A entrevista deste mês da rubrica “Dentro da carteira de…” dá a conhecer a Krystel Leal, Nómada Digital e autora do projeto Nomadismo Digital Portugal e de uma nova plataforma de anúncios de trabalho remoto, o Trabalho Nomadismo Digital. Atualmente a viver em Palo Alto, Califórnia, Krystel fala-nos do seu trabalho e da preparação financeira para se tornar nómada digital. Conheça-a melhor na entrevista abaixo.

Quem é a Krystel?

Chamo-me Krystel Leal, tenho 26 anos e estou a viver atualmente na Califórnia. Trabalho de forma exclusivamente remota, ou seja, para trabalhar e ganhar dinheiro só preciso do meu computador e de uma conexão à internet! Em 2016 criei o projeto Nomadismo Digital Portugal no qual tento ajudar portugueses que queiram começar a trabalhar remotamente.

Nome, profissão?

Krystel Leal, freelancer em marketing digital.

Fala-nos um pouco acerca do teu projecto, o Nomadismo Digital Portugal

O Nomadismo Digital Portugal é um projeto que surgiu em fevereiro de 2016. Na altura preparava-me para sair de Paris, onde vivia e estudava na altura, e já estava a trabalhar a full-time enquanto freelancer remota.
Durante o ano de 2015, criei do zero esta atividade profissional (que hoje me permite trabalhar de qualquer lugar do mundo), lendo muitos livros, sites e blogs em inglês, em francês e em português do Brasil. Não havia recursos e conteúdos em português de Portugal e destinados a portugueses, com toda a questão de impostos e finanças própria ao nosso país.
Quando senti que já tinha experiência suficiente para falar sobre isto de ser freelancer e nómada digital, comecei o Nomadismo Digital Portugal como um blog. Em poucos meses, o projeto cresceu e com ele cresceram também os tipos de conteúdos e a estratégia do projeto.

Hoje é um site no qual tento criar conteúdos úteis e que ajudem as pessoas a começar a trabalhar numa atividade profissional remota. No fundo, procuro mostrar que é possível ser-se feliz com um trabalho!

O que é, ao certo, um Nómada Digital?

Um nómada digital tem ganho definições muito diferentes. Muitos associam o termo a uma pessoa que ganha dinheiro na Internet e que está sempre a viajar, mas eu pessoalmente identifico-me mais com a definição bem simples de que é alguém que trabalha remotamente.

Se alguém trabalha remotamente e tem uma atividade que não depende de um local para ser exercida é já, a meu ver, um nómada digital. Mesmo que não esteja sempre a viajar, pode fazê-lo se assim o desejar, visto que não tem amarras físicas a um local.

Onde estás agora e no que estás a trabalhar?

Atualmente estou a viver em Palo Alto, na Califórnia. O meu tempo divide-se por mil e uma ideias e pelos seguintes projetos:

  1. O projeto Nomadismo Digital Portugal que me ocupa cerca de 2-3 dias por semana
  2. O site de anúncios de trabalho remoto, o Trabalho Nomadismo Digital
  3. Os meus produtos digitais, como o livro Como Ser Freelancer
  4. O meu blog pessoal, o Sou Nómada
  5. Paralelamente a estes projetos, tenho a minha atividade enquanto freelancer em marketing digital

Do ponto de vista financeiro, quais é que dirias que são as maiores vantagens e desvantagens em ser nómada digital?

Do ponto de vista financeiro, a maior desvantagem é sem dúvida a instabilidade. A menos que se trabalhe de forma full-time para uma empresa (algumas já recrutam de forma remota), ser nómada digital envolve normalmente pagamentos por projetos ou por clientes, o que significa que não existe uma data fixa para receber um pagamento. Essa instabilidade exige uma grande organização do orçamento.

