Finanças pessoais

Jovens trabalhadores: 7 erros financeiros que devem evitar

Sabia que os jovens trabalhadores cometem vários erros financeiros quando entram no mercado de trabalho? Conheça os mais comuns.

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Jovens trabalhadores: 7 erros financeiros que devem evitar

Sabia que os jovens trabalhadores cometem vários erros financeiros quando entram no mercado de trabalho? Conheça os mais comuns.

Quando entramos no mercado de trabalho, a capacidade de gestão financeira não é a melhor. Enquanto jovens trabalhadores, começamos a ter que gerir o ordenado mas podem-nos faltar os necessários conhecimentos de literacia financeira. E, como nesta fase, o mais provável é que ainda estejamos a viver em casa dos pais, as responsabilidades e as despesas são menores. Mas, menos responsabilidades, pode traduzir-se em erros financeiros e complicações, a longo prazo.

Segundo o inquérito sobre literacia financeira do Observatório Cetelem 2020, os jovens são a faixa etária que tem menos preocupações em poupar. E este é apenas um dos erros mais comuns que são cometidos pelos jovens trabalhadores. Para ajudar a prevenir alguns "maus hábitos" e erros, alertamos para sete erros comuns que os jovens trabalhadores tendem a cometer. Ainda assim, é possível adotar outra postura e melhorar a vida financeira, a curto, médio e longo prazo.

Assim, seguem-se os 7 erros financeiros comuns que os jovens trabalhadores devem evitar.

1 - Mudar drasticamente o estilo de vida

Muitos dos jovens que começam a trabalhar ainda se encontram a viver em casa dos pais. E mesmo que com o seu ordenado contribuam para pagar certas despesas, é normal que exista uma tendência para mudar o seu estilo de vida.

Na realidade, não existe qualquer problema em melhorar o nosso estilo de vida, principalmente quando somos nós a "pagar a fatura" por isso. A questão que levanta alguns problemas, prende-se com uma mudança drástica suportada pelo ordenado, que, futuramente, poderá ser impossível de manter. E se se habituar a um determinado estilo de vida, pode haver uma maior frustração quando se tornar independente.

É importante relembrar que, nessa altura, o nível de despesas sobe consideravelmente. E, ao não conseguir manter os hábitos que criou, poderá ter uma maior tendência para recorrer a créditos, e assim manter o mesmo estilo de vida. Atendendo ao expectável padrão, se entrar nesta "bola de neve", corre o risco de vir a ficar endividado.

Por isso, ao lidar com a gestão do seu ordenado pela primeira vez, é importante que crie "bons hábitos" de gestão e de consumo. Pois, caso não reflita sobre as suas compras e como gasta o seu dinheiro, o mais provável é acabar a desenvolver "maus hábitos", que podem acompanhá-lo para o resto da vida.

Leia ainda: Poupança para jovens: quais as soluções disponíveis?

2 - Gastar ordenado todo: Erro crasso entre jovens trabalhadores

Embora este erro costume andar de mãos dadas com o anterior, é fundamental sublinhá-lo. Mesmo que este erro seja cometido por apenas algumas pessoas, não é incomum ver jovens trabalhadores a gastar, mensalmente, a totalidade do seu ordenado. E, neste caso, estamos perante um erro crasso.

Ao viver em casa dos pais e não ter que suportar a maioria das despesas de um orçamento familiar, provavelmente, não existem motivos racionais para não sobrar dinheiro todos os meses. E, tal como referimos anteriormente, esta é a altura certa para repensar a forma como está a gastar o dinheiro. Segue-se um exemplo concreto que pode ajudá-lo a mudar a sua perspetiva em relação à gestão financeira que está a fazer.

Por exemplo, imagine que do seu ordenado, tirando despesas mensais, sobram-lhe 450 euros. Se dividirmos este valor em dois, ficam 225 euros para gastar em lazer e outras despesas, e 225 euros para poupar. No final de um ano, terá poupado 2700 euros. Caso demore cinco anos a sair de casa dos seus pais e mantiver este hábito de poupança, terá poupado 13.500 euros.

Este montante pode ajudar na entrada para a primeira casa, fazer a viagem que sempre sonhou ou comprar um automóvel. Por isso, é fundamental que pese na balança o tipo de gestão que pretende fazer. A gestão "despreocupada" leva a gastar a totalidade do ordenado e permite um melhor estilo de vida no presente, mas não permite alcançar certos objetivos, mais à frente. Já a gestão em que poupa, de forma automática, pode ajudar a alcançar os sonhos, em troca de um estilo de vida mais regrado e ligeiramente condicionado.

3 - Não ter noção dos rendimentos e despesas

Não ter noção dos rendimentos e despesas não é só um problema dos jovens trabalhadores. No entanto, nesta fase da vida, podem não existir ainda alguns hábitos de gestão, que são essenciais para perceber quanto dinheiro entra, e quanto sai, da conta.

E quais são os benefícios de saber exatamente os seus rendimentos e despesas? Ao saber exatamente quanto dinheiro entra e sai, não só fica mais fácil de identificar o montante que precisa para pagar as despesas, como permite-lhe tomar decisões financeiras conscientes.

