Duas pessoas a jogar jogo de tabuleiro

O jogo de tabuleiro “World Order” remete-nos para 2010, um ano dito de mudança drástica para o mundo. Durante décadas, os Estados Unidos tinham reinado a seu belo prazer; mas, de repente, o poder superlativo dos norte-americanos começava a desvanecer-se, à medida que outras superpotências procuravam ocupar um lugar mais proeminente na cena mundial. A China agigantava-se, sem pedir licença a ninguém, enquanto a Rússia, como de costume, se entretinha numa longa e sub-reptícia partida de xadrez com os americanos. No meio deste turbilhão, a União Europeia tentava estabelecer a sua própria identidade. Nesta redistribuição do poder mundial, a quem calharia o maior quinhão?

Na vida real, este jogo pelo domínio do planeta continua a surgir quotidianamente nos telejornais, nas redes sociais, na imprensa. Os acontecimentos são tantos e tão sucessivos que é um alívio aterrar neste jogo de tabuleiro onde se consegue perceber e controlar melhor tudo o que se está a passar. Em “World Order”, a nossa tarefa não podia ser mais simples: só temos de pegar num dos poderes dominantes e tentar expandir-lhe a influência, através da força económica, do poder militar ou da astúcia diplomática.

World Order

Vai ser um rufia ou uma diplomata?

Dissemos simples? Bem, o folheto das regras tem 24 páginas… Calma, que muitas estão preenchidas por belas ilustrações. Ainda assim, isto de conquistar o mundo tem de envolver alguma complexidade. Ao tomar o controlo dos Estados Unidos da América, da China, da União Europeia ou da Rússia, o jogador terá de alavancar a produção de energia, matérias-primas e alimentos. Também poderá produzir recursos secundários, como bens de consumo, serviços ou material militar. E enquanto se mantém um olho nos níveis de prosperidade, gere-se o foco das ações da superpotência, distribuídas pelos campos diplomático, económico, militar ou doméstico. 

O tabuleiro principal representa o mundo, dividido por regiões. Ao longo de seis rondas, as superpotências usam cubos coloridos para assinalar a sua influência nessas regiões. Tal como no mundo real, é possível negociar alianças e interações com outros países. Mas não vale tudo. Por exemplo, a carta da Coreia do Norte explicita que os EUA e a Europa não conseguem melhorar as relações com esse país; pelo contrário, à China e à Rússia o regime norte-coreano permitirá a construção de bases militares. Portanto, vamos apostar nos tanques e bombardeiros ou em políticas agressivas de comércio?

World Order

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Os ativos estratégicos da União Europeia

Ponhamos de lado a vertente bélica e centremo-nos na económica, pode ser? No caso de vestirmos a pele da União Europeia, aliás, é esse o campo que ganha peso, através de ativos estratégicos como o Banco Central Europeu, os Pactos Globais de Comércio ou as Políticas de Vizinhança com estados do Norte de África ou do Médio Oriente. Será o comércio a render as preciosas receitas e a garantir o acesso a recursos que a Europa não produz em quantidade suficiente. Pode-se fortalecer o elo com países estrangeiros, através de projetos financeiros de grande escala que garantem benefícios a longo prazo, e também olhar para dentro, procurando formas de atingir maior eficácia no governo da União. Na fase de pesquisa, o acesso a cartas com novas funcionalidades despoleta nova fase de decisão. Aposta-se no desenvolvimento industrial ou na transferência de conhecimento? É melhor tentar reduzir a burocracia interna ou será mais relevante melhorar as relações diplomáticas com a Índia?

Todos os caminhos serão viáveis, se inseridos numa estratégia coerente. Ao longo da partida, as superpotências obtêm pontos de vitória consoante a sua influência nas várias regiões do globo; mas, no final da partida, haverá pontos adicionais para quem tiver mais dinheiro, quem tiver mais presença militar, quem tiver feito mais alianças com outros países. Ainda assim, talvez o maior prémio seja, enquanto nos divertíamos a jogar, termos ficado a saber um bocadinho mais de como se desenrola esta frenética corrida entre as superpotências pelo domínio do mundo. E isso, convenhamos, vai muito para além de um simples jogo de tabuleiro.

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