Carregar um carro elétrico em casa não obriga automaticamente a aumentar a potência contratada. Um carregamento lento, feito quando a casa consome menos eletricidade, pode ser compatível com o escalão atual.
A resposta depende da potência usada no carregamento, dos consumos da habitação, da potência máxima aceite pelo automóvel e das características da instalação elétrica. Antes de subir de escalão e aumentar a fatura, deve perceber se consegue gerir os consumos ou limitar a potência da wallbox.
É preciso aumentar a potência contratada para carregar um carro elétrico?
Nem sempre. Segundo a ERSE, um carregamento lento necessita normalmente de uma potência entre 2,3 e 3,7 kVA e pode ser compatível com o escalão atual, sobretudo quando a casa consome menos eletricidade. Um escalão de 3,45 ou 4,6 kVA pode, em certas condições, permitir um carregamento a 2,3 kW. Subir de escalão torna-se mais provável se quiser carregar a 7,4 kW ou mais e utilizar vários equipamentos em simultâneo. Ainda assim, programar o carregamento, limitar a potência da wallbox ou gerir dinamicamente os consumos pode evitar esse aumento.
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A potência da wallbox não conta toda a história
A potência contratada limita a utilização simultânea dos equipamentos elétricos. Quanto maior for o escalão, mais aparelhos podem funcionar ao mesmo tempo. Porém, o termo fixo é cobrado mesmo nos dias em que consome pouca eletricidade. Contratar um escalão acima do necessário representa, por isso, um custo adicional.
A potência anunciada pela wallbox também não corresponde necessariamente à potência efetiva de carregamento. O valor fica condicionado pela instalação elétrica, pela configuração do equipamento e pelo limite do carregador interno do veículo. Se o automóvel aceitar apenas 7,4 kW em corrente alternada, não irá carregar a 11 kW, ainda que a wallbox permita essa potência.
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Quanta potência exige cada tipo de carregamento?
Uma tomada convencional permite normalmente carregar a cerca de 2,3 kW e pode demorar entre seis e oito horas a repor o equivalente a 100 quilómetros de autonomia. No entanto, a utilização regular desta solução não é aconselhada sem uma avaliação prévia, porque as tomadas convencionais podem não estar preparadas para longas sessões de carregamento com correntes elevadas.
As wallboxes domésticas podem disponibilizar entre 3,7 e 22 kW e demorar entre 45 minutos e quatro horas a repor a mesma autonomia. Antes de escolher, confirme o limite de carregamento do automóvel e os quilómetros que precisa de recuperar diariamente. Uma potência superior pode ser útil em percursos longos, quando existem dois veículos ou quando o tempo para carregar é reduzido.
Que potência contratada pode ser necessária?
Não existe uma potência contratada adequada a todas as casas. A escolha depende da velocidade de carregamento, da potência aceite pelo automóvel e dos equipamentos utilizados em simultâneo. Quanto mais depressa quiser carregar, menor será a margem disponível para os restantes consumos e maior poderá ser a necessidade de subir de escalão.
Para obter uma estimativa, some a potência do carregamento à dos equipamentos que poderão funcionar ao mesmo tempo. A ERSE admite, neste contexto doméstico, a utilização direta dos valores indicados nos aparelhos. Se o automóvel carregar a 2,3 kW e a máquina de lavar consumir cerca de 2 kW, a utilização conjunta aproxima-se dos 4,3 kW. Um escalão de 4,6 kVA deixaria pouca margem para outros consumos. Nesse caso, pode evitar essa simultaneidade ou analisar o escalão seguinte.
Potência de carregamento | Cenário indicativo |
2,3 kW | Pode ser compatível com a potência já contratada, se os restantes consumos forem reduzidos |
3,7 kW | Pode exigir mais margem de potência ou a programação para horas de menor consumo |
7,4 kW | Torna mais provável a subida de escalão, salvo se limitar o carregamento ou gerir dinamicamente os consumos |
11 kW | Exige habitualmente uma instalação trifásica e uma avaliação da capacidade disponível |
22 kW | Exige habitualmente alimentação trifásica e pode obrigar a um reforço significativo da instalação |
Nota: A tabela apresenta orientações gerais. A potência indicada refere-se ao carregamento do automóvel e não determina, por si só, o escalão que deve contratar.
Como carregar sem aumentar a potência contratada?
Comece por reduzir a utilização simultânea dos equipamentos. Se o automóvel carregar quando o forno, a placa, as máquinas de lavar e o sistema de aquecimento de águas estiverem desligados, haverá mais potência disponível. Pode programar o horário no veículo ou no equipamento de carregamento.
Existem três soluções que podem ajudar a manter o escalão atual:
- Programar o carregamento: concentra o consumo nas horas em que a casa utiliza menos equipamentos.
- Limitar a potência da wallbox: permite carregar, por exemplo, a 3,7 kW, mesmo que o equipamento suporte 7,4 kW.
- Usar gestão dinâmica de cargas: adapta automaticamente o carregamento ao consumo da habitação.
A gestão dinâmica reduz a potência entregue ao automóvel quando os consumos da casa aumentam e volta a elevá-la quando existe margem. Esta solução diminui o risco de o quadro elétrico se desligar e pode evitar a subida do escalão.
Carregar à noite resolve o problema?
