Pessoa a usar smartphone

A tentativa de fraude financeira chegou a uma parte significativa da população portuguesa no último ano. Segundo o Barómetro de Literacia Financeira Digital, realizado pelo Doutor Finanças em parceria com a Católica-Lisbon, 66% dos inquiridos foram alvo de pelo menos uma situação deste género. Entre os que passaram por esta experiência, o e-mail e a SMS destacam-se como os principais canais utilizados.

Os dados do 4.º Barómetro Doutor Finanças mostram ainda que as tentativas assumem diferentes formas e nem todas ficam apenas pelo contacto. Há casos em que as vítimas partilharam dados ou perderam dinheiro, sendo que, entre quem sofreu uma perda financeira, 40% perderam mais de 200 euros.

E-mail e SMS foram usados em 86% das tentativas de fraude

Entre os inquiridos que foram alvo de uma tentativa de fraude ou burla relacionada com dinheiro, 86% indicaram ter recebido o contacto através de e-mail ou SMS. Estes dois meios destacam-se claramente dos restantes canais analisados no Barómetro de Literacia Financeira Digital.

As chamadas telefónicas surgem em segundo lugar, referidas por 31% dos inquiridos que receberam estas tentativas. Seguem-se o WhatsApp ou Telegram, com 18%, os anúncios online, com 7%, e as redes sociais, como Instagram ou Facebook, com 6%.

SMS falsa é o tipo de burla mais referido

Quando o Barómetro pergunta concretamente que fraude ocorreu, 45% dos inquiridos referem uma SMS falsa, também identificada no estudo como smishing. O e-mail falso, ou phishing, ocupa a segunda posição, com 27%.

As chamadas telefónicas fraudulentas representam 18% das respostas, enquanto 11% apontam para mensagens através de redes sociais. Seguem-se as compras online ou lojas falsas, com 9%, as burlas através de marketplaces, com 7%, e os falsos investimentos, com 5%.

O Barómetro mostra ainda que a SMS falsa é a modalidade mais reportada na maioria dos grupos analisados, independentemente da idade ou escolaridade.

Maioria ficou pela tentativa, mas 4% perderam dinheiro

Dos 66% de inquiridos que foram alvo de uma situação de fraude, burla ou roubo relacionado com dinheiro nos 12 meses anteriores ao estudo, a grande maioria não sofreu outras consequências. 60% indicaram ter sido alvo apenas de uma tentativa, sem perda financeira ou partilha de dados.

Ainda assim, 4% chegaram a perder dinheiro e 2% partilharam dados, embora sem sofrer uma perda financeira. Entre os casos em que houve dinheiro perdido, 40% envolveram montantes superiores a 200 euros.

Utilizadores diários reportam mais tentativas de fraude

A frequência com que são usados os serviços financeiros digitais também apresenta diferenças nos resultados do Barómetro de Literacia Financeira Digital. Entre os utilizadores diários, 77% afirmam ter sido alvo de pelo menos uma tentativa de fraude nos últimos 12 meses.

A percentagem diminui à medida que a utilização destes serviços se torna menos frequente. Entre os inquiridos que nunca recorrem a serviços financeiros digitais, 34% reportaram uma situação deste género. O Barómetro identifica, assim, uma maior incidência reportada entre quem utiliza estes serviços com mais regularidade.

65% acreditam que conseguiriam identificar uma fraude online

Apesar da elevada exposição às tentativas de fraude, a maioria dos portugueses considera que conseguiria reconhecer uma situação deste género. 65% dizem sentir-se confiantes para identificar uma tentativa de fraude online (23% consideram-se muito confiantes e 42% bastante confiantes).

Em sentido contrário, 31% admitem falta de confiança nesta capacidade. Destes, 22% dizem sentir-se pouco confiantes e 9% nada confiantes. 4% não souberam ou não quiseram responder.

Só metade mudou comportamentos após uma tentativa de fraude

Passar por uma tentativa de fraude nem sempre levou a uma mudança posterior. Segundo o 4.º Barómetro Doutor Finanças, apenas 50% dos inquiridos alteraram algum comportamento depois do episódio, enquanto 47% não fizeram qualquer mudança.

Entre aqueles que foram efetivamente vítimas de fraude, 47% apresentaram queixa às entidades competentes e 40% contactaram o banco. Apenas 30% bloquearam cartões ou alteraram palavras-passe. Já 23% afirmaram não ter feito nada depois de ter sido vítima de fraude ou burla.

Ficha técnica: Este inquérito foi realizado pelo Centro de Estudos Aplicados (CEA) da Universidade Católica Portuguesa em colaboração com o Doutor Finanças, entre os dias 13 e 23 de julho de 2026. O universo-alvo é composto por indivíduos com 18 ou mais anos residentes em Portugal. Os inquiridos foram selecionados aleatoriamente a partir de uma lista de números de telemóvel, também ela gerada de forma aleatória. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 700 inquiridos é de 4%, com um nível de confiança de 95%.   

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Perguntas frequentes

Perante uma mensagem do banco com um link para confirmar dados ou evitar o bloqueio da conta, 95% dos inquiridos dizem que não clicariam e contactariam o banco através de um canal oficial. Apenas 1% afirma que clicaria no link e seguiria as instruções, enquanto 4% não sabem o que fariam.

O roubo de identidade ou de dados é a principal preocupação, referida por 74% dos inquiridos. O roubo de dinheiro surge em segundo lugar, com 56%. As aplicações pouco claras preocupam 31% e 29% receiam cometer um erro durante a utilização de serviços digitais.

Segundo o Barómetro de Literacia Financeira Digital, 63% dos inquiridos têm notificações ativas para movimentos da conta ou do cartão. Ainda assim, 36% não utilizam este tipo de alerta. Quanto à consulta das transações, 33% fazem-no diariamente e 42% verificam os movimentos uma vez por semana.

Sim. Entre os 14% de inquiridos que nunca ou raramente utilizam serviços financeiros digitais, 42% apontam a falta de confiança ou o medo de fraude como um dos principais motivos. A mesma percentagem refere preferir o atendimento presencial. O Barómetro alerta, contudo, que estes resultados correspondem a uma subamostra reduzida.

Ainda são poucos. Apenas 18% dos inquiridos dizem usar ou confiar em ferramentas de inteligência artificial para detetar possíveis burlas. No conjunto das utilizações financeiras da IA, quase metade, 48%, afirma não confiar nem utilizar estas ferramentas.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

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