Você tem medo do “lobo mau”?

A única forma de lidarmos melhor com os imprevistos é termos uma rede de segurança. Se ainda não tem a sua, recomendo que comece depressa.

Lembra-se da história dos 3 porquinhos e do lobo mau? Claro que sim. A história repete-se e nós aprendemos as lições ou não. Talvez nunca tenha feito essa ligação entre essa história infantil e as suas finanças pessoais. 

Havia 3 irmãos porquinhos. Todos receberam a mesma herança e tornaram-se independentes. Um escolheu gastar pouco na sua segurança, construir uma casa de palha e “aproveitar a vida”. O segundo, era mais sensato e investiu um pouco mais na sua casa, construindo uma casa de paus. E foi tocar e dançar. O terceiro porquinho - chato e prudente - gastou grande parte do dinheiro a construir uma casa sólida que lhe permitisse suportar qualquer adversidade, fosse ela qual fosse, incluindo o lobo mau. A mãe já os tinha avisado do perigo do lobo mau.

O “lobo mau” chegou às nossas vidas e está a soprar sobre as nossas casas com intensidades diferentes. A questão é: será que vai aguentar a pancada?

O “lobo mau” pode ser a inflação, o aumento da Euribor, o desemprego, uma doença, uma guerra, uma pandemia, uma explosão de gás, um terramoto, uma inundação, ou até uma morte na família.

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Fundo de emergência protege-o do "lobo mau"

A qualidade da sua casa é o seu Fundo de Emergência. Por isso é que não me canso de vos falar nisto. Ter um Fundo de Emergência não o vai salvar dos problemas, mas vai dar-lhe alguma calma para poder pensar antes de agir: não vai ter de tomar decisões precipitadas ou obrigado pelos acontecimentos.

A atual guerra na Ucrânia tanto pode demorar mais algumas semanas, como meses ou anos. É nestas alturas que percebemos a importância de termos sido “chatos e prudentes” no passado enquanto outros andaram a gozar a vida, a cantar e a dançar.

Aliás, é a eterna história da cigarra e da formiga. Nestas alturas de aflição, para muitas famílias (mesmo para algumas que ganham muito bem), qualquer oscilação de preços ou despesas inesperadas são um apertar da corda financeira. Algumas semanas ou meses passam a ser um sufoco.

Ter na conta bancária (reservados para esse efeito) alguns milhares de euros não vai resolver os seus problemas mas dão-lhe tempo para fazer escolhas sensatas e equilibradas. Dão-lhe tempo para negociar se for preciso ainda sem estar completamente nas mãos de outros.

Tendo a sua casa financeira construída com tijolos, pode vir à janela espreitar o lobo e pensar: “Bom, ele bem pode soprar durante um mês ou dois, que eu tenho aqui tudo o que preciso. Entretanto, se ele continuar, vou pensando aqui em alternativas…”.

A parte boa de ter um fundo de emergência razoável é que, tal como o terceiro porquinho, talvez ainda possa ajudar algum familiar ou amigo. 

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Constitua um fundo de emergência já!

O segredo está em usarmos os nossos recursos financeiros de uma forma equilibrada pensando no futuro e não apenas no presente. Se ainda não tem um fundo de emergência de 5 mil euros, comece esse processo o mais depressa possível. Custe o que custar e demore o tempo que demorar. E isto aplica-se mesmo a quem ganha o salário mínimo. Se demorar 10 anos, que demore 10 anos. Faça disso o seu primeiro objetivo financeiro. 

Lembre-se do exemplo do terceiro porquinho. O lobo mau existe e está lá fora. A diferença entre entrar em pânico e encarar o aumento dos preços “apenas” como uma situação desagradável que pode ser apenas temporária, está na sua reserva financeira atual

Lembrei-me disto quando vi as filas para abastecer o automóvel na semana antes dos gigantescos aumentos de preços dos combustíveis. O terceiro porquinho de certeza que passou ao lado das filas e pensou “Se não conseguir abastecer hoje, abasteço na semana que vem. Será chato gastar mais 7 euros para encher o depósito, mas sei onde posso cortar para compensar essa despesa adicional. E se não conseguir, ainda tenho margem para suportar mais 6 meses de aumentos de tudo. Vou é concentrar-me em manter a cabeça fria e tentar encontrar fontes de rendimento extra para sair mais forte desta crise”.

Está a ver a diferença?  

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Pedro Andersson nasceu em 1973 e apaixonou-se pelo jornalismo ainda adolescente, na Rádio Clube da Covilhã. Licenciou-se em Comunicação Social, na Universidade da Beira Interior, e começou a carreira profissional na TSF. Em 2000, foi convidado para ser um dos jornalistas fundadores da SIC Notícias. Atualmente, continua na SIC, como jornalista coordenador, e é responsável desde 2011 pela rubrica "Contas-Poupança", dedicada às finanças pessoais. Tenta levar a realidade do dia a dia para as reportagens que realiza.

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