É possível que já tenha aberto a fatura da eletriciade e que tenha ficado a achar que está a pagar mais do que devia. Seja porque acredita que os seus hábitos são os mais acertados para poupar energia ou porque mudou recentemente de tarifa e estava à espera de ver descer o valor a pagar.
A verdade é que há vários fatores a concorrer para aquilo que pagamos todos os meses pela eletricidade que nos chega a casa. Conheça cinco fatores que podem estar a encarecer a sua fatura.
1. Os comportamentos são pouco eficientes
Os hábitos do dia a dia têm um impacto direto na fatura de eletricidade. Um dos exemplos mais comuns é o consumo em standby. Equipamentos como televisões, consolas, routers ou micro-ondas continuam a consumir energia mesmo quando parecem desligados.
Este chamado consumo “fantasma” pode passar despercebido e pode até não significar um valor muito avultado, mas soma-se a outros gastos. Desligar estes aparelhos da tomada ou utilizar extensões com interruptor ajuda a evitar este gasto contínuo.
A iluminação é outro ponto a ter em conta. A substituição de lâmpadas antigas por tecnologia LED permite reduzir significativamente o consumo de energia. Além de consumirem menos eletricidade, as lâmpadas LED tendem a durar mais tempo, o que também reduz custos a médio prazo.
Também a forma como utiliza os eletrodomésticos faz diferença. Usar máquinas de lavar roupa e loiça apenas com a capacidade completa evita ciclos desnecessários.
Sempre que possível, optar por programas ECO ou por temperaturas mais baixas contribui para reduzir o consumo sem comprometer os resultados. Por outro lado, equipamentos como a máquina de secar roupa têm um consumo elevado, pelo que o seu uso deve ser ponderado.
Há ainda pequenos cuidados que ajudam a melhorar a eficiência, como limpar filtros de aspiradores ou exaustores. Quando os equipamentos funcionam em condições adequadas, consomem menos energia.
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2. A tarifa e o ciclo horário estão desajustados da rotina
Por vezes, ouvimos falar das tarifas bi-horária e tri-horária como soluções quase mágicas para baixar o custo da fatura da eletricidade. Mas a eficácia real destas tarifas depende sempre das rotinas de cada pessoa ou família.
Nem todas as opções são adequadas para todos os perfis de consumo, pelo que uma escolha desajustada à rotina diária pode levar a pagar mais do que o necessário. Para que a decisão não acabe a pesar ainda mais na carteira é importante conhecer as principais características de cada uma das tarifas.
Na tarifas simples o preço da eletricidade é igual ao longo de todo o dia. Já nas tarifas bi-horária e tri-horária o valor varia ao longo do dia. Existem horas em que a energia é mais barata (as horas de vazio) e outras em que é mais cara.
E são estas horas mais caras que podem fazer disparar aquilo que paga pela eletricidade. Isto porque o preço nestes períodos é superior ao da tarifa simples. Assim, estas tarifas podem ser vantajosas, mas apenas se uma parte significativa do consumo for feita nos períodos mais baratos.
Se a maioria dos consumos acontecer fora desse horário, o preço médio da eletricidade pode acabar por ser mais elevado.
Por isso, se acha que está a pagar muito pela eletricidade, olhe para a fatura e veja quanto está a consumidor em cada período horário. Com esses números nas mãos, é mais fácil perceber se compensa mudar de tarifa ou se consegue baixar o valor que paga fazendo pequenos ajustes na rotina.
3. Tem uma potência contratada acima do necessário
A potência contratada é a quantidade de eletricidade que pode utilizar em simultâneo. É medida em kVA e define quantos equipamentos pode ter ligados ao mesmo tempo sem que o quadro vá abaixo. Para a maioria dos clientes residenciais, os valores a contratar costumam ser:
- 3,45 kVA
- 4,60 kVA
- 5,75 kVA
- 6,90 kVA
A potência contratada é uma componte fixa da fatura, o que significa que paga mais ou menos o mesmo valor todos os meses (depende do número de dias do mês). Isto mesmo que o consumo de eletricidade seja baixo. Por isso, ter uma potência contratada acima das suas necessidades pode fazer aumentar a fatura sem que se aperceba.
Por outro lado, uma potência demasiado baixa manifesta-se de forma clara, com o disjuntor a desligar quando há vários equipamentos em funcionamento. Se isso não acontece com frequência, pode ser um sinal de que tem margem para reduzir a potência contratada.
Recuperamos as contas que fizemos neste artigo em que mostramos como poupar quase 700 euros por ano em energia e telecomunicações. Um casal com consumos de 190 kWh por mês conseguiu poupar 110 euros por ano na fatura da eletricidade só com um ajuste de potência de 5,75 kVA para 3,45 kVA. Sem mudar rotinas nem tarifas horárias.
