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Raquel Nogueira, da Fintech House: “É imperativo que as fintechs se provem essenciais aos incumbentes”

Quais são os principais desafios para as fintechs e o que devem considerar nos próximos anos para vingarem? Conheça a visão de Raquel Nogueira, da Fintech House.

Sara Antunes Sara Antunes , 23 Novembro 2020

A Fintech House é um Hub de inovação tecnológica, ligado ao setor financeiro, e que tem como objetivo ajudar a desenvolver o ecossistema onde startups e incumbentes (banca) possam colaborar e integrar soluções. A missão da Fintech House é, assim, criar pontes entre os vários players: startups, reguladores, legisladores, bancos, investidores, entre outros.

No final de outubro, a Fintech House divulgou o  Portugal Fintech Report 2020, onde é possível perceber qual a evolução deste ecossistema, como é composto, a capacidade de financiamento, entre outras questões.

A propósito da divulgação deste relatório, o Doutor Finanças colocou questões a vários responsáveis ligados a este universo. Raquel Nogueira, operations manager da The Fintech House, partilhou a sua perspetiva do setor e dos seus desafios.

Raquel Nogueira, operations manager da Fintech House
Raquel Nogueira, operations manager da Fintech House

Quais são os principais desafios de uma fintech em Portugal?

As fintechs mostraram estar a debater-se com o ciclo de vendas. Em relação às áreas que necessitam de ser melhoradas, à semelhança do ano anterior, a regulação é a primeira prioridade, seguida do acesso para entrar no mercado. 

Que impacto estimam que a pandemia possa ter no universo das fintechs?

Apesar das restrições que resultaram da pandemia, as fintechs portuguesas mantiveram a tendência de crescimento do ano passado. Não só as já existentes consolidaram vendas, alcançaram expansão internacional e aumentaram o financiamento, como também surgiram novas empresas.  Mesmo após o surto da pandemia de Covid-19, vimos o ecossistema fintech unir forças para trazer valor à sociedade com as suas soluções, numa altura em que a digitalização e a tecnologia se tornaram um investimento chave para o sucesso das empresas.

A regulamentação é desajustada em Portugal? O que consideram ser necessário nesta área?

A regulamentação está aberta à inovação. A segunda edição do Finlab manteve a dinâmica com forte participação das startups e, este ano, dos incumbentes. Os reguladores trabalharam para construir uma ponte entre a regulamentação, a legislação e o ecossistema fintech, lançando a Finlab Portugal com uma segunda edição e dando passos no sentido da implementação de uma caixa de areia regulamentar. De acordo com o Portugal Fintech Report, 53% dos entrevistados concorda que houve uma melhoria na disponibilidade dos reguladores portugueses. Mas há sempre espaço a melhorar.

É mais difícil ser uma fintech em Portugal do que noutros países, nomeadamente europeus?

Assistimos a uma tendência crescente de mudança das fintechs internacionais para Portugal. Não apenas comercialmente, mas também como um segundo escritório ou mesmo como o local para iniciar a expansão para a Europa. A Fintech House tem sido a representação física desta realidade acolhendo startups de diversas nacionalidades que escolheram Lisboa como local para estabelecerem funções, exemplo disso são a Lovys e a Apiax. 

Citação: Para lançar uma fintech, é preciso ser muito focado no que faz, manter um caráter inovador e pensar global, ter simplesmente o produto e a tecnologia certos não é suficiente.

Quais serão os três principais desafios para os próximos cinco anos para as fintech?

Será determinante que as fintech mantenham o caráter diferenciador e inovador, apenas dessa forma conseguirão estabelecer-se no mercado e competir com os incumbentes. 

Estes, no que puderem, irão imitar as fintechs nos seus processos inovadores, como observámos com o digital onboarding. Para o que não puderem fazer bem sozinhos, os bancos irão desenvolver uma estratégia de parceria, é a resposta mais eficiente que assegura uma solução mantida pela startup. As empresas oferecem um nível de escala a que não poderiam aceder de outra forma, pelo que é imperativo que as fintechs se provem essenciais aos incumbentes, tentando ao máximo impedir a imitação do seu trabalho. 

Três conselhos para quem está a pensar em lançar uma fintech

Para quem estiver a pensar em lançar uma fintech, é preciso ser muito focado no que faz; Manter um caráter inovador, mas sempre focado nas necessidades do cliente; Pensar global, ter simplesmente o produto e a tecnologia certos não é suficiente, é o poder da visão global de uma empresa que faz a diferença.

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