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No segundo trimestre de 2026, o mercado imobiliário residencial em Portugal deu sinais claros de abrandamento. Os dados do Observatório do Imobiliário do Doutor Finanças mostram que, no período entre abril e junho, tanto os preços de venda das casas como os de arrendamento recuaram a nível nacional, face ao primeiro trimestre.

Em paralelo, o stock de casas disponíveis subiu de forma expressiva e a velocidade a que os negócios se concretizam abrandou. Não é uma travagem brusca, mas o conjunto dos indicadores aponta para uma mudança de ritmo que altera o equilíbrio entre quem procura casa e quem quer vender ou arrendar.

Preços de venda descem, mas com trajetórias distintas no território

O preço médio por metro quadrado das casas anunciadas para venda fixou-se em 3.544 €/m² no 2.º trimestre, uma descida de 3,4% face à média do trimestre anterior (3.667 €/m²).

Preço médio por m2 das casas à venda no 2.º trimestre

Distrito

Preço por m2

Evolução trimestral

R. A. Açores

2.219 €

+2,1%

Aveiro

2.027 €

-3,5%

Beja

1.740 €

-1,2%

Braga

1.997 €

+1,3%

Bragança

940 €

+3,0%

Castelo Branco

977 €

-2,9%

Coimbra

1.632 €

+1,7%

Évora

2.197 €

-4,7%

Faro

4.759 €

+2,1%

Guarda

773 €

+2,8%

Leiria

2.056 €

+0,2%

Lisboa

5.660 €

-3,3%

R. A. Madeira

4.401 €

-0,4%

Portalegre

1.031 €

+3,4%

Porto

3.552 €

-2,4%

Santarém

1.622 €

+5,8%

Setúbal

3.852 €

-5,2%

Viana do Castelo

1.871 €

-5,3%

Vila Real

1.093 €

+0,6%

Viseu

1.394 €

+8,6%

Média nacional

3.544 €

-3,4%

A evolução, contudo, esteve longe de ser uniforme. Dos 20 distritos e regiões autónomas analisados, 11 registaram subidas de preços das casas e nove apresentaram descidas. E as trajetórias mostram um padrão geográfico interessante: as maiores valorizações concentraram-se no interior norte e centro, enquanto as principais correções ocorreram em vários distritos do litoral e em territórios com preços médios mais elevados.

Entre as subidas, destacam-se Viseu (+8,6%), Santarém (+5,8%) e Portalegre (+3,4%). No sentido inverso, as maiores quedas ficaram por conta de Viana do Castelo (-5,3%), Setúbal (-5,2%) e Évora (-4,7%). Distritos de grande dimensão, como Lisboa (-3,3%) e Aveiro (-3,5%), também registaram correções relevantes, o que contribuiu de forma significativa para a média nacional em baixa.

Mapa com a distribuição por distrito dos valores por m2 das casas para venda no 2.º trimestre de 2026

Descida foi maior nas casas de gama média e alta

A queda dos preços não afetou todos os segmentos do mercado da mesma forma. Os imóveis de gama média e alta foram claramente os que mais desvalorizaram, enquanto as casas mais baratas mostraram maior resistência à queda.

Olhando para a distribuição dos preços das casas anunciadas, as casas de gama intermédia (o valor a partir do qual metade dos imóveis é mais barata e metade mais cara) passaram de 419.900 € no 1.º trimestre para 390.000 € no 2.º, uma descida de 7,1%. Já entre as casas mais caras (o topo do mercado), a correção foi ainda ligeiramente maior: -7,2%, com o valor de referência a passar de 695.000 € para 645.000 €. No extremo oposto, entre as casas mais baratas, a descida ficou-se pelos 3,7% (de 270.000 € para 259.900 €).

Arrendamento com descida ainda maior

No mercado de arrendamento, o valor médio por m² desceu 4,2% entre abril e junho, fixando-se nos 15,46 €/m² (face aos 16,14 €/m² do trimestre anterior). A correção foi liderada por Évora (-12,8%), seguida de Beja (-6,5%) e Coimbra (-6,5%). Os dois maiores mercados de arrendamento do país, Lisboa (-4,0%) e Porto (-4,0%), também contribuíram decisivamente para puxar a média nacional para baixo.

No sentido oposto, várias regiões do interior registaram subidas expressivas, com Guarda (+33%) a liderar, seguida de Viseu (+11,6%) e Bragança (+7,2%). Estas variações devem, ainda assim, ser lidas com o devido contexto: resultam de mercados com menor volume de anúncios, mais suscetíveis a oscilações trimestrais significativas.

Mapa com a distribuição por distrito dos valores por m2 das casas para arrendamento no 2.º trimestre de 2026

Casas demoram mais tempo a ser vendidas e arrendadas

Os dados do Observatório mostram que o tempo médio de venda das moradias subiu 54% no trimestre, passando para 184 dias. Nos apartamentos, verificou-se o movimento inverso, com uma redução de 15% (para 106 dias).

No arrendamento, o abrandamento é ainda mais claro: as moradias demoram agora 150 dias a ser arrendadas (+20%) e os apartamentos 148 dias, um aumento de 87% face ao trimestre anterior.

A taxa de absorção (a percentagem de imóveis anunciados que resulta em negócio fechado no mesmo período) confirma esta leitura: no mercado de venda, recuou ligeiramente, de 1,6% para 1,5%. Sinal de que o mercado continua ativo, mas com maior demora no fecho dos negócios.

Peso da casa no orçamento continua elevado

Apesar da correção dos preços, comprar casa continua a exigir um esforço financeiro significativo. O Índice de Acessibilidade Habitacional (IAH) utilizado no Observatório mostra que, em junho, a prestação média de um apartamento T2 em Portugal absorvia 49% do rendimento líquido de um casal com salário médio, uma ligeira melhoria face aos 50% de abril. Uma moradia T3 exigia 53% do rendimento.

Perguntas frequentes

O Observatório Imobiliário em Portugal é uma ferramenta criada e operacionalizada pelo Doutor Finanças com o objetivo de sistematizar e divulgar dados fiáveis sobre o mercado residencial em Portugal, permitindo uma leitura clara das dinâmicas de preços, oferta e acessibilidade à habitação.
Baseia-se na análise contínua de anúncios imobiliários de venda e arrendamento, cruzados com estatísticas oficiais do INE, cobrindo todo o território nacional, com detalhe por distrito e município.

O Observatório recolhe e trabalha dados sobre:

  • Preços de venda por m² (apartamentos e moradias);
  • Valores de arrendamento por m²;
  • Acessibilidade à habitação, através do Índice de Acessibilidade Habitacional, que relaciona rendimento médio das famílias com prestações de crédito;
  • Oferta disponível (número de imóveis em venda/arrendamento);
  • Dinâmica do mercado.

Estes indicadores são atualizados regularmente e permitem acompanhar tendências nacionais, distritais e municipais.

A informação resulta da recolha automática e contínua de anúncios imobiliários online, posteriormente tratada para garantir consistência estatística.
É complementada com dados oficiais, sobretudo do INE, para criar uma base de dados “viva”, fiável e representativa do mercado.

O Observatório destaca-se porque:

  • Atualiza dados de forma contínua;
  • Cobre simultaneamente venda, arrendamento e acessibilidade, oferecendo uma visão integrada;
  • Desagrega informação por distrito, município e freguesia, permitindo comparações locais mais rigorosas;
  • Foi criado para resolver a fragmentação e dispersão de informação imobiliária existente no mercado, contribuindo para maior transparência.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

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