Caso não saiba como pode identificar estes valores e ter sempre à mão um documento que lhe permite guiar todas as suas decisões, crie um orçamento familiar. Para fazer um orçamento familiar, deve, em primeiro lugar, identificar todas as suas receitas. Depois, é hora de se debruçar sobre as despesas, fazendo a separação entre as fixas e variáveis. Não se esqueça de assumir, sem problemas, as despesas que tem com "luxos." Se existirem despesas regulares, mas que não são mensais, nesses meses deve acrescentá-las ao seu orçamento.

Por fim, faça as contas, e veja quais são os montantes que entram e saem da sua conta todos os meses. Não se esqueça que usar o orçamento familiar na hora de tomar decisões, é uma ótima forma de saber que valor pode ser aplicado para poupar, gastar ou investir. No fundo, este acaba por ser um pilar de todo o planeamento financeiro da família. Contudo, deve ser consultado e atualizado, na hora de definir e gerir os seus objetivos.

4 - Jovens trabalhadores raramente criam fundo de emergência

Se não sabe o que é um fundo de emergência, este é um pé de meia que tem o objetivo de cobrir situações imprevistas, de aperto financeiro ou de quebras de rendimentos. Ou seja, o fundo de emergência é uma poupança que só deve ser usada em situações de emergência, e deve cobrir a totalidade das suas despesas de 6 a 12 meses.

E porque é um erro os jovens trabalhadores não criarem um fundo de emergência? Porque, nesta fase da vida, poupar costuma ser mais fácil, já que existem menos despesas. Assim, é maior a probabilidade de juntar um valor mais elevado rapidamente, do que quando sair de casa dos pais. Nesta altura, ter um fundo de emergência é prioritário, pois pode ajudar a lidar com situações complexas.

Por isso deixamos aqui um desafio. Se conseguir poupar 100 euros por mês para este fundo de emergência, ao final de três anos, o seu fundo já terá 3600 euros. Embora seja um sacrifício, se as suas despesas rondam os 600 euros, caso fique desempregado, consegue pagar a totalidade das contas durante seis meses.

Ler mais: Poupar com a revisão de contratos de créditos e seguros

5 - Não ter um plano financeiro a longo prazo

A maioria dos erros apontados até aqui, estão ligados à falta de planeamento ou à inexistência de um pensamento a longo prazo. Ter planos financeiros a longo prazo, permite analisar melhor as possibilidades que existem, os caminhos a percorrer e as etapas que terá de ultrapassar.

Mas, para tal ser possível, é necessário que reflita sobre as metas, objetivos e sonhos. Depois de definir todos os seus objetivos é hora de criar um plano para alcançá-los, mas, não se esqueça de estipular prazos. De seguida, pode separar os objetivos por prioridades e prazos. Desta forma, sabe exatamente naquilo que se deve focar e onde deve aplicar as suas poupanças e dedicação.

6 - Não evoluir em matéria de literacia financeira

Embora a literacia financeira seja fundamental desde tenra idade, pois existem conceitos básicos que devem ser apreendidos em criança, é importante que na fase adulta continue a aprender sobre finanças. Não tem de ser um especialista financeiro e dominar os temas mais complexos de economia e finanças, no entanto, quanto mais conhecimentos gerais e aprofundados tiver, mais simples será tomar decisões, e melhorar as suas finanças, poupanças e até investimentos.

Por exemplo, em criança aprendemos, de uma forma mais genérica, o conceito do dinheiro, consumo, poupanças e até dos investimentos. Já na adolescência, e na entrada da fase adulta, estes conceitos devem ser desenvolvidos e alargados. Para além disso, é importante aprender como funcionam os créditos, seguros, taxas e juros, comissões, etc., pois este tipo de informação pode beneficiá-lo em termos de decisões, mas também a poupar ou a ganhar dinheiro.

Ao contrário do que pode pensar, estas temáticas não são tão complicadas como parecem. Assim que souber o significado de certos termos e alguns conceitos básicos, a sua capacidade de assimilar informação irá surpreendê-lo.

7 - Jovens trabalhadores ficam presos às desculpas

Também este não é um erro apenas dos jovens trabalhadores, mas comum a muitas pessoas. No entanto, nesta fase da vida, sucedem-se as desculpas para justificar certos comportamentos. O problema é que esta postura só o desresponsabiliza perante as suas decisões. Para além disso, acaba por não estar a procurar soluções para alcançar os seus objetivos. E, assim, não evolui e fica preso a "maus hábitos".

Por exemplo, no arranque da vida profissional o mais provãvel é que não tenha o ordenado que ambicionava. Dado que os rendimentos são limitados, uma das desculpas mais simples de usar é que não poupa devido ao baixo ordenado. Mas, na verdade, estão reunidas as condições (viver em casa dos pais, ausência de despesas e responsabilidades) para poupar e amealhar um montante elevado, por mais baixo que seja o ordenado.

Ler mais: 7 dicas de poupança para jovens com o primeiro emprego

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