Carregar à noite pode evitar a subida de escalão quando o problema está na utilização simultânea dos equipamentos. Nesse período, vários aparelhos de maior consumo tendem a estar desligados. Uma tarifa bi-horária ou tri-horária também pode reduzir o preço da energia consumida no vazio, dependendo do contrato.
Carregar no período de vazio não aumenta, contudo, a potência disponível. Se o carregador e os restantes equipamentos ultrapassarem o limite contratado, o quadro elétrico pode desligar-se mesmo durante a noite. A tarifa determina o preço da eletricidade nos diferentes períodos, enquanto a potência contratada limita a utilização simultânea dos equipamentos.
Os painéis solares evitam o aumento da potência?
Os painéis solares podem fornecer parte da energia usada para carregar um carro elétrico, sobretudo quando o veículo permanece em casa durante as horas de maior produção. O aproveitamento aumenta quando o carregamento acompanha a eletricidade produzida.
Ainda assim, os painéis não dispensam, por si só, uma potência contratada adequada. A produção varia ao longo do dia e diminui em períodos de pouca luz. Sem armazenamento ou um sistema que ajuste o carregamento à produção disponível, a instalação continuará a recorrer à rede sempre que a energia solar não for suficiente.
Como confirmar a potência adequada para a sua casa?
Não escolha o escalão apenas com base na potência anunciada pela wallbox. Consulte a fatura e verifique a potência máxima de carregamento em corrente alternada aceite pelo automóvel. Confirme ainda o valor configurado na wallbox, que pode ser inferior à sua capacidade, e identifique os equipamentos utilizados durante o carregamento.
Antes de alterar o contrato, analise estes cinco elementos:
- Potência atualmente contratada;
- Potência máxima de carregamento aceite pelo automóvel;
- Potência definida na wallbox;
- Equipamentos utilizados ao mesmo tempo;
- Potência máxima admissível pela instalação elétrica.
Teste os consumos simultâneos no simulador da ERSE, destinado a instalações monofásicas até 10,35 kVA. Com um contador inteligente integrado na rede, o histórico ajuda a identificar a potência máxima utilizada.
Para carregamentos de 11 ou 22 kW, instalações trifásicas ou alterações no quadro e na cablagem, peça a avaliação de um técnico habilitado. Este deve confirmar a capacidade da instalação e a distribuição da potência pelas fases.
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Como pedir um aumento da potência contratada?
Se a nova potência não ultrapassar o limite máximo admissível da instalação, peça a alteração ao comercializador. A mudança é gratuita e pode ser feita remotamente quando existe um contador inteligente integrado na rede. Ainda assim, a subida aumenta o preço fixo e pode afetar outras condições da oferta.
Se ultrapassar essa capacidade, deve apresentar um pedido ao operador da rede de distribuição. O processo pode envolver encargos, orçamento, obras nos elementos de ligação, alterações na instalação e nova certificação.
Quem beneficia da tarifa social deve ter atenção ao limite. Uma potência superior a 6,9 kVA implica a perda do benefício, mesmo que cumpra os restantes critérios.
Aumentar a potência deve ser a última opção?
O aumento não deve ser decidido apenas porque comprou um veículo elétrico ou instalou uma wallbox. Programar o carregamento, reduzir a potência usada e gerir os consumos pode assegurar a autonomia necessária sem aumentar o encargo fixo mensal.
Se o carregamento demorar demasiado tempo, o quadro se desligar com frequência ou a família utilizar vários equipamentos em simultâneo, subir de escalão pode ser a solução mais funcional. A escolha depende dos quilómetros percorridos, da velocidade pretendida e dos consumos da casa.
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Perguntas frequentes
O custo depende da energia reposta e do preço por kWh. Em casa, multiplique os kWh carregados pelo preço da eletricidade do seu tarifário e considere as perdas do processo. Na rede pública, o valor pode incluir um preço por kWh, minuto ou sessão, além de uma eventual taxa de ocupação. Confirme sempre o preço total antes de iniciar o carregamento.
Não necessariamente. Vários fabricantes recomendam limitar a carga diária a cerca de 80% e reservar os 100% para viagens longas. No entanto, a indicação varia consoante o modelo e a química da bateria. Siga o manual do automóvel e evite deixá-lo parado durante longos períodos com a bateria perto dos 0% ou dos 100%.
Não a estraga de imediato, mas a utilização frequente do carregamento rápido pode acelerar o desgaste, sobretudo com temperaturas elevadas ou níveis de carga altos. O sistema de gestão da bateria reduz a potência para a proteger, razão pela qual o carregamento abranda perto dos 80%. No dia a dia, siga as recomendações do fabricante e reserve o carregamento rápido para quando for necessário.
Se a instalação ou a cablagem passar por uma parte comum, deve comunicar por escrito à administração do condomínio e, quando aplicável, ao proprietário, com pelo menos 30 dias de antecedência. O condomínio só pode opor-se nos casos previstos na lei, como um risco comprovado, a obstrução das zonas comuns ou a existência de uma solução partilhada equivalente. A instalação deve ser executada por uma entidade habilitada.
Os pontos instalados ou renovados ao abrigo do novo regime devem permitir o carregamento sem contrato, através de meios como cartão bancário ou código QR. Contudo, alguns equipamentos antigos ainda estão em adaptação. Os pontos com 50 kW ou mais já em funcionamento em agosto de 2025 têm até 1 de janeiro de 2027 para cumprir estas obrigações. Confirme previamente os meios de pagamento disponíveis.