Por aqui se vê que ajustar este valor ao perfil de consumo do agregado familiar pode ter impacto direto na fatura mensal.
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4. A fatura está a ser calculada por estimativa
Os comercializadores têm duas formas de calcular o valor da fatura. Uma é através de leituras reais, a outra é com base em estimativas.
A leitura real é a melhor, uma vez que está a pagar por aquilo que efetivamente consumiu naquele mês, sem necessidade de acertos nos meses seguintes.
No entanto, quando o comercializador não consegue aceder ao contador ou quando o cliente não envia as leituras pedidas, a fatura tem de ser emitida sobre valores estimados. Estes têm em conta padrões de consumo anteriores ou perfis médios.
O problema é que essas estimativas podem não acompanhar alterações recentes nos hábitos do agregado familiar, como mudanças de rotina, ausências prolongadas de casa ou aquisição de novos equipamentos. Ou seja, pode estar a pagar mais do que devia.
Mas também pode acontecer o contrário, ou seja, as estimativas podem assumir valores mais baixos do que os que seriam efetivamente devidos.
Assim, dependendo das estimativas anteriores podem acontecer dois cenários quando chega a leitura real:
- O cliente tem um desconto na fatura para compensar estimativas acima do real nos meses anteriores;
- O cliente tem de pagar um valor alto no momento do acerto, devido a estimativas abaixo do real nos meses anteriores.
Para evitar este desfasamento é importante comunicar as leituras reais do contador dentro dos prazos indicados na fatura, sobretudo se não tiver um contador inteligente.
5. Não confirma se há um fornecedor mais barato regularmente
O contrato que assinamos com o fornecedor de eletricidade não tem de ser uma relação para a vida. O mercado está em constante mudança, seja por alterações no custo da energia, por campanhas comerciais ou novos planos lançados pelos fornecedores. Por isso, uma tarifa que era competitiva há algum tempo pode já não o ser atualmente.
Não confirmar regularmente qual o comercializador ou o plano mais barato pode estar a custar-lhe vários euros por mês.
A boa notícia é que pode começar a poupar em poucos minutos. A maioria dos contratos de fornecimento de eletricidade em Portugal não tem período de fidelização, pelo que pode mudar sempre que vir que há uma oferta melhor noutro lado.
Além disso, o processo é muito simples. Só precisa de contactar a empresa que quer contratar e indicar os dados pesoais, a morada e o Código do Ponto de Entrega (CPE) da sua instalação. Pode encontrar este código em qualquer uma das suas faturas anteriores.
Se mesmo assim sentir que precisa de ajuda para tratar do processo, pode contactar um agente autorizado que vai ajudar a comparar ofertas e tratar da mudança.
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Perguntas frequentes
A diferença é o custo da eletricidade ao longo do dia. Na tarifa simples a energia custa sempre o mesmo.
Na tarifa bi-horária há dois períodos com preços diferentes. Um de vazio (mais barato) e outro fora de vazio (mais caro).
Por fim, na tarifa tri-horária há três periodos: horas de vazio (barato), cheias (intermédio) e de ponta (caro).
Não. A escolha da tarifa horária deve ser feita de acordo com os hábitos e rotinas (ou, então, adaptar os hábitos e rotinas após escolher a tarifa).
Isto porque embora tenham períodos em que a energia é efetivamente mais barata do que na tarifa simples, têm outros em que é mais cara do que nessa tarifa.
Sim. Desde o dia 1 de janeiro de 2026 já não é preciso esperar 12 meses para trocar de tarifa junto do fornecedor que contratou.
Antes, se quisesse mudar de tarifa antes de terem passado 12 meses, tinha també de trocar de comercializador.
Tem de escolher se quer ficar no ciclo diário ou no ciclo semanal.
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Ciclo diário: os períodos horários são os mesmos todos os dias da semana;
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Ciclo semanal: os períodos horários estão divididos entre dias da semana, sábados e domingos.
É o valor máximo de eletricidade que pode ser utilizada ao mesmo tempo numa habitação.
Não há limite.
Um abatimento é um desconto que corrige um valor cobrado a mais numa fatura anterior devido a estimativas superiores ao consumo real.
O CPE identifica a instalação elétrica e é preciso indicá-lo quando quer mudar de comercializador. Pode consultá-lo na fatura.
O custo final resulta da soma do preço da energia, do preço da potência contratada, da tarifa de acesso às redes fixada pela ERSE, e dos impostos e taxas aplicáveis.
