Já pensou em fazer um Orçamento ZERO?

Um Orçamento ZERO exige uma enorme força de vontade. Mas a sua felicidade e paz financeira merecem esse esforço.

O que é um Orçamento Zero? Na crónica anterior, expliquei-lhe a importância de fazer um orçamento mensal para começar a pôr as suas contas em ordem. Mas esta sugestão que lhe deixo agora é mais radical e transformadora. Garanto-lhe que se fizer isto, a sua vida (financeira) muda. Exige uma enorme força de vontade e motivação. Mas resolve uma série de problemas na sua vida.

A maior parte dos portugueses que conheço têm uma estratégia muito pouco eficaz de poupança. Gastam tudo o que querem sem grande critério conforme o saldo do multibanco e, no final do mês, se sobrar alguma coisa colocam numa conta-poupança. Ou simplesmente fica na conta para gastar no mês seguinte (mais uma vez sem nenhum objetivo planeado e específico). Conclusão: se não desapareceu neste mês, vai desaparecer no próximo.

Este tipo de português está sempre a queixar-se de que “nunca sobra dinheiro ao fim do mês, portanto, como é que é possível poupar alguma coisa?”.

Como fazer um Orçamento ZERO?

Vamos então fazer um breve exercício, o tal orçamento ZERO.  Em vez de pegar no seu salário e ver se chega para todos os seus gastos, pense ao contrário. Esqueça o seu salário (ou rendimento familiar). Defina numa folha em branco todas as despesas que são absolutamente essenciais para si: as que não pode dispensar e aquelas que o fazem feliz. Se não dispensa ir ao cinema todas as semanas (quando o fim da pandemia o permitir), inclua isso. Se faz questão de ir jantar fora todas as semanas, acrescente. Se não é essencial e pode abdicar disso para ser feliz, dispense. Repito, anote só o que precisa mesmo e o que o faz sentir-se bem e realizado. Sem influências exteriores.

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Discrimine todas as despesas que não pode deixar de ter: eletricidade, gás, água, condomínio, telemóvel, alimentação, combustíveis, portagens, etc. Coloque o valor real que gastou no mês passado (se foi um mês normal) em cada uma dessas áreas. Mais à frente falaremos sobre como pode reduzi-las todas.

O valor que tiver nessa folha é o valor que precisa para se sentir realizado. Agora a questão é simples: Tem esse dinheiro? Se sim, parabéns! Se não o tem e insistir em fazer tudo o que tem nessa lista está a ir por um mau caminho porque os problemas que vai ter no futuro (se não os tiver já no presente) vão retirar-lhe todo o prazer que tem ao gastar a fazer aquilo de que gosta. Pode até perder tudo o que tem atualmente. Pense nisso. Corte até ter um orçamento sustentável.

A outra opção - que muitos ignoram - é criar novas fontes de rendimento para sustentar a vida que o faz sentir-se realizado. Conheço pessoas que se queixam de que estão num trabalho mal pago, mas  não fazem nada para encontrar um trabalho melhor. Creio que é mais fácil culpar o “patrão” e não a inércia de procurar um trabalho melhor ou tirar um curso ou formação para criar competências que lhe permitam criar um trabalho próprio ou encontrar uma função ou profissão que seja melhor remunerada. Até pode acontecer não encontrar, mas sabe que tentou e que não vai desistir de tentar. É esta a atitude que faz a diferença.

A estratégia perdedora

Se tem o suficiente para ser feliz, pode passar ao passo seguinte. Invista o que lhe sobra numa ferramenta de poupança/investimento a pensar nos seus sonhos e no seu futuro.  É que há muitas pessoas que, como ganham bem, gastam bem. Só porque o têm. É uma opção de vida. Financeiramente errada. É uma estratégia perdedora a longo prazo.

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Ao fazer este “orçamento zero”, numa situação ideal, iria descobrir que afinal não precisa de gastar tanto dinheiro para se sentir realizado. Muitas vezes gastamos muito dinheiro em coisas que não nos trazem verdadeira felicidade. Este exercício simples obriga-nos a fazer uma autoanálise à forma como encaramos o nosso dinheiro e a vida.

Vou mesmo ver um filme que não gosto para fazer a vontade aos colegas? Não preferiria comprar um livro que ando para ler há meses? Vou mesmo comprar este carro para mostrar que também consigo ter um carro “bom”? A minha televisão não está ainda a funcionar? Preciso mesmo de um telemóvel novo? Quando perceber o que para si é realmente importante a curto, médio e longo prazo é mais fácil fazer escolhas no presente.

Este método permite-lhe descobrir as “gorduras” do seu orçamento mensal e cortá-las com lógica e bom senso. Isto dá trabalho e obriga-o a “queimar algumas pestanas”? Sim. Mas quando estudava para os testes na escola, não fazia noitadas? Quando estudou para tirar a carta de condução, não se dedicou a isso? Porquê? Porque era importante para si.

A sua felicidade e paz financeira não merece também esse esforço?

Pedro Andersson nasceu em 1973 e apaixonou-se pelo jornalismo ainda adolescente, na Rádio Clube da Covilhã. Licenciou-se em Comunicação Social, na Universidade da Beira Interior, e começou a carreira profissional na TSF. Em 2000, foi convidado para ser um dos jornalistas fundadores da SIC Notícias. Atualmente, continua na SIC, como jornalista coordenador, e é responsável desde 2011 pela rubrica "Contas-Poupança", dedicada às finanças pessoais. Tenta levar a realidade do dia a dia para as reportagens que realiza.

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