A 1 de agosto, o preço médio das habitações listadas para venda em Portugal era de 3.745 euros/m², de acordo com o mais recente relatório do Observatório de Imobiliário do Doutor Finanças. Mas este valor é insuficiente para perceber o país onde boa parte das pessoas procura casa. Em metade dos distritos, o metro quadrado custa menos de 2.000 euros, e a média nacional é fortemente impulsionada por um punhado de mercados no litoral.
Apenas cinco dos 20 territórios (18 distritos e duas regiões autónomas) ficam acima da média nacional: Lisboa (5.683 euros/m²), Faro (4.883 euros/m²), Região Autónoma da Madeira (4.497 euros/m²), Setúbal (4.004 euros/m²) e Porto (3.749 euros/m²). Quando se olha para os distritos que dividem a lista a meio, os valores ficam bastante aquém dos 3.745 euros/m² da média: 2.073 euros/m² em Braga e 1.922 euros/m² em Viana do Castelo.
Preço médio das casas listadas para venda | |
Lisboa | 5.683€ |
Faro | 4.883€ |
R. A. Madeira | 4.497€ |
Setúbal | 4.004€ |
Porto | 3.749€ |
Média nacional | 3.745€ |
Évora | 2.557€ |
R. A. Açores | 2.292€ |
Aveiro | 2.287€ |
Leiria | 2.194€ |
Braga | 2.073€ |
Viana do Castelo | 1.922€ |
Beja | 1.781€ |
Santarém | 1.736€ |
Coimbra | 1.679€ |
Viseu | 1.483€ |
Vila Real | 1.192€ |
Castelo Branco | 1.136€ |
Portalegre | 1.021€ |
Bragança | 949€ |
Guarda | 832€ |
O peso desproporcional que os cinco distritos mais caros assumem na média nacional reflete o número de casas anunciadas nestes mercados. É que, apesar de apenas constituírem 25% dos distritos nacionais, os cinco territórios mais caros concentram cerca de 70% das casas registadas para venda.
Casas mais baratas no interior
Os dez distritos onde os imóveis custam, em média, menos de 2.000 euros/m² situam-se quase todos no interior do país. Guarda (832 euros/m²) e Bragança (949 euros/m²) são os mais acessíveis e os únicos onde o metro quadrado não chega aos 1.000 euros. Depois vêm Portalegre, Castelo Branco, Vila Real, Viseu, Coimbra, Santarém, Beja e Viana do Castelo, todos entre 1.000 e os 2.000 euros/m². São mercados com menos procura e menos anúncios, mas onde comprar casa continua a estar ao alcance de um orçamento familiar médio.
Nestes dez distritos, a prestação média de um apartamento T2 fica dentro dos 33% do rendimento médio de um casal, o limite habitualmente apontado como saudável. Nos mais baratos, o peso é ainda menor: cerca de 15% em Bragança e em Portalegre.
Madeira continua a ser a região onde é mais difícil comprar casa
O reverso da medalha está no grupo de distritos onde comprar casa se está a tornar “missão impossível” para a classe média. O mais pressionado não é sequer o mais caro por metro quadrado: é a Região Autónoma da Madeira, onde a prestação de um apartamento T2 absorve 70% do rendimento de um casal e uma moradia T3 exige 123%, ou seja, mais do que a totalidade de dois salários médios. Seguem-se Faro (65% num T2 e 95% numa moradia) e Lisboa (57% e 79%), ambos bem acima do limiar considerado saudável.
A explicação está no desencontro entre preços e rendimentos locais. A Madeira é apenas o terceiro distrito mais caro à venda, mas torna-se o mais inacessível porque os salários da região não acompanham o valor das casas. O mesmo desequilíbrio, em menor grau, afeta o Porto (47% num T2) e Setúbal, onde uma moradia T3 já pesa 75% do rendimento.
Ainda assim, é em Lisboa que o contraste de preços com o resto do país é mais visível: comprar no distrito custa quase sete vezes mais do que na Guarda, para a mesma área.
