As cotadas portuguesas têm registado um excecional desempenho nos últimos meses, em termos absolutos e relativos, sendo que está agora à porta a época de pagamento de dividendos, que vem reforçar a atratividade das empresas que integram o PSI.
O índice português regista uma valorização de 40% nos últimos 12 meses e 11% desde o início deste ano, superando largamente o desempenho dos pares internacionais. O Stoxx600 (Europa) valoriza 22% no último ano, enquanto o S&P500 (Estados Unidos) aprecia 29% e o MSCI ACWI (mundo) ganha 33%. No acumulado em 2026, estes três índices também apresentam um registo mais modesto do que o PSI, que é dos poucos a nível mundial com valorizações de dois dígitos.
Além de beneficiarem com esta valorização expressiva das cotações, os acionistas das companhias do PSI vão receber ao longo das próximas semanas uma remuneração que continua a ser bastante interessante e espelha a evolução favorável dos resultados das empresas lusas. As cotadas portuguesas habituaram os investidores a uma política de distribuição de lucros generosa e vão repetir a estratégia este ano, o que representa um trunfo cada vez mais sustentado da bolsa portuguesa e um dos fatores que atrai capital estrangeiro para o PSI.
Dividendos acima de 3 mil milhões
Entre as 16 cotadas que integram o PSI, duas ainda não revelaram a remuneração aos acionistas (Ibersol e Teixeira Duarte) e a EDP Renováveis manteve a opção de entregar dividendos em ações. Entre as restantes 13 que pagam em “cash”, duas baixaram o valor do dividendo, uma manteve e 10 aumentaram a remuneração por ação.
No total, estas 13 cotadas vão entregar aos acionistas 3,02 mil milhões de euros referentes aos resultados obtidos no exercício de 2025 (algumas companhias, como é o caso da Galp Energia, já pagaram parte do dividendo). O valor representa um aumento ligeiro de 2%, mas que mantém a tendência de crescimento gradual que se tem repetido nos últimos anos.
Os lucros destas empresas registaram um aumento superior (8% para 5,2 mil milhões de euros), o que implica uma descida da parcela dos lucros que as cotadas destinam para remunerar os acionistas. O “payout” (rácio que mede o peso da remuneração total nos resultados líquidos) situa-se este ano em 58% no PSI, uma descida de cerca de 4 pontos percentuais face a 2025 e que compara com a média em redor de dois terços dos últimos anos.
Esta evolução deve ser vista como positiva, pois as cotadas portuguesas estão a conseguir aumentar os dividendos ao mesmo tempo que reduzem o esforço para remunerar os acionistas. Uma política que torna o pagamento de dividendos mais sustentável e se traduz num alívio da pressão financeira, libertando capital para outros fins, como investimento e redução da dívida.
Apesar desta descida do “payout” e valorização expressiva das cotações, a rendibilidade dos dividendos das cotadas portuguesas continua em níveis atrativos, deixando intacta a narrativa de que a remuneração aos acionistas é um dos trunfos das empresas do PSI. O retorno médio situa-se em 4,1%, o que representa uma descida face ao “dividend yield” do índice em 2025 (5,3%) e dos anos anteriores, também habitualmente acima de 5% em termos brutos (antes de descontar os impostos).
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