A maior vantagem de se ser nómada digital quando se fala de dinheiro, está ligada ao facto de que podemos ter várias fontes de renda passiva. Um nómada digital pode ser freelancer e receber por trabalho/cliente, mas também pode ter um site ou blog com o qual ganha algum dinheiro, pode ter produtos digitais à venda ou pode ainda ter uma loja online. O trabalho remoto permite abrir vários caminhos diferentes para se ganhar dinheiro.

Sempre foste nómada ou foi uma mudança de vida recente para ti?

Não! Já trabalhei em escritórios e comércios e já tive horários profissionais. No entanto, percebi que trabalhar remotamente me permite não só ser mais produtiva (porque posso trabalhar quando realmente me sinto produtiva e motivada, o que resulta num trabalho com melhor qualidade), mas também fazer tarefas e estar envolvida em projetos que mais motivam e inspiram.

Tiveste que fazer alguma alteração financeira na tua vida antes de te tornares nómada digital?

Comecei a trabalhar como freelancer de forma paralela ao meu trabalho anterior.

Procurei testar o mercado e validar o meu projeto antes de me tornar freelancer a full-time. Isso permitiu que tivesse uma maior estabilidade financeira e conseguisse ter noção do fluxo de dinheiro necessário para me tornar nómada digital.

Fazes algum controlo de custos ou planeamento mensal do teu dinheiro? Como?

Sim. Uso o Boonzi para anotar todas as minhas despesas e rendimentos do mês. Marco na agenda as datas nas quais estou a contar receber os meus pagamentos, para ter uma noção clara de quando é que vou ter despesas.

Para onde vai a maioria do teu orçamento mensal? Qual é a tua maior despesa mensal? Tens uma ideia do valor?

Para a alimentação e compras. Atualmente nas compras de comida gasto aproximadamente $300. Na Califórnia o preço das coisas é bem mais elevado do que em Portugal, então é um valor que pode parecer elevado para duas pessoas, mas acaba por ser uma despesa necessária.

Se encontrasses uma nota de 500€ o que fazias com o dinheiro?

Iria depositar o dinheiro na minha conta poupança. Nada como poupar para depois investir em algo realmente útil!

Qual foi o melhor investimento que já fizeste?

O melhor investimento ainda está certamente para vir. Ainda não tive oportunidade de fazer aquilo que considero um “real investimento”. Até agora, os melhores investimentos que fiz foi ter posto em prática o projeto Nomadismo Digital Portugal que pretendo fazer crescer nos próximos anos.

Queres partilhar uma dica de poupança? 🙂

Mal tenho dinheiro disponível, tento pagar todas os custos fixos do mês como água, luz e internet. Como nunca recebo a uma data fixa, isso permite-me que o dinheiro que entrar depois disso seja mais facilmente poupado. Também tento nunca utilizar o Cartão de Crédito a menos que seja realmente necessário.

O dinheiro para ti é…?

Uma forma de alcançar liberdade e independência. O dinheiro não compra felicidade…mas ajuda a ter muitas coisas que nos permitem alcançá-la mais rapidamente!

Qual é o teu pecado? De que não consegues abdicar para poupar?

Aplicações digitais. Subscrevo atualmente a algumas ferramentas que sei que, se quisesse poupar, poderia encontrar alternativas gratuitas. Mas quando penso nos meus projetos digitais e no meu trabalho, não consigo abdicas de algumas aplicações!

Que extravagância farias se te saísse o Euromilhões?

Faria o que fosse possível para garantir a segurança financeira da minha família, dos meus pais e irmão. Porque o prémio é bastante grande, faria certamente investimentos em startups e projetos nos quais acredito e aproveitava para viajar!

Esperamos que tenha gostado de mais este “Dentro da carteira de”. Não se esqueça de acompanhar o Nomadismo Digital Portugal, pois mesmo que não se enquadre no estilo de vida em questão, vai certamente achar úteis os artigos de emprego, carreira e gestão financeira que a Krystel publica no site. 🙂