Comprar casa em Lisboa continua a exigir um esforço financeiro muito acima da média nacional. Ainda assim, no segundo trimestre de 2026 registou-se um ligeiro alívio: o preço do metro quadrado dos anúncios caiu 3,3% face ao trimestre anterior, em linha com a descida de 3,4% que se registou a nível nacional. Além disso, segundo os dados do Observatório do Imobiliário do Doutor Finanças, o índice que mede a facilidade de acesso à habitação melhorou ligeiramente.
Apesar destas melhorias, a taxa de esforço das famílias mantém-se elevada. Pagar a prestação do crédito habitação de um apartamento T2 na capital exige 52% do rendimento mensal de um casal.
Descida de preços dá pequeno impulso à acessibilidade
O Índice de Acessibilidade Habitacional (IAH), que mede a relação entre o rendimento médio de um agregado e a prestação mensal de um crédito habitação, melhorou em Lisboa durante o segundo trimestre de 2026. No caso da compra de um apartamento T2, o indicador aumentou de 1,67 em março, para 1,91 em junho (ver gráfico). Já em moradias T3, este valor passou de 1,25 para 1,34.
Quanto mais elevado for o IAH, maior é a capacidade financeira das famílias para suportarem a prestação do crédito habitação.
Esta evolução explica-se sobretudo pela descida dos preços dos anúncios das casas. O preço médio por metro quadrado em Lisboa caiu 3,3%, passando de 5.783 euros, no primeiro trimestre, para 5.660 euros, no segundo.
Leia ainda: Preços das casas caíram 3,4% no segundo trimestre
Prestação da casa continua a exigir mais de 50% de taxa de esforço
Apesar da correção dos preços e da ligeira melhoria na acessibilidade, os encargos com a habitação continuam difíceis de suportar para a maioria das famílias. A prestação média de um crédito para comprar um apartamento T2 em Lisboa fixou-se nos 1.425 euros por mês, bastante acima da média nacional (1.153 euros). Na prática, um casal tem de afetar 52% do rendimento mensal ao pagamento da prestação.
Mas a situação torna-se impraticável se em causa estiver uma moradia. Na tipologia T3, a prestação média ascende a 2.039 euros mensais, o equivalente a 75% do rendimento de um casal que aufira dois salários médios (2.724 euros, segundo o INE). Apesar de tudo, também na taxa de esforço se registou um ligeiro alívio face ao trimestre anterior. Nessa altura, as prestações médias para estes dois tipos de habitação – apartamento T2 a moradia T3 – eram de 1.498 euros e de 2.190 euros, respetivamente.
Lisboa mantém-se como o distrito mais caro do país
Apesar da tendência de descida dos valores publicados nos anúncios registada entre abril e junho, o distrito de Lisboa continua a ser aquele em que o preço por metro quadrado é mais elevado.
A capital lidera os preços em todas as tipologias, bem acima da média nacional.
Tipologia | Lisboa | Média nacional |
T0 | 6.035 € /m2 | 3.276 € /m2 |
T1 | 6.654 € /m2 | 4.436 € /m2 |
T2 | 5.698 € /m2 | 3.953 € /m2 |
T3 | 5.601 € /m2 | 3.494 € /m2 |
T4 | 5.702 € /m2 | 3.767 € /m2 |
T5 ou superior | 5.935 € /m2 | 3.665 € /m2 |
Ainda assim, os dados do segundo trimestre revelam também que enquanto em distritos mais caros, como Lisboa, Setúbal ou a Região Autónoma da Madeira, os indicadores de acessibilidade registaram ligeiras melhorias, nas regiões com preços abaixo da média nacional, como Viseu, Santarém e Portalegre ocorreram as maiores subidas de preços.
Perguntas frequentes
O Observatório Imobiliário em Portugal é uma ferramenta criada e operacionalizada pelo Doutor Finanças com o objetivo de sistematizar e divulgar dados fiáveis sobre o mercado residencial em Portugal, permitindo uma leitura clara das dinâmicas de preços, oferta e acessibilidade à habitação. Baseia-se na análise contínua de anúncios imobiliários de venda e arrendamento, cruzados com estatísticas oficiais do INE, cobrindo todo o território nacional, com detalhe por distrito e município.
O Observatório recolhe e trabalha dados sobre:
- Preços de venda por m² (apartamentos e moradias);
- Valores de arrendamento por m²;
- Acessibilidade à habitação, através do Índice de Acessibilidade Habitacional, que relaciona rendimento médio das famílias com prestações de crédito;
- Oferta disponível (número de imóveis em venda/arrendamento);
- Dinâmica do mercado.
Estes indicadores são atualizados regularmente e permitem acompanhar tendências nacionais, distritais e municipais.
O Índice de Acessibilidade Habitacional (IAH) mede a razão entre o rendimento mensal médio de uma pessoa ou de um casal, ajustado ao distrito (segundado dados do INE) e a prestação mensal média do crédito habitação.
A prestação mensal média é estimada a partir das seguintes variáveis:
- Preço médio anunciado;
- Loan-to-value (LTV) médio (60,8% para apartamentos e 57,45% para moradias);
- Taxa anual nominal (TAN) de 2,9%;
- Prazo médio do crédito de 30 anos.
A informação resulta da recolha automática e contínua de anúncios imobiliários online, posteriormente tratada para garantir consistência estatística. É complementada com dados oficiais, sobretudo do INE, para criar uma base de dados “viva”, fiável e representativa do mercado.
O Observatório destaca-se porque:
- Atualiza dados de forma contínua;
- Cobre simultaneamente venda, arrendamento e acessibilidade, oferecendo uma visão integrada;
- Desagrega informação por distrito, município e freguesia, permitindo comparações locais mais rigorosas;
- Foi criado para resolver a fragmentação e dispersão de informação imobiliária existente no mercado, contribuindo para maior transparência.
