 euros, tendo ainda 360 prestações por liquidar. Na sua última revisão de crédito, em fevereiro de 2022, tinha uma taxa Euribor de -0,545% (valor relativo a dezembro de 2021), logo teria uma prestação mensal de 367,25 euros.  

No entanto, em agosto deste ano, a sua prestação vai ser revista novamente. Assim, aplica-se uma taxa Euribor de 0,162% (tendo em conta o valor de junho de 2022), que implica o pagamento mensal de 406,24 euros de prestação. Ou seja, sofreria um aumento de 38,99 euros. 

Se a Euribor a 6 meses chegar a 2%, a sua prestação de crédito passaria para 518,96 euros. O que significa que neste cenário em que acontece uma subida mais acentuada, a sua prestação sofreria um aumento de 112,72 euros. Contudo, esta seria uma subida progressiva face ao aumento registado a cada revisão, e não de forma imediata. 

Leia ainda: Juros a subir: Até onde pode aumentar a prestação do meu crédito?

Vale a pena amortizar o meu crédito habitação com a subida da Euribor? 

No caso de ter capitais próprios e se a amortização do seu crédito habitação não colocar o seu orçamento em risco, pode ser uma opção bastante vantajosa. Afinal, neste momento, os juros de depósitos a prazo não estão a acompanhar a subida das taxas Euribor, nem o valor da inflação em Portugal.  

Como a inflação influencia o meu orçamento familiar?
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Logo, se tem o seu dinheiro num depósito a prazo ou numa conta poupança, o seu dinheiro está a desvalorizar. Além disso, com o aumento da inflação e se o seu rendimento estagnar, o seu poder de compra vai diminuir. 

Perante este cenário, se amortizar o seu crédito habitação pode ganhar uma nova folga financeira, pois não só estará a reduzir o montante que paga de juros, como a sua prestação mensal ficará mais baixa. E isto proporciona uma otimização no seu orçamento mensal. 

Contudo, tenha atenção que o reembolso antecipado do seu crédito, implica o pagamento de uma comissão. A comissão por reembolso antecipado de um crédito é cobrada numa amortização parcial ou total de um empréstimo. No entanto, por lei, os bancos não podem cobrar uma taxa superior a: 

  • 0,5% do capital reembolsado: quando o crédito habitação está associada a uma taxa de juro variável.  
  • 2% do capital reembolsado: nos contratos associados a uma taxa de juro fixa.  

Embora estes sejam os limites máximos, o seu banco deverá cobrar a comissão por reembolso antecipado estipulada no contrato de crédito habitação. Assim, deve olhar para o contrato e fazer contas ao valor que terá de pagar antes de tomar uma decisão.  

Leia ainda: Redução da prestação ou do prazo no crédito habitação: qual a melhor opção?

Quanto é que posso poupar ao amortizar o meu crédito habitação? 

Ao decidir amortizar o seu empréstimo habitação, pode poupar de várias formas: no imediato, reduzindo o valor da sua prestação, e no longo prazo, porque vai pagar menos juros.

Recorra ao simulador da prestação de crédito após amortização antecipada, para ficar com uma ideia do valor mensal que vai pagar ao banco após amortizar o seu crédito. Mas para ter noção de quanto poderá poupar, apresentamos alguns exemplos: 

Imagine que tem um crédito habitação com capital em divida de 120.000 euros e ainda faltam pagar 360 prestações. Se tiver um crédito com uma taxa Euribor a 6 meses e após a sua última revisão ficou com uma TAN (Euribor mais spread) de 1,7%, ao amortizar o seu empréstimo com 20.000 euros, a sua prestação mensal passaria de 425,76 euros para 354,80 euros. Ou seja, mensalmente pouparia 70,96 euros.  

No caso de ter 10.000 euros para amortizar este crédito, a prestação passaria de 425,76 euros para 390,28 euros, dando uma poupança mensal de 35,48 euros. E esta poupança é apenas mensal. Faça as contas em termos anuais ou mesmo ao longo de todo o contrato.

Mas se os juros subissem mais e a sua TAN chegasse aos 2,5%, teria então uma prestação ao banco de 474,15 euros. Com uma amortização de 20.000 euros, diminuía a prestação para 395,12 euros (poupando 79,03 euros por mês). Já com uma amortização de 10.000 euros, a sua prestação passaria para 434,63 euros, poupando 39,52 euros. 

Leia ainda: Crédito Habitação: Transferir ou amortizar?

É possível melhorar o meu crédito habitação com os juros a subir? 

Tudo dependerá das condições atuais do seu crédito habitação. Mas, por norma, a maioria dos clientes consegue poupar quando pede a revisão das condições de crédito. No entanto, este é um processo que exige comparar diferentes propostas de crédito, olhando para as taxas, produtos associados, entre outras condições, caso pretenda amortizar o capital em dívida. 

Regra geral, a transferência do crédito habitação para outro banco permite obter melhores condições, como um spread mais baixo ou uma diminuição do valor do seguro de vida do crédito habitação e seguro multirriscos.

Atualmente, existem bancos que praticam spreads de 0,85%, um valor menor do que era praticado há alguns anos. Contudo, mesmo que a nova entidade financeira não ofereça o spread mínimo, poderá beneficiar de um spread que ronda 1%, pois é o que a maioria dos bancos pratica atualmente.

Sabe quais são as condições do seu crédito? É a altura ideal para avaliar todos os detalhes e aproveitar condições mais vantajosas que estejam a ser praticadas no mercado.

Já em termos de seguros, pode contratar estes dois seguros obrigatórios numa outra entidade que não o seu banco. E isto pode significar uma poupança anual de centenas de euros. No fundo, quando contrata estes seguros junto do banco que concede o seu financiamento, tem uma bonificação no seu spread. No entanto, esta bonificação nem sempre compensa quando compara o valor destes seguros com outras opções do mercado.

Assim, se transferir o seu crédito para uma nova entidade que cubra todas as despesas desta transferência, e ainda ofereça uma diminuição do seu spread e valor dos seguros, certamente irá ganhar uma nova folga financeira. Esta folga será ainda maior, se neste processo decidir amortizar o seu capital em dívida.

Caso precise de ajuda para melhorar as condições do seu crédito habitação, pode contar com a equipa do Doutor Finanças, que estará total focada em encontrar as melhores soluções do mercado para si. Além disso, terá um acompanhamento personalizado do início ao fim do processo, tornando esta etapa com menos burocracias e mais célere. E todo o serviço, sem qualquer tipo de custos para si